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Ethereum registra trimestre on-chain mais forte em 3 anos e reacende tese de retomada

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O Ethereum (ETH) processou 200,4 milhões de transações na camada base no primeiro trimestre de 2026 – o primeiro trimestre da história da rede a cruzar a marca de 200 milhões, segundo dados da Artemis. O resultado representa um salto de 43% em relação ao Q4 2025, que registrou 145 milhões de transações, e mais que o dobro dos fundos de 2023, quando a atividade trimestral chegou a apenas 90 milhões. Ao mesmo tempo, o fornecimento total de stablecoins na rede atingiu US$ 180 bilhões (aproximadamente R$ 1,08 trilhão ao câmbio atual), respondendo por cerca de 60% de todo o mercado global de stablecoins, segundo a Token Terminal. O ETH, porém, negocia a US$ 2.328 (aproximadamente R$ 13.968), mais de 50% abaixo do pico de quase US$ 5.000 (aproximadamente R$ 30.000) registrado em agosto de 2025.

A pergunta que domina as mesas de operação é clara: o recorde de atividade on-chain do Ethereum sinaliza uma retomada estrutural da rede com potencial de reavaliação do ETH nos próximos trimestres, ou estamos diante de um ciclo de crescimento de volume descolado de valor – impulsionado por bots, settlement de Layer 2 e stablecoins que não se traduzem em fees nem em valorização para o detentor do token?

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O que está por trás dessa movimentação?

Pense no CEAGESP, o maior entreposto de alimentos da América Latina, localizado em São Paulo. O volume de caixas que passa pelo galpão central cresce ano após ano – mas parte crescente desse fluxo vai direto para docas externas, onde atacadistas menores recebem a mercadoria sem precisar entrar no pavilhão principal. O galpão registra o movimento, o laudo sanitário, a nota fiscal – mas a margem do negócio fica cada vez mais nas docas periféricas. A lógica do Ethereum em 2026 é funcionalmente idêntica.

As Layer 2s – redes construídas sobre o Ethereum que processam transações mais baratas e depois as consolidam na camada base – são as docas periféricas. Base e Arbitrum, as duas maiores L2s, absorvem a maior parte do tráfego de usuários finais e periodicamente “liquidam” o resultado no Ethereum L1, o que aparece como transação na camada base. A atualização Dencun, em março de 2024, reduziu drasticamente o custo de postagem de dados pelas L2s – o que acelerou o volume de settlement, mas comprimiu as taxas pagas por transação. Mais movimento no galpão, margem menor por caixa.

A recuperação começou a ganhar tração no segundo semestre de 2025, impulsionada pelo lançamento de ETFs de ETH à vista nos Estados Unidos – que viram os ativos sob gestão dispararem 173% no Q3 2025, chegando a US$ 27,63 bilhões (aproximadamente R$ 165,8 bilhões), com a BlackRock capturando 60% dos novos fluxos. Como analisamos anteriormente no CriptoFácil ao examinar a acumulação de baleias e os dados on-chain do Ethereum, o movimento institucional de 2025 criou a base de demanda que sustenta os números de Q1 2026. O desafio agora é transformar atividade em valor.

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O que os dados revelam?

  • ‘O Recorde que o Preço Ignorou’200,4 milhões de transações na camada base no Q1 2026, primeiro trimestre acima do limiar de 200 milhões na história da rede, segundo a Artemis. O dado marca o ápice de uma recuperação em formato de U que levou três anos para se completar.
  • ‘A Memória do Fundo’ – O mínimo trimestral foi de 90 milhões de transações em 2023, seguido de uma lateralização entre 100 e 120 milhões durante quase todo o ano de 2024. O salto para 145 milhões no Q4 2025 e depois para 200,4 milhões no Q1 2026 representa uma aceleração de dois dígitos em dois trimestres consecutivos.
  • ‘O Banco Digital da Blockchain’ – O fornecimento total de stablecoins no Ethereum atingiu US$ 180 bilhões (aproximadamente R$ 1,08 trilhão), um recorde histórico que posiciona a rede como o principal trilho de liquidação de dólar digital do mundo – 60% do mercado global concentrado em um único protocolo.
  • ‘O Custo do Crescimento’ – A atualização Dencun comprimiu as taxas de dados cobradas das L2s, desconectando o crescimento de transações do crescimento de receita em fees. Mais transações não equivalem, necessariamente, a mais queima de ETH nem a mais valor capturado pelo detentor do token.
  • ‘O Desconto de 50%’ – O ETH negocia a US$ 2.328 (aproximadamente R$ 13.968), acumulando queda de mais de 50% desde o pico de quase US$ 5.000 (aproximadamente R$ 30.000) de agosto de 2025. A divergência entre fundamentos de rede e valuation do token é a maior tensão analítica do momento.
  • ‘A Corrida das Docas Periféricas’ – O volume de usuários finais está majoritariamente nas L2s, com Base e Arbitrum liderando o tráfego. A atividade aparece no L1 como settlement e bridging – o que infla a contagem de transações sem necessariamente refletir crescimento de usuários únicos na camada base.
  • ‘O Termômetro Institucional’ – Os ETFs de ETH à vista acumularam US$ 27,63 bilhões (aproximadamente R$ 165,8 bilhões) em AUM no Q3 2025, com a BlackRock sozinha somando cerca de US$ 6 bilhões (aproximadamente R$ 36 bilhões) em novos fluxos. O institucional chegou; ainda está acumulando.

A síntese é objetiva: os fundamentos de rede do Ethereum nunca estiveram mais sólidos em termos de atividade absoluta, mas a arquitetura pós-Dencun criou uma cunha entre volume e captura de valor. O mercado precisa decidir se essa cunha é temporária – corrigida por upgrades futuros – ou estrutural.

O que muda na estrutura do mercado?

O efeito de primeira ordem: o recorde de transações no Q1 2026 encerra o debate sobre se o Ethereum perdeu relevância de rede para competidores como Solana. Como analisamos anteriormente no CriptoFácil ao cobrir a disputa entre Solana e Ethereum em volume ajustado de stablecoins, a competição por liquidez de dólar digital é real – mas os números de Q1 2026 confirmam que o Ethereum retém a posição de trilho dominante para settlement institucional e stablecoins, com 60% do mercado global ancorado no protocolo.

O efeito de segunda ordem: a divergência entre atividade de rede e preço do token cria uma tese de compra baseada em fundamentos que não depende de narrativa especulativa. Quando a atividade on-chain recupera antes do preço – e não depois -, o histórico de ciclos anteriores sugere que o mercado eventualmente precifica o diferencial. O risco é o timing: “eventualmente” pode significar um trimestre ou quatro. Agentes de IA autônomos interagindo com contratos DeFi no Ethereum, como discutimos ao analisar o crescimento de agentes autônomos de trading no Ethereum e seus riscos associados, são um dos vetores emergentes que podem ampliar ainda mais a contagem de transações nos próximos trimestres.

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O efeito de terceira ordem: se o Q2 2026 confirmar a sustentação acima de 200 milhões de transações trimestrais, o Ethereum terá estabelecido um novo piso de demanda de rede que historicamente antecede reavaliação de valuation – não segue. A opinião editorial do CriptoFácil sobre este movimento é direta: o recorde de Q1 2026 é um dado estrutural relevante, não ruído de ciclo. O desconto de 50% no ETH em relação ao pico, com fundamentos de rede em máximas históricas, é uma das assimetrias mais claras disponíveis no mercado de criptoativos neste momento – desde que o investidor tenha horizonte de, no mínimo, dois trimestres e posição dimensionada para suportar volatilidade.

O trimestre forte sinaliza retomada estrutural ou pico isolado de atividade?

Cenário otimista: o Q2 2026 sustenta ou supera 200 milhões de transações, o upgrade Pectra (previsto para meados de 2026) melhora a eficiência de staking e L2, e os ETFs de ETH continuam atraindo fluxos institucionais consistentes. Nesse cenário, o ETH tem condições de recuperar o território de US$ 3.500 a US$ 4.000 (aproximadamente R$ 21.000 a R$ 24.000) até o final de 2026, revertendo parte substancial da queda desde agosto de 2025. Prazo: 2 a 3 trimestres.

Cenário base: a atividade de rede se estabiliza entre 180 e 220 milhões de transações trimestrais ao longo de 2026, com crescimento incremental impulsionado por stablecoins e settlement de L2. O ETH consolida entre US$ 2.000 e US$ 2.800 (aproximadamente R$ 12.000 a R$ 16.800), com reavaliação mais lenta e dependente de catalisadores macroeconômicos – queda de juros nos EUA, expansão de liquidez global. Prazo: 3 a 4 trimestres para romper US$ 3.000.

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Cenário bearish: o crescimento de transações no Q1 2026 revela-se majoritariamente artificial – bots de stablecoin e arbitragem de L2 sem onboarding de usuários reais. A compressão de fees pós-Dencun continua se aprofundando, o modelo de captura de valor do ETH perde credibilidade junto ao institucional, e o token cede para a faixa de US$ 1.500 a US$ 1.800 (aproximadamente R$ 9.000 a R$ 10.800) em caso de deterioração macro. Prazo: risco mais imediato, de 1 a 2 trimestres. O invalidador do bear case é preciso: qualquer trimestre com transações acima de 190 milhões combinado com crescimento de endereços ativos únicos acima de 15% trimestre a trimestre confirmaria que o volume é orgânico – e eliminaria a hipótese de inflação artificial como explicação dominante.

Quais limiares de indicadores importam agora?

  • ‘O Piso dos 180 Milhões’ – A manutenção de pelo menos 180 milhões de transações trimestrais no Q2 2026 é o limiar mínimo para confirmar que o recorde de Q1 não foi um pico sazonal. Queda abaixo desse nível reabriria o debate sobre sustentabilidade do crescimento.
  • ‘O Termômetro das Stablecoins’ – O fornecimento total de stablecoins no Ethereum acima de US$ 180 bilhões (aproximadamente R$ 1,08 trilhão) é o principal indicador de demanda estrutural de settlement. Crescimento para US$ 200 bilhões (aproximadamente R$ 1,2 trilhão) seria confirmação de que a rede está capturando mais fluxo de dólar digital.
  • ‘O Ratio ETH/BTC como Barômetro de Rotação’ – O par ETH/BTC opera em mínimas de ciclo. A recuperação do ratio acima de 0,035 seria o primeiro sinal técnico de rotação estrutural de capital do Bitcoin para o Ethereum – o tipo de movimento que historicamente precede altas percentuais mais expressivas no ETH.
  • ‘O TVL como Confirmação de Demanda Real’ – O TVL de DeFi no Ethereum, com a Aave registrando crescimento de 29% no Q3 2025, deve continuar expandindo para confirmar que o volume de transações tem lastro em atividade econômica genuína. Estagnação ou queda do TVL enquanto transações crescem seria sinal de alerta sobre a qualidade do volume.
  • ‘O Pectra como Catalisador de Upgrade’ – O upgrade Pectra, esperado para meados de 2026, promete melhorias em eficiência de staking e processamento de L2. A data de ativação na mainnet será um evento de mercado relevante – aproximação do upgrade tende a criar pressão compradora antecipada no ETH.

Como sempre, o volume será o árbitro final.

Como isso afeta o investidor brasileiro?

Efeito BRL: um investidor brasileiro que comprou ETH a R$ 30.000 no pico de agosto de 2025 acumula perda de aproximadamente 53% em reais – o ETH vale hoje cerca de R$ 13.968. Se o cenário base se concretizar e o ETH atingir US$ 2.800 (aproximadamente R$ 16.800) até o final de 2026, o retorno sobre o pico de 2025 ainda seria negativo, mas a recuperação desde os níveis atuais chegaria a cerca de 20%. No cenário otimista, com ETH a US$ 4.000 (aproximadamente R$ 24.000), o retorno desde os preços atuais seria de aproximadamente 72% em reais – considerando câmbio estável. A variação do dólar/real é um fator adicional: uma valorização do real comprime o retorno em BRL mesmo com alta do ETH em dólares; uma depreciação amplifica. Monitore o câmbio como componente do risco-retorno, não apenas o preço do ETH em USD.

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Acesso prático: para exposição direta ao ETH, as principais plataformas brasileiras regulamentadas incluem Mercado Bitcoin, Foxbit e Binance Brasil, todas com negociação em reais e custódia local. Para quem prefere exposição via mercado regulado na B3, os ETFs ETHE11 e QETH11 oferecem acesso ao ETH dentro do ambiente de renda variável, com a conveniência da corretora tradicional e sem necessidade de custódia própria. O HASH11, fundo diversificado de criptoativos, também oferece exposição indireta ao Ethereum como parte de uma carteira de ativos digitais. Para investidores que buscam diversificação dentro do ecossistema Ethereum – DeFi, L2s, staking – os ETFs temáticos internacionais disponíveis via BDR em algumas corretoras oferecem uma camada adicional de exposição setorial.

Nota tributária: ganhos com criptoativos no Brasil são tributados conforme a Lei 14.754/2023 e a Instrução Normativa 1.888 da Receita Federal. Vendas mensais que totalizem acima de R$ 35.000 estão sujeitas a alíquotas entre 15% e 22,5% sobre o ganho de capital, com recolhimento via DARF até o último dia útil do mês seguinte à operação. O controle de custo médio de aquisição deve ser feito com rigor – recomenda-se o uso do programa GCAP da Receita ou software especializado. Dado o histórico de volatilidade do ETH e os múltiplos pontos de entrada que investidores ativos costumam ter, a recomendação é manter planilha atualizada de todas as operações e consultar contador especializado em criptoativos antes do encerramento de cada trimestre fiscal. A estratégia de DCA (aportes periódicos) reduz o risco de entrada concentrada em pico de ciclo – e a alavancagem, em qualquer modalidade, é contraindicada para um ativo que já oscilou 50% em oito meses.

Riscos e o que observar

«Risco da Atividade Sem Preço»: a divergência entre crescimento de transações e estagnação do preço do ETH pode persistir indefinidamente se a estrutura de captura de valor do protocolo não se ajustar. A compressão de fees pós-Dencun significa que o Ethereum está subsidiando o crescimento das L2s às custas da queima de ETH – o mecanismo deflacionário que sustentou boa parte da narrativa de “ultrasound money” entre 2021 e 2023 está enfraquecido. Gatilho a monitorar: acompanhe a taxa de queima semanal de ETH via Ultrasound.money – queda sustentada abaixo de 2.000 ETH queimados por semana sinaliza que a compressão de fees está se aprofundando.

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«Risco de Volume Artificial»: analistas têm alertado que parte crescente das transações de stablecoin on-chain é gerada por bots de arbitragem e market-making automatizado, não por usuários humanos genuínos. Se o crescimento de Q1 2026 for majoritariamente artificial, o “recorde” tem valor analítico muito menor do que parece. O que observar: o crescimento de endereços ativos únicos mensais no Ethereum – se as transações crescem 43% mas os endereços únicos crescem menos de 10%, a hipótese de inflação por bots ganha força.

«Risco Macro de Reversão de Liquidez»: o ambiente de juros globais ainda elevados comprime o apetite por risco em ativos de alta volatilidade. Uma reversão no ciclo de afrouxamento do Federal Reserve – ou um choque geopolítico – pode drenar os fluxos de ETFs de ETH e pressionar o token de volta à faixa de US$ 1.500 (aproximadamente R$ 9.000), independentemente dos fundamentos de rede. Gatilho a monitorar: fluxo semanal dos ETFs de ETH à vista nos EUA abaixo de zero por três semanas consecutivas seria sinal de alerta de reversão institucional.

«Risco de Competição de L1»: enquanto o Ethereum ostenta recordes de transações, concorrentes como Solana continuam capturando parcela relevante de volume em segmentos específicos – memecoin, NFTs de alta frequência, DEXs de baixa latência. A fragmentação do ecossistema de stablecoins, com emissores como Circle e Tether expandindo presença em múltiplas redes, pode diluir a dominância do Ethereum de 60% nos próximos ciclos. O que observar: a participação de mercado do Ethereum no fornecimento global de stablecoins – manutenção acima de 55% seria sinal de resiliência estrutural.

O cenário é binário

O cenário é binário: se o Q2 2026 confirmar a sustentação acima de 190 milhões de transações trimestrais, o upgrade Pectra for ativado na mainnet sem incidentes no segundo semestre, os fluxos de ETFs de ETH nos EUA se mantiverem positivos por pelo menos dois meses consecutivos, e o fornecimento de stablecoins no Ethereum avançar para além de US$ 200 bilhões (aproximadamente R$ 1,2 trilhão), o mercado terá evidências suficientes para reclassificar o desconto atual de 50% como uma anomalia de avaliação – e o ETH tem condições estruturais de recuperar o território de US$ 3.500 a US$ 4.000 (aproximadamente R$ 21.000 a R$ 24.000) até o final de 2026; caso contrário, se o volume de Q2 recuar abaixo de 160 milhões, a compressão de fees pós-Dencun se aprofundar sem perspectiva de correção pelo Pectra, e os fluxos institucionais via ETF secarem diante de um ambiente macro adverso, o ETH permanecerá em compressão de valuation e poderá ceder para a faixa de US$ 1.500 a US$ 1.800 (aproximadamente R$ 9.000 a R$ 10.800) antes de qualquer recuperação significativa – com o recorde de transações de Q1 2026 passando para a história como um pico de ciclo, não como um ponto de inflexão. Até lá, paciência é o único ativo que não desvaloriza.

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