SWIFT e a Société Générale–FORGE anunciaram um piloto bem-sucedido de liquidação de títulos tokenizados usando uma stablecoin em euros, conectando sistemas financeiros tradicionais a blockchains públicas. Embora o teste não envolva criptomoedas voláteis, o anúncio ocorre em um momento em que o Bitcoin consolida acima de US$ 90.000, com volume diário de US$ 18 bilhões. O movimento reforça a narrativa de adoção institucional e infraestrutura regulada em meio à crescente tokenização de ativos do mundo real.
A capitalização total do mercado cripto soma US$ 1,65 trilhão, avanço de 2,1% em 7 dias, enquanto stablecoins mantêm oferta estável acima de US$ 135 bilhões. Esse pano de fundo ajuda a explicar por que testes de interoperabilidade ganham relevância para investidores que buscam exposição a projetos ligados a infraestrutura e compliance.
Para investidores brasileiros, o experimento sinaliza um caminho mais curto entre o mercado financeiro tradicional e o ecossistema cripto regulado, com potencial impacto em custos e liquidez.
O que exatamente foi testado e por que importa?
Em termos simples, a SWIFT coordenou a liquidação “delivery versus payment” (DvP) de títulos tokenizados, garantindo que o ativo e o pagamento em stablecoin fossem trocados simultaneamente. A Société Générale–FORGE utilizou a EURCV, uma stablecoin em euros classificada como token de dinheiro eletrônico sob o regime MiCA da União Europeia.
Segundo a SWIFT, foi a primeira demonstração de coordenação completa entre sistemas bancários tradicionais e múltiplas blockchains ao longo de todo o ciclo de vida do título. O ponto-chave é a redução de risco de contraparte e de custos operacionais, estimados em até 80% em transferências transfronteiriças com stablecoins reguladas.
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Esse avanço se conecta diretamente ao crescimento de ativos tokenizados, que já somam mais de US$ 8 bilhões em valor de mercado global.
Instituições empurram stablecoins para o centro do sistema financeiro
A SG‑FORGE já havia emitido o primeiro bond digital nos EUA em novembro de 2025, atrelado ao SOFR, usando a Canton Network. De acordo com a Société Générale, a estratégia é ampliar emissões tokenizadas em diferentes jurisdições.
Para o mercado cripto, isso favorece projetos focados em infraestrutura, custódia e compliance, enquanto reduz espaço para soluções sem clareza regulatória. Stablecoins como EURCV e futuras versões atreladas ao dólar competem diretamente com sistemas tradicionais de liquidação, reforçando a tendência já vista em stablecoins para pagamentos.
No Brasil, onde investidores enfrentam custos elevados em operações internacionais, a adoção institucional de stablecoins reguladas pode, no médio prazo, pressionar bancos e intermediários a reduzir spreads.
Quais são os riscos e limitações desse avanço?
Apesar do progresso, o piloto não elimina desafios técnicos e regulatórios. A interoperabilidade em escala global ainda depende de padrões comuns e da adesão de múltiplas jurisdições, além de testes em ambientes de alta volatilidade.
Há também o risco de concentração: stablecoins emitidas por grandes bancos podem reduzir a diversidade do ecossistema. Para investidores, o recado é separar avanços estruturais — positivos no longo prazo — de impactos imediatos em preços de tokens.
Em síntese, o teste entre SWIFT e Société Générale não moveu preços no curto prazo, mas fortalece a tese de que a tokenização e os pagamentos em stablecoins devem ganhar espaço no sistema financeiro global, criando oportunidades e novos critérios de avaliação para investidores brasileiros.

