A Tether anunciou o lançamento da stablecoin USAT, supostamente lastreada em ativos tokenizados, enquanto acelerou compras de ouro físico em 2025. O movimento ocorre com o USDT mantendo market cap próximo de US$ 120 bilhões e volume diário de US$ 60 bilhões, sem reação imediata de preço por se tratar de uma stablecoin. O pano de fundo é a corrida por diversificação de reservas em meio a riscos regulatórios e geopolíticos no setor cripto.
O anúncio surge enquanto o mercado de stablecoins consolida cerca de US$ 170 bilhões em capitalização total, com o USDT representando aproximadamente 70% desse valor. Para investidores brasileiros, a estratégia sinaliza menor dependência exclusiva do dólar e maior proteção contra choques macroeconômicos globais. Em um cenário de inflação anual do real em torno de 4,5%, ativos atrelados ao ouro ganham relevância como hedge.
Além disso, o movimento acontece em um momento de maior escrutínio regulatório internacional, com governos buscando regras mais rígidas para emissores de stablecoins. Isso coloca a Tether em rota de colisão competitiva com alternativas como USDC e novas iniciativas privadas. A empresa parece antecipar esse ambiente ao reforçar ativos tangíveis em seu balanço.
O que é a USAT e por que a Tether está comprando ouro?
A USAT é uma nova stablecoin da Tether que, segundo discussões iniciais, estaria vinculada a ativos tokenizados, ampliando o portfólio além do dólar. Diferente do USDT, que é pareado 1:1 com o dólar, a USAT busca diversificação e pode atrair usuários interessados em proteção de valor. Esse lançamento ocorre em paralelo à expansão do mercado de stablecoins, cada vez mais competitivo.
Em 2025, a Tether comprou 8,3 milhões de onças de ouro, elevando suas reservas para cerca de 50 toneladas. O ouro representa aproximadamente 5% das reservas totais, enquanto cerca de 85% seguem alocados em títulos do Tesouro dos EUA. Para traders, isso reduz o risco de concentração e aumenta a credibilidade do lastro em cenários de estresse financeiro.
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Stablecoins lastreadas em ouro não são novidade, com exemplos como PAXG e XAUT, mas a escala da Tether muda o jogo. A entrada de um emissor dominante nesse segmento pode aumentar liquidez e adoção global. Para brasileiros, isso amplia opções de proteção cambial fora do sistema bancário tradicional.
Tether redefine padrão de reservas no setor
A estratégia pressiona concorrentes como a USDC, da Circle, que mantém market cap de cerca de US$ 35 bilhões, e a PYUSD, do PayPal, com aproximadamente US$ 500 milhões. Ao diversificar, a Tether reduz exposição a sanções e riscos políticos ligados exclusivamente ao dólar. Esse movimento dialoga com debates sobre regulação de stablecoins em diferentes jurisdições.
Do ponto de vista de mercado, a robustez das reservas sustenta a confiança no USDT, que registrou crescimento de 15% na adoção no Brasil em 2025. Exchanges locais como Mercado Bitcoin se beneficiam de maior liquidez e menor risco sistêmico. Isso é especialmente relevante para traders que usam stablecoins como base para operações de curto prazo.
O reforço em ouro também conversa com a narrativa de proteção contra inflação global. Em 2026, o metal precioso tem superado vários ativos de risco, tema explorado em análises sobre compras de ouro institucionais. Para investidores, a Tether sinaliza alinhamento com essa tendência.
Quais são os riscos dessa estratégia?
Apesar da diversificação, persistem questionamentos sobre transparência e auditorias completas das reservas da Tether. Parte do mercado argumenta que a complexidade adicional pode dificultar a verificação independente. Em momentos de estresse, a confiança continua sendo o principal ativo de uma stablecoin.
Além disso, a USAT ainda carece de detalhes técnicos claros sobre governança e liquidez secundária. Sem ampla adoção, o produto pode ter impacto limitado no curto prazo. Traders brasileiros devem acompanhar métricas de supply em exchanges e volumes antes de utilizar o ativo.
Por fim, mudanças regulatórias podem afetar a viabilidade de stablecoins lastreadas em ativos não tradicionais. A diversificação reduz riscos, mas não os elimina. O equilíbrio entre inovação e conformidade seguirá no centro do debate.
Em síntese, o lançamento da USAT e o aumento das reservas em ouro mostram a Tether buscando fortalecer sua posição dominante. Para investidores brasileiros, o movimento amplia opções de proteção e liquidez, mas exige acompanhamento atento de riscos e transparência nos próximos trimestres.
Análises históricas de mercado cripto ajudam a contextualizar movimentos de diversificação, enquanto estudos sobre ouro e macroeconomia reforçam o papel do metal como hedge. O mercado seguirá avaliando se a Tether consegue transformar essa estratégia em vantagem competitiva sustentável.

