O cofundador da Fundstrat, Tom Lee, afirmou que o mercado de criptomoedas provavelmente está em um fundo ou muito próximo dele após a recente correção, apesar da continuidade da volatilidade. O comentário veio enquanto o Bitcoin era negociado a US$ 77.357, queda de 1,4% em 24 horas e recuo de 11,8% em sete dias. O movimento ocorre em um cenário macro de maior aversão a risco, marcado por forte rotação de capital para metais preciosos e incertezas políticas nos EUA.
A correção atual se soma a episódios recentes de forte liquidação no Bitcoin, que pressionaram o mercado mesmo sem excesso de alavancagem sistêmica. Para investidores brasileiros, o BTC é negociado perto de R$ 660.209, sensível à estabilidade do dólar frente ao real e ao humor global dos mercados.
O que está por trás da tese de fundo do mercado?
Segundo Lee, os preços caíram mais do que os fundamentos justificariam, já que métricas de rede seguem sólidas. Ele destaca a ausência de alavancagem excessiva e a resiliência da atividade on-chain como sinais de que a pressão vendedora pode estar perto do esgotamento.
No Ethereum, a situação é mais delicada no curto prazo. O ETH é negociado a US$ 2.265, com queda de 3,5% em 24 horas e perda superior a 22% em sete dias. Apesar disso, Lee aponta que endereços ativos e transações seguem elevados, embora parte desse aumento esteja ligada a ataques de “address poisoning”, o que reduz a qualidade do crescimento observado.
Análise técnica: níveis-chave sob observação
Do ponto de vista técnico, o Bitcoin testa um suporte relevante em US$ 87.210, enquanto a resistência imediata está entre US$ 89.241 e US$ 90.000. O RSI diário gira em torno de 34 pontos, indicando condição próxima de sobrevenda, enquanto o MACD permanece negativo, mas com perda de inclinação, sinalizando possível desaceleração da tendência de baixa.
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Analistas técnicos observam a formação de um padrão de cunha descendente, cuja projeção aponta para uma recuperação em direção à faixa de US$ 98.000 a US$ 101.000 se houver rompimento com volume. Esse cenário ganharia força caso a pressão vendedora institucional continue arrefecendo, como já sugerem as recentes saídas de ETFs cripto, que desaceleraram para US$ 278 milhões em janeiro.
Por que metais e política importam para o cripto agora
O pano de fundo macro pesa. Ouro e prata dispararam 37,4% e 106,9% nos últimos meses antes de sofrerem correções bruscas, com o ouro caindo mais de 9% em um único dia. Essa rotação drenou liquidez de ativos de risco, incluindo criptomoedas.
Além disso, a incerteza sobre o Federal Reserve e a agenda política americana aumenta a volatilidade. Historicamente, períodos de transição na liderança do Fed tendem a gerar testes de mercado, o que exige cautela dos traders brasileiros.
Riscos e o contraponto à visão otimista
Apesar da tese de fundo, o risco de novas mínimas não está descartado. O sentimento ainda é frágil, e a fraqueza das altcoins mostra que a recuperação não é ampla. Um rompimento claro abaixo de US$ 87.000 poderia abrir espaço para novas quedas.
Por outro lado, fevereiro historicamente entrega retorno médio de 14,3% para o Bitcoin. Se o padrão se repetir, investidores no Brasil podem ver o BTC/BRL se aproximar da região de R$ 737 mil, mas apenas uma melhora consistente no volume e no fluxo institucional confirmaria esse cenário.
Em síntese, o mercado pode estar próximo de um ponto de inflexão, como sugere Tom Lee, mas o caminho segue dependente do macro e da confirmação técnica. Para o investidor brasileiro, o momento pede disciplina, gestão de risco e atenção redobrada aos níveis-chave.
Projeções técnicas para o Bitcoin em fevereiro mostram viés de recuperação, enquanto estimativas para o BTC/BRL reforçam a sensibilidade ao câmbio. O cenário global de volatilidade também é detalhado em análises recentes sobre a correção simultânea em metais e cripto.

