A Wintermute, um dos principais market makers do ecossistema cripto, anunciou oficialmente o lançamento de sua mesa de negociação de balcão (OTC) focada exclusivamente em ouro tokenizado. A empresa projeta que o mercado de ouro na blockchain atinja a marca de US$ 15 bilhões (aproximadamente R$ 87 bilhões na cotação atual) até o final de 2026. O anúncio ocorre em um cenário macroeconômico aquecido, com o ouro sendo negociado a US$ 2.850 a onça e a narrativa de ativos do mundo real (RWA) ganhando tração institucional.
O que está por trás dessa movimentação?
Em termos simples, a Wintermute está construindo uma “ponte de liquidez” para grandes investidores que desejam exposição ao ouro sem as dores de cabeça logística do metal físico ou as limitações de horário dos ETFs tradicionais. Ao focar no mercado OTC, a empresa mira hedge funds e tesourarias corporativas que precisam movimentar grandes volumes sem causar impacto excessivo no preço (slippage) em corretoras comuns.
Essa iniciativa não é isolada; ela reflete um amadurecimento do setor de RWA. Assim como Hong Kong tem liderado a tokenização de fundos e títulos soberanos, o ouro se estabelece como o ativo de garantia ideal na blockchain. A movimentação segue a tendência de grandes players se posicionarem em infraestrutura cripto, similar a como a BlackRock movimenta milhões em ativos digitais para preparar o terreno para clientes institucionais.
Quais são os dados e fundamentos destacados?
A entrada da Wintermute neste nicho específico é sustentada por números robustos e uma demanda crescente por colaterais de alta qualidade em DeFi. Segundo dados de mercado e do anúncio oficial, os principais pontos são:
- Tokens Suportados: A mesa dará suporte inicial ao PAX Gold (PAXG) da Paxos e ao Tether Gold (XAUT), os dois maiores ativos da categoria, ambos lastreados em ouro físico auditado.
- Volume Mínimo: O serviço é voltado para liquidez institucional, com tamanho mínimo de negociação estipulado em US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,8 milhões).
- Crescimento do Mercado: O valor de mercado do ouro tokenizado saltou de US$ 1,5 bilhão no início de 2025 para US$ 5,4 bilhões em fevereiro de 2026, conforme reportado pelo portal Yellow.
- Integração DeFi: Diferente de ETFs, estes tokens podem ser usados como garantia em empréstimos on-chain, uma utilidade que lembra como o fundo BUIDL da BlackRock foi integrado à Uniswap para gerar rendimento.
Como isso afeta o investidor brasileiro?
Para o investidor brasileiro, que historicamente busca o ouro e o dólar como proteção contra a volatilidade do Real, essa notícia valida a segurança e a liquidez do ouro tokenizado. Embora o serviço da Wintermute seja para instituições, ele aumenta a liquidez global dos tokens PAXG e XAUT, que são facilmente acessíveis no Brasil através de corretoras locais (como Mercado Bitcoin e Foxbit) ou globais.
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A grande vantagem para o brasileiro é a possibilidade de “ouro produtivo”. Ao contrário de manter um contrato futuro na B3 ou ouro físico, o token permite acesso a rendimentos em protocolos de finanças descentralizadas. Plataformas de empréstimo já começam a aceitar esses ativos como colateral, similar ao movimento visto com ações tokenizadas pela Ondo Finance. Além disso, com o ouro a US$ 2.850, o ativo serve como um duplo hedge: valorização da commodity e exposição cambial ao dólar.Pax
Riscos e o que observar
Apesar do otimismo, o setor carrega riscos específicos. A custódia do ouro físico, que lastreia os tokens, depende inteiramente da auditoria e solvência de emissores como Paxos e Tether. Além disso, investidores devem monitorar a potencial aprovação de um ETF de ouro tokenizado pela BlackRock, especulado para o segundo trimestre de 2026, o que poderia alterar a dinâmica de taxas e liquidez do mercado. A volatilidade regulatória nos EUA também permanece um ponto de atenção para a conversibilidade desses ativos.

