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Queda

Robinhood despenca 10% após desaceleração no trading de criptomoedas

Robinhood
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A corretora norte-americana Robinhood (HOOD) viu suas ações despencarem mais de 10% após divulgar resultados que decepcionaram Wall Street, impulsionados principalmente por uma forte desaceleração no volume de trading de criptomoedas. A empresa reportou receitas de US$ 1,28 bilhão, ficando abaixo da expectativa de US$ 1,35 bilhão dos analistas. O movimento reflete diretamente o desânimo momentâneo do investidor de varejo nos EUA diante da ação de preço lateral do Bitcoin e das principais altcoins.

Para o investidor brasileiro, o sinal de alerta é claro. Com as ações da Robinhood servindo como um “termômetro” do apetite de risco do varejo global, a queda sinaliza que o dinheiro novo está entrando no mercado de forma mais lenta do que o previsto neste início de 2026. Em reais, a desvalorização impacta a leitura de fluxo de capital, sugerindo que, sem o impulso do varejo norte-americano, a volatilidade pode aumentar nos pares locais de negociação.

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O que está por trás da queda da Robinhood?

A queda abrupta nas ações da Robinhood não é um evento isolado, mas um reflexo da estrutura de receita da empresa, que se tornou altamente dependente do mercado de ativos digitais. Segundo analistas da Bernstein, a receita de negociação de cripto é “inerentemente irregular e mais difícil de prever” do que a corretagem tradicional. Com o esfriamento do entusiasmo dos investidores na virada para 2026, a semana ruim para o mercado cripto derrubou não apenas preços de ativos, mas também as receitas baseadas em taxas de transação.

Patricia Yamamoto, analista sênior da Westbridge Research Partners, aponta que estamos vendo uma “maturação do cenário de negociação de varejo”. O frenesi da era pandêmica, onde o volume explodia a qualquer tweet, deu lugar a um mercado mais cauteloso. Essa normalização afeta diretamente a linha de fundo da Robinhood, que lucra com o spread e o fluxo de ordens.

Dados técnicos e impacto nos resultados

Mergulhando nos números, a situação revela nuances importantes. Apesar da receita total ter ficado abaixo do esperado, a Robinhood conseguiu superar as expectativas de lucro por ação (EPS), entregando 66 centavos contra a previsão de 63 centavos. Isso sugere, segundo dados do Morningstar, uma disciplina de custos rigorosa, mesmo com as despesas operacionais projetadas para subir cerca de 18% em 2026 devido a aquisições como a da Bitstamp.

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Outro ponto de atenção é a desconexão entre o varejo e o institucional. Enquanto os volumes da Robinhood caem, refletindo a apatia do pequeno trader, os fluxos maiores contam outra história. Recentemente, vimos que ETFs de Bitcoin registraram saídas e prejuízos, o que, somado aos dados da corretora, pinta um quadro de cautela generalizada no curto prazo. No entanto, um destaque positivo foi o mercado de previsões (prediction markets), que dobrou de volume no quarto trimestre, indicando que o apetite especulativo está migrando de criptoativos puros para contratos de eventos.

Como isso afeta investidores brasileiros?

Para quem opera do Brasil, os resultados da Robinhood funcionam como um indicador antecedente. A falta de euforia no varejo dos EUA tende a reduzir a liquidez global, dificultando movimentos explosivos de alta no curto prazo para o Bitcoin e altcoins. É um momento que exige cautela e menos alavancagem.

Apesar do cenário morno, analistas ainda veem potencial de recuperação. A leitura macro sugere que o mercado pode estar próximo de um piso local. O analista Tom Lee já sinalizou sobre o fundo do mercado cripto, indicando que períodos de baixa atividade no varejo costumam preceder novos ciclos de acumulação institucional, algo que o investidor brasileiro deve monitorar de perto.

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Riscos e contrapontos no radar

Nem tudo são más notícias. O foco do CEO Vlad Tenev na tokenização de ativos do mercado privado para 2026 pode abrir novas avenidas de receita que não dependem apenas da volatilidade do Bitcoin. Além disso, a concentração de ganhos em altcoins específicas mostra que, mesmo em mercados mais lentos, existem oportunidades pontuais para quem faz uma boa seleção de ativos.

Contudo, a volatilidade das ações da HOOD, que oscilaram entre US$ 29 e US$ 153 no último ano, serve de alerta para a instabilidade do setor. A Winvesta alerta que essa “irregularidade” nas receitas deve persistir até que o mercado cripto encontre uma tendência de alta sustentável novamente.

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