A Visa anunciou uma nova parceria com a fintech britânica BVNK para testar pagamentos internacionais com stablecoins via Visa Direct. O anúncio não gerou reação direta em preços de criptomoedas como o Bitcoin, que opera estável em torno de US$ 43.200 nas últimas 24h, mas reforça uma tendência estrutural de adoção institucional. O movimento ocorre em um momento em que stablecoins já movimentam trilhões de dólares ao ano e ganham espaço como infraestrutura financeira global.
O que muda com a parceria entre Visa e BVNK?
Na prática, a Visa permitirá que alguns clientes corporativos façam pagamentos internacionais pré-financiados usando stablecoins, entregando dólares digitais diretamente em carteiras compatíveis. A BVNK fornece a infraestrutura on-chain, enquanto a Visa usa sua rede Visa Direct, conhecida por liquidações quase em tempo real.
Segundo a própria BVNK, a empresa já processa mais de US$ 12 bilhões por ano em pagamentos com stablecoins para clientes como Ferrari e Rapyd. De acordo com dados divulgados pela BVNK, stablecoins movimentaram US$ 27 trilhões globalmente em 2024, superando o volume anual de redes tradicionais como Visa e Mastercard combinadas.
Stablecoins consolidam papel como infraestrutura financeira
O mercado global de stablecoins soma cerca de US$ 280 bilhões em capitalização, segundo o Banco Central Europeu, com volumes anuais estimados entre US$ 3 trilhões e US$ 4 trilhões. Esse crescimento explica por que gigantes financeiros disputam espaço nesse segmento, como já analisamos em pagamentos com stablecoins.
Além da Visa, empresas como PayPal e Stripe também avançam em soluções similares, enquanto a BlackRock defende o uso do Ethereum como padrão de liquidação de stablecoins. Para investidores, isso sinaliza uma migração gradual de liquidez e volumes para trilhos on-chain, ainda que o impacto em preços de curto prazo seja limitado.
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Como isso afeta investidores brasileiros?
Para o Brasil, o avanço de stablecoins em pagamentos internacionais é especialmente relevante. Remessas internacionais tradicionais podem custar entre 2% e 6%, enquanto soluções com stablecoins operam abaixo de 1% em muitos corredores, reduzindo atrito para empresas e freelancers.
Além disso, a consolidação institucional tende a aumentar a demanda por stablecoins como USDC e PYUSD, favorecendo ecossistemas blockchain usados para liquidação. Esse movimento ajuda a explicar o interesse crescente em ativos ligados a infraestrutura de pagamentos, como visto em pagamentos via stablecoins no mercado acionário.
Quais são os riscos e limitações?
Apesar do avanço, os pilotos da Visa ainda operam em mercados e clientes limitados, dependendo de aprovação regulatória. Órgãos como o FMI e o BCE alertam que o crescimento acelerado das stablecoins pode gerar riscos para o sistema bancário tradicional.
Nos EUA e na Europa, projetos de lei como o CLARITY Act e o MiCA ainda definirão até onde empresas poderão oferecer rendimento ou incentivos atrelados a stablecoins. Qualquer endurecimento regulatório pode desacelerar a adoção no curto prazo.
No balanço geral, a parceria entre Visa e BVNK não é um catalisador imediato de preços, mas reforça uma narrativa estrutural: stablecoins deixam de ser apenas instrumentos de trading e passam a integrar o núcleo do sistema financeiro global. Para investidores brasileiros, entender essa transição é essencial para avaliar oportunidades de longo prazo em cripto e infraestrutura blockchain.

