O ex-CEO da FTX, Sam Bankman-Fried (SBF), voltou às manchetes nesta semana, mas não pelos motivos que a indústria gostaria. Cumprindo sua sentença de 25 anos de prisão, SBF utilizou as redes sociais para declarar apoio público ao Clarity Act, uma legislação abrangente que visa regular o mercado de criptomoedas nos Estados Unidos. A manifestação gerou uma rejeição imediata e bipartidária em Washington, unindo democratas e republicanos contra a “ajuda” do executivo condenado.
A reação foi liderada pela senadora republicana Cynthia Lummis e ecoada por figuras democratas como Elizabeth Warren. O consenso político é claro: o endosso de SBF é tóxico para qualquer pauta regulatória. Em um momento onde o mercado, incluindo o Bitcoin (atualmente na faixa de R$ 560.000), busca legitimidade institucional, a associação com o maior escândalo de fraude da história recente do setor é vista como um obstáculo, e não um avanço, para a clareza legislativa.
O que está por trás dessa movimentação?
Em termos simples, a intervenção de SBF é uma tentativa desesperada de relevância política vinda de dentro da prisão. O executivo, que antes de sua queda era um dos maiores doadores de campanha nos EUA, parece estar tentando alinhar sua retórica com a atual administração presidencial na esperança de obter um perdão — algo que a Casa Branca já sinalizou não ter planos de conceder.
O projeto em questão, o Clarity Act, é fundamental porque busca definir as fronteiras de jurisdição entre a SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) e a CFTC (Comissão de Negociação de Futuros de Commodities). No entanto, o histórico joga contra: em 2022, o apoio vocal de SBF ao projeto DCCPA acabou contaminando a proposta após o colapso da FTX. Agora, legisladores temem que o mesmo ocorra. Para entender melhor o contexto técnico dessa disputa legislativa, vale ler nossa análise sobre como o Clarity Act disputa a regulação de rendimentos de stablecoins.
Além disso, o cenário regulatório mudou drasticamente desde a prisão de SBF. Com novas nomeações e uma postura diferente das agências, como visto quando um ex-executivo da Chainlink assumiu cargo estratégico na SEC, o setor tenta se distanciar das personalidades polêmicas do ciclo anterior para focar em estruturas técnicas sólidas.
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Quais são os dados e fundamentos destacados?
A rejeição ao apoio de SBF não foi apenas retórica; ela aponta para riscos concretos na tramitação da lei. Segundo reportagens e declarações diretas nas redes sociais, os principais pontos de atrito são:
- Reação da Senadora Lummis: A republicana foi enfática ao declarar: “Não precisamos — nem queremos — o seu apoio”. Ela ressaltou que uma legislação mais rigorosa, como a que ela propõe hoje, teria resultado em uma pena ainda maior para SBF.
- A estratégia de SBF: O ex-CEO alegou na plataforma X que o Clarity Act seria uma conquista para a administração Trump e tentou se posicionar como um mártir que lutou contra Gary Gensler, presidente da SEC.
- Status legislativo: O projeto já passou pela Câmara (House) durante o verão, mas enfrenta barreiras no Senado. O apoio de um condenado por fraude financeira — sentenciado a 25 anos de prisão — fornece munição para os opositores do setor cripto rotularem o projeto como favorável a criminosos.
- Histórico negativo: Conforme lembrado por analistas políticos, a última vez que SBF apoiou fortemente um projeto (o DCCPA), ele acabou prejudicando as chances de aprovação da lei ao associá-la à sua marca pouco antes da falência da FTX.
Isso sugere que, politicamente, o endosso de SBF funciona como um “ativo tóxico”. Em vez de somar votos, ele obriga os defensores da lei a gastarem capital político se defendendo da associação com ele.
Como isso afeta o investidor brasileiro?
Você pode se perguntar por que a opinião de um presidiário nos EUA importa para seus investimentos no Brasil. A resposta está na correlação regulatória. O Brasil, através da CVM e do Banco Central, observa atentamente os movimentos dos EUA para calibrar sua própria regulação infralegal da Lei 14.478 (Marco Legal das Criptomoedas).
Se o Clarity Act for engavetado por causa dessa polêmica, a incerteza jurídica nos EUA continua. Isso afeta diretamente a entrada de capital institucional global, o que pressiona os preços de ativos como Bitcoin e Ethereum. Para o investidor local, atrasos na regulação americana costumam se traduzir em períodos prolongados de lateralização ou volatilidade, sem o fluxo de capital necessário para novas máximas históricas consistentes. É essencial entender o panorama macro, revisando os eventos cruciais para o mercado cripto em 2026, que incluem essas definições legislativas.
Riscos e o que observar
O maior risco agora é a polarização. Se opositores das criptomoedas usarem o nome de SBF para atacar o projeto de lei, podemos ver um retrocesso nas negociações. O investidor deve monitorar se outros legisladores influentes começarão a se distanciar publicamente do texto para evitar a “mancha” do ex-CEO.
Por outro lado, o setor continua otimista com outras frentes. Líderes da indústria mantêm a pressão por regras claras, independentemente do ruído gerado por SBF. Recentemente, discutimos como o CEO da Ripple vê grandes chances de aprovação de leis cripto, mostrando que o mercado tenta seguir adiante apesar dos fantasmas do passado.
A tentativa de Sam Bankman-Fried de influenciar a política cripto de dentro da prisão gerou um efeito rebote imediato, unindo democratas e republicanos na rejeição ao seu apoio. Para o mercado, isso representa um risco político que pode atrasar a tão aguardada clareza regulatória nos EUA. O investidor deve ficar atento às próximas votações no Senado, pois elas definirão se o projeto sobrevive à associação tóxica com o fundador da FTX.

