Stablecoins, e não o XRP, devem se tornar a base da liquidação financeira global, segundo declarou a presidente da Ripple, Monica Long, em publicações recentes. A fala ocorre enquanto o XRP é negociado a US$ 0,62, com queda de 1,8% nas últimas 24h e volume diário de US$ 1,4 bilhão. O comentário adiciona tensão a um mercado já marcado pela rápida institucionalização das stablecoins e por mudanças regulatórias relevantes no Brasil.
Stablecoins assumem papel central na infraestrutura financeira
Segundo Long, stablecoins lastreadas em moedas fiduciárias estão deixando o campo experimental para se tornarem parte do “sistema operacional” do sistema financeiro. Hoje, o mercado de stablecoins já supera US$ 300 bilhões em valor de mercado, com USDT e USDC respondendo por mais de 85% desse total. Isso importa porque tokens estáveis permitem liquidação quase instantânea e previsibilidade de preço, algo essencial para empresas e bancos.
Instituições como Visa e Stripe já integraram stablecoins aos seus fluxos de pagamento, especialmente em transações B2B. Na prática, isso reduz custos de câmbio e libera capital de giro em tempo real. Iniciativas como a liquidação com stablecoins testada pela SWIFT mostram que o setor tradicional está reagindo rapidamente.
O que isso significa para o XRP?
A declaração gerou reação imediata na comunidade do XRP, que historicamente vê o token como um ativo de liquidação internacional. No on-chain, porém, os dados mostram uma dinâmica mais complexa: baleias acumularam cerca de 340 milhões de XRP entre setembro e novembro de 2025, enquanto o saldo em exchanges caiu para 1,6 bilhão de tokens, mínima em sete anos. Menor oferta em corretoras costuma reduzir pressão vendedora, mas não garante alta de preço.
No gráfico diário, o XRP consolida entre o suporte em US$ 0,58 e a resistência em US$ 0,68. O RSI em 44 indica momentum neutro a levemente baixista, enquanto o MACD segue negativo, sugerindo falta de força compradora no curto prazo. Para traders brasileiros, o rompimento de US$ 0,68 seria o primeiro sinal técnico de reversão.
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Institucionalização avança apesar do ruído
Apesar do debate, a demanda institucional por produtos ligados ao XRP cresceu. ETFs baseados no token já acumulam US$ 1,3 bilhão em entradas até janeiro de 2026, segundo dados de mercado, reforçando que investidores profissionais ainda enxergam valor no ecossistema. Além disso, a Ripple segue apostando em sua própria stablecoin, como mostra a integração da stablecoin RLUSD da Ripple a plataformas institucionais.
O pano de fundo é regulatório. No Brasil, o Banco Central vai exigir que pagamentos com stablecoins sigam regras completas de câmbio a partir de fevereiro de 2026. De acordo com Sumsub, isso inclui identificação de carteiras e limites operacionais, afetando diretamente empresas e investidores locais.
Risco e leitura para investidores brasileiros
O risco central é confundir adoção de stablecoins com obsolescência do XRP. Um contra-argumento relevante é que stablecoins precisam de pontes de liquidez entre diferentes moedas, espaço onde ativos neutros ainda podem ser úteis. Por outro lado, a narrativa mostra que preço de token não é mais o principal termômetro de sucesso institucional.
Para o investidor brasileiro, o recado é claro: stablecoins ganham protagonismo operacional, enquanto o XRP permanece como aposta mais tática, sensível a fluxo institucional e níveis técnicos. Acompanhar regulação local, métricas on-chain e suportes-chave será decisivo para navegar esse novo estágio do mercado.

