Analistas do banco de investimento TD Cowen afirmaram nesta quinta-feira (06) que a Strategy (MSTR) está estruturalmente posicionada para suportar a atual queda do Bitcoin. Apesar das ações da empresa terem recuado cerca de 17% em uma única sessão recente seguindo a correção do mercado, o banco manteve sua recomendação de compra com um preço-alvo ajustado para US$ 440 (cerca de R$ 2.640). A análise reforça que o balanço da empresa, pioneira na adoção corporativa de criptoativos, foi construído justamente para navegar por períodos de alta volatilidade sem comprometer sua solvência.
O que essa análise significa para o mercado?
A postura otimista da TD Cowen surge em um momento crucial, onde investidores questionam a sustentabilidade do modelo de tesouraria da Strategy diante do “inverno cripto” temporário. Segundo os analistas Lance Vitanza e Jonnathan Navarrete, a volatilidade das ações da Strategy é intencional e faz parte do design do negócio. A ação funciona como um ativo de “beta alto”, projetada para oscilar cerca de 1,5 vezes mais que o próprio Bitcoin, tanto para cima quanto para baixo.
Isso significa que, durante correções severas, o impacto no preço das ações é amplificado, mas a estrutura de capital da empresa permanece segura. Para contextuar o impacto contábil dessa volatilidade nos balanços, vale conferir como a Strategy reportou prejuízos contábeis em momentos de baixa anteriormente, sem que isso afetasse sua operação principal. A TD Cowen destaca que a empresa possui uma reserva de caixa de US$ 2,25 bilhões, suficiente para cobrir despesas fixas por quase 17 meses e honrar notas conversíveis resgatáveis até 2027, afastando riscos de liquidação forçada de seus Bitcoins.
Sinais técnicos e projeções de preço
Do ponto de vista fundamentalista, o relatório aponta que a Strategy solidificou sua posição como o principal tesouro corporativo de Bitcoin, criando um “motor de crédito digital” difícil de ser replicado. A confiança do banco se baseia na capacidade da empresa de manter sua tática agressiva: a Strategy segue comprando Bitcoin mesmo durante as quedas, utilizando o fluxo de caixa e emissão de ações para reduzir seu custo médio de aquisição.
A TD Cowen manteve projeções robustas para o ativo subjacente, estimando que o Bitcoin pode alcançar US$ 177.000 (aproximadamente R$ 1,06 milhão) até dezembro de 2026 e US$ 226.000 (R$ 1,35 milhão) até o final de 2027. Esse otimismo de longo prazo reflete uma tendência maior no mercado norte-americano, onde grandes bancos dos EUA aumentam sua adoção e serviços de Bitcoin, validando a tese institucional iniciada pela Strategy.
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Como isso afeta investidores brasileiros?
Para o investidor brasileiro, a análise da TD Cowen serve como um guia importante de gestão de risco em ativos correlacionados. Quem investe em BDRs da Strategy ou diretamente nas ações MSTR na bolsa americana deve estar ciente de que está comprando uma exposição alavancada. Na prática, se o par BTC/BRL recua 10%, a ação da empresa pode sofrer desvalorizações superiores a 15%.
A validação do banco sugere que, para investidores com horizonte acima de 2026, a volatilidade atual pode ser vista como ruído, desde que o investidor suporte os solavancos de curto prazo. O modelo oferece uma forma regulada de capturar a valorização do Bitcoin, mas exige estômago para suportar a volatilidade cambial do dólar somada à oscilação do ativo digital.
Riscos e contrapontos no radar
Apesar do voto de confiança, o cenário não é isento de riscos. O mercado possui ferramentas que apostam contra o modelo de Michael Saylor, como demonstra o fluxo recente de um ETF que aposta contra a Strategy durante quedas do Bitcoin. Além disso, a TD Cowen reduziu ligeiramente o preço-alvo da ação (de US$ 500 para US$ 440) e alertou para a diluição de acionistas devido à emissão contínua de novos papéis para financiar compras de BTC. O “yield de Bitcoin” por ação deve cair para 7,1% em 2026, um dado que exige atenção dos investidores focados em métricas de valor por ação.

