Vitalik Buterin reacendeu o debate sobre o futuro das redes de segunda camada do Ethereum ao sugerir que o modelo atual de Layer 2 pode não fazer mais sentido. O comentário veio em um momento delicado para o mercado: o ETH caiu 29,7% nos últimos 30 dias, sendo negociado a US$ 2.080 nesta terça-feira (04), com volume diário de US$ 18,4 bilhões. O movimento ocorre em meio à correção ampla do mercado cripto e à reavaliação de teses de escalabilidade do Ethereum.
Desde o topo histórico em US$ 4.878, registrado em novembro de 2021, o ETH acumula queda de 54%, pressionando investidores a questionar fundamentos e perspectivas de longo prazo. No Brasil, onde o Ethereum é o segundo criptoativo mais negociado em corretoras como Mercado Bitcoin e Binance, a volatilidade impacta tanto traders de curto prazo quanto investidores posicionados para ciclos mais longos.
O que mudou na visão de Vitalik sobre as Layer 2?
Em termos simples, Layer 2 são redes construídas sobre o Ethereum para processar transações mais baratas e rápidas, aliviando o congestionamento da camada principal. Projetos como Arbitrum, Optimism e Base concentram hoje US$ 42,3 bilhões em valor total bloqueado (TVL), alta de 15% em 30 dias, com taxas médias de apenas 0,05 Gwei, contra cerca de 12 Gwei na mainnet.
Buterin, porém, argumenta que essa arquitetura criou “estradas paralelas” com diferentes níveis de descentralização. Arbitrum, por exemplo, ainda opera com um sequenciador centralizado, controlado pela Offchain Labs, o que adiciona risco de governança. Para o investidor brasileiro, isso importa porque riscos técnicos tendem a ser precificados rapidamente em períodos de estresse de mercado.
Ethereum acelera na camada 1 e muda a equação
O ponto central da crítica é que o Ethereum passou a escalar mais rápido do que o esperado diretamente na camada 1. Buterin destacou planos de aumento do limite de gas ainda em 2026, o que pode elevar a capacidade da rede sem depender tanto das Layer 2, alinhando-se aos planos de upgrade do Ethereum já discutidos pelo mercado.
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No gráfico, o ETH segue abaixo das médias móveis de 50 e 200 dias, em US$ 2.320 e US$ 2.740, respectivamente. O RSI diário está em 38 pontos, indicando região de fraqueza, enquanto o MACD permanece negativo, sugerindo que o momentum ainda favorece os vendedores. Suportes relevantes aparecem em US$ 1.950 e US$ 1.800, com resistência imediata em US$ 2.300.
Como isso afeta Layer 2, institucionais e investidores?
Uma mudança estrutural no papel das Layer 2 pode redistribuir valor dentro do ecossistema. Tokens dessas redes, que historicamente impulsionaram o ETH em ralis de 20% a 30% após grandes lançamentos entre 2023 e 2024, podem enfrentar maior volatilidade. Por outro lado, o ETH pode se beneficiar no longo prazo se a narrativa de maior eficiência na camada 1 ganhar tração.
Institucionalmente, o debate é acompanhado de perto. A visão institucional sobre o Ethereum segue construtiva, enquanto no Brasil cresce a expectativa por produtos regulados, como ETFs de ETH, em linha com o interesse observado no Bitcoin. Esse pano de fundo ajuda a explicar por que, apesar da queda recente do ETH, grandes carteiras reduziram apenas 3% do supply em exchanges na última semana, sinalizando menor pressão vendedora on-chain.
Riscos e contrapontos ao novo discurso
O principal risco é que a escalabilidade direta da camada 1 demore mais do que o previsto ou eleve novamente as taxas, reabrindo espaço para as Layer 2. Além disso, muitas aplicações DeFi e NFTs já dependem dessas redes, o que dificulta uma transição abrupta. Para traders brasileiros, isso reforça a necessidade de gestão de risco em um ativo que ainda opera em tendência de baixa no curto prazo.
Em síntese, a proposta de Vitalik não elimina as Layer 2, mas sinaliza uma redefinição de papéis em um momento em que o preço do ETH testa a paciência do mercado. Se a execução acompanhar o discurso, o Ethereum pode sair mais forte estruturalmente — mas o caminho até lá segue volátil.
Análises de mercado apontam histórico de ralis do ETH após mudanças de roadmap, enquanto projeções macro seguem cautelosas diante do cenário global. Já para o investidor brasileiro, o recado é claro: entender a tecnologia virou parte essencial da tese de investimento.

