Os Treasuries tokenizados cresceram 125% em 12 meses, saltando de US$ 3,95 bilhões para US$ 8,86 bilhões e consolidando-se como o principal segmento de ativos do mundo real (RWA) on-chain. O movimento ocorreu em meio à demanda institucional por rendimento em dólar, enquanto stablecoins somam US$ 307,6 bilhões e funcionam como trilho de liquidez desse mercado. O avanço reforça uma tendência estrutural: grandes bancos e gestoras tratam esses tokens como “caixa programável”, com liquidação 24/7 via smart contracts.
O que são Treasuries tokenizados e por que cresceram tanto?
Treasuries tokenizados representam títulos do Tesouro dos EUA emitidos como tokens em blockchain, permitindo transferências peer-to-peer e uso como colateral em protocolos DeFi. Em termos simples, investidores acessam rendimento em dólar com liquidez contínua, sem depender do horário bancário tradicional.
Segundo dados do setor, o mercado total de RWAs distribuídos alcançou US$ 19,72 bilhões em janeiro, próximo do limiar simbólico de US$ 20 bilhões. Desse total, Treasuries e fundos de mercado monetário respondem por US$ 8,86 bilhões, quase 45% do valor, superando commodities tokenizadas e ações on-chain.
Demanda institucional cria efeito multiplicador no DeFi
O crescimento foi liderado por produtos como o BUIDL, da BlackRock, que ultrapassou US$ 2 bilhões em ativos sob gestão e já distribuiu mais de US$ 100 milhões em dividendos. Em novembro, a Binance passou a aceitar BUIDL como colateral, enquanto a stablecoin USDtb, da Ethena, lastreia cerca de 90% de suas reservas nesses tokens, reforçando o elo entre stablecoins e renda fixa tokenizada.
Para investidores brasileiros, isso importa porque abre acesso indireto a rendimento em dólar via DeFi institucional, com taxas médias entre 4% e 5% ao ano, dependendo do produto. Em um cenário de real volátil, essa alternativa ganha relevância como proteção cambial.
Confira nossas sugestões de Pre-Sales para investir agora
Ethereum lidera, mas concorrência entre blockchains cresce
A infraestrutura desse mercado ainda se concentra no Ethereum, que abriga US$ 12,6 bilhões — 64,5% dos RWAs distribuídos. No entanto, outras redes aceleram: BNB Chain soma US$ 2,02 bilhões, Solana US$ 924 milhões e Stellar US$ 829 milhões, esta última com crescimento de 28% em 30 dias, o mais rápido do grupo.
Essa disputa importa porque define onde a liquidação de stablecoins e ativos tokenizados ocorrerá no longo prazo. BlackRock já expandiu o BUIDL para múltiplas redes, indicando que a estratégia multichain tende a prevalecer.
Quais riscos ainda limitam a expansão?
Apesar do crescimento, a liquidez secundária permanece restrita. Muitos fundos dependem de resgates controlados pelos emissores, e não de books de negociação abertos. Um estudo acadêmico de 2025 apontou volumes de negociação baixos em relação ao market cap, sinalizando que o mercado ainda cresce mais por emissão do que por negociação ativa.
Além disso, questões regulatórias e de custódia seguem no radar. Bancos avançam — como o JPMorgan, que lançou o fundo MONY com aporte inicial de US$ 100 milhões —, mas a adoção em larga escala depende de clareza jurídica, inclusive para investidores fora dos EUA.
No curto prazo, o marco de US$ 20 bilhões é mais simbólico do que determinante. O que realmente importa é se a infraestrutura conseguirá sustentar US$ 50 bilhões ou mais até 2027, como projetam cenários base e otimista do setor. Para o investidor brasileiro, acompanhar esse movimento é essencial para entender como o rendimento em dólar on-chain pode se integrar, de forma gradual e regulada, ao portfólio cripto.

