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Ripple expande stablecoin RLUSD na Coreia do Sul com listagem na Coinone

Ripple expande stablecoin RLUSD na Coreia do Sul com listagem na Coinone
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Ripple anunciou em 1º de abril de 2026 que sua stablecoin RLUSD está agora disponível na Coinone, uma das maiores exchanges reguladas da Coreia do Sul, com suporte direto ao par em won coreano (KRW) a um preço de referência de 1.486 KRW por unidade – equivalente a aproximadamente R$ 4,40 na cotação atual. A capitalização de mercado do RLUSD já supera US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 7,5 bilhões), sinalizando adoção crescente em mercados globais regulados.

A pergunta que domina as mesas de operação é clara: a entrada na Coreia do Sul representa a consolidação do RLUSD como alternativa regulada ao USDT nos mercados asiáticos – ou a listagem em uma única exchange local é insuficiente para romper a dominância das stablecoins já estabelecidas no país?

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Contexto do mercado

A corrida global por stablecoins reguladas entrou em uma nova fase em 2025 e 2026, com emissores buscando acesso a mercados onde a conformidade legal é pré-requisito, não diferencial. Na Ásia, o movimento é particularmente intenso: além da Ripple, outras iniciativas como a parceria entre o banco sul-coreano KB Kookmin Card e a rede Avalanche para pagamentos tokenizados indicam que o continente não é mais um mercado secundário para ativos digitais regulados – é um campo de batalha estratégico. Singapura, Japão e Coreia do Sul disputam protagonismo regulatório, cada um com abordagens distintas para licenciamento de exchanges e emissão de moedas digitais.

A Coreia do Sul, especificamente, apresenta um perfil singular: um dos maiores volumes per capita de negociação de criptoativos do mundo, dominado por plataformas locais como Upbit, Bithumb e a própria Coinone. O país implementou a Lei de Ativos Digitais Básicos (Digital Asset Basic Act), que exige registro e conformidade operacional das exchanges, e debate ativamente um marco para stablecoins atreladas ao won. Como analisamos anteriormente no CriptoFácil sobre o mercado de exchanges sul-coreanas, a receita da Upbit caiu no último trimestre em meio à desaceleração do trading cripto no país, o que torna a entrada de novos produtos diferenciados – como uma stablecoin em dólar com zero taxa de negociação – potencialmente atrativa para recuperar volume.

Como analisamos anteriormente no CriptoFácil sobre o primeiro trimestre da Ripple, a empresa encerrou o Q1 de 2026 com receita triplicada e avaliação de US$ 50 bilhões, mesmo com o XRP registrando queda de 23,7% no período. Esse contraste entre a saúde operacional da empresa e a pressão sobre o preço do token é o pano de fundo exato que torna a expansão geográfica do RLUSD uma peça estratégica central – a Ripple precisa demonstrar que seu ecossistema cresce independentemente da volatilidade do XRP.

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Em termos simples, imagine

Imagine que o Mercado Pago – já consolidado no Brasil – decide lançar uma conta digital no Nordeste, região onde operava apenas de forma limitada. Ele não chega sozinho: firma parceria com a maior rede de supermercados local, que passa a aceitar e exibir o serviço na frente de caixa de todas as lojas. A “listagem” é exatamente isso: não é só disponibilizar o produto, é colocá-lo onde o fluxo de clientes já existe, com a credibilidade do parceiro local validando a novidade.

Nessa analogia, a Coinone é a rede de supermercados sul-coreana – um canal com base de usuários estabelecida e licença regulatória reconhecida pelo governo. O RLUSD é o novo serviço financeiro que chega com proposta diferenciada: lastro 100% em ativos líquidos, paridade com o dólar americano, e zero taxa de negociação como oferta de entrada. A “listagem” significa que qualquer trader coreano pode comprar RLUSD diretamente com won, sem precisar converter para outra criptomoeda antes.

No contexto cripto, isso equivale a criar um novo trilho de liquidez dolarizada dentro de um mercado que antes só acessava stablecoins americanas via plataformas globais – e agora pode fazê-lo dentro do ambiente regulado local.

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Quais são os dados e fundamentos destacados?

  • ‘A Capitalização do RLUSD’ – O RLUSD atingiu market cap superior a US$ 1,3 bilhão (aproximadamente R$ 7,5 bilhões na cotação atual), desde seu lançamento em dezembro de 2024 após aprovação do New York Department of Financial Services (NYDFS). O crescimento em menos de 18 meses posiciona o RLUSD entre as stablecoins de crescimento mais rápido do segmento regulado, ainda distante do USDT (US$ 145 bilhões) mas competitivo com entrantes institucionais recentes.
  • ‘O Preço de Referência na Coinone’ – A Coinone fixou o preço de referência inicial do RLUSD em 1.486 KRW, compatível com a paridade 1:1 com o dólar americano. A exchange anunciou política de zero taxa de negociação para RLUSD, excluindo transações automatizadas ou integradas por terceiros – uma estratégia de aquisição de liquidez que reduz a barreira de entrada para market makers locais.
  • ‘O Lastro e a Transparência’ – O RLUSD é lastreado por depósitos em caixa, títulos do Tesouro americano e fundos do mercado monetário governamental, com atestações mensais publicadas pela firma de auditoria Withum. Esse modelo de reserva plena distingue o RLUSD de stablecoins que operam com reservas fracionadas ou menos transparentes.
  • ‘A Parceria com a Convera’ – Em 31 de março de 2026, a Ripple anunciou parceria com a Convera, empresa de pagamentos corporativos com presença em 200 países, 140 moedas e US$ 170 bilhões em volume anual de pagamentos. A integração amplia diretamente os casos de uso do RLUSD para liquidações internacionais de escala empresarial.
  • ‘O Footprint Global Anterior’ – Antes da Coreia do Sul, o RLUSD já havia sido listado na Bitso (América Latina) e na Archax (Europa) no início de 2025, além de operar nativamente no XRP Ledger. A listagem na Coinone é a primeira entrada confirmada no mercado asiático de varejo regulado.
  • ‘O XRP como Contexto’ – O XRP é negociado atualmente a cerca de US$ 1,34 (aproximadamente R$ 7,77), com queda acumulada de 23,7% no Q1 de 2026. O desempenho do token como ativo especulativo contrasta com a expansão operacional da Ripple, criando uma separação estrutural entre o valor da empresa e o preço do criptoativo.

Em síntese, esses dados revelam uma empresa que executa sua estratégia de infraestrutura de pagamentos com consistência – independentemente do ciclo de preços do XRP – e que posiciona o RLUSD não como um produto cripto especulativo, mas como um trilho financeiro institucional com ambição geográfica clara.

O que muda na estrutura do mercado?

A listagem na Coinone cria um novo pool de liquidez dolarizada dentro de um ambiente regulado, o que tem implicações imediatas para a estrutura de preços do RLUSD no mercado asiático. Traders e market makers coreanos passam a ter acesso direto a uma stablecoin regulada pelo NYDFS sem precisar roteá-la por exchanges internacionais – o que reduz spreads, cria oportunidades de arbitragem com outros pares de RLUSD globais e, potencialmente, melhora a profundidade de livro de ordens para liquidações cross-border via XRP Ledger.

Do ponto de vista competitivo, a entrada do RLUSD no mercado coreano pressiona diretamente o USDT e o USDC, que dominam o volume de stablecoins nas exchanges locais. A vantagem diferencial do RLUSD nesse contexto é dupla: zero taxa de negociação como política de lançamento e a narrativa de conformidade regulatória total – um fator de peso crescente em um país que debateu ativamente restrições a stablecoins estrangeiras não registradas. Para o XRP, o efeito é indireto mas relevante: quanto mais liquidez o RLUSD acumular no XRP Ledger, maior o volume de transações que utiliza a rede, o que historicamente tem correlação positiva com a demanda pelo token como ativo de bridge em pagamentos institucionais.

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Estrategicamente, a Ripple está construindo o que pode ser descrito como um mapa de acesso regulatório – cada listagem em uma exchange local não é um evento isolado, mas um nó em uma rede de liquidez global. A parceria com a Convera (200 países, US$ 170 bilhões em volume anual) e a colaboração com a Autoridade Monetária de Singapura (MAS) no Projeto BLOOM para interoperabilidade de ativos tokenizados completam o quadro: a Ripple está construindo infraestrutura, não apenas distribuição.

Como analisamos anteriormente no CriptoFácil sobre a adoção institucional do XRP e a expansão do ecossistema Ripple, o Clarity Act e iniciativas regulatórias americanas abriram comportas para o posicionamento institucional no XRP – e a expansão do RLUSD em mercados regulados como a Coreia do Sul reforça exatamente esse posicionamento de longo prazo.

Como isso afeta o investidor brasileiro?

Efeito BRL: Para você, investidor brasileiro, a expansão do RLUSD na Coreia do Sul tem um efeito indireto mas mensurável. Com o dólar negociado ao redor de R$ 5,78, stablecoins lastreadas em USD como o RLUSD funcionam como um hedge cambial acessível para quem opera em exchanges globais. Quanto maior a liquidez e a profundidade de mercado do RLUSD em múltiplas jurisdições, menor tende a ser o spread entre o preço da stablecoin e o valor de resgate – o que beneficia quem usa stablecoins para movimentar recursos entre exchanges antes de converter em reais.

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Acesso prático: No Brasil, você pode acessar o ecossistema da Ripple via XRP, disponível em plataformas como Mercado Bitcoin, Foxbit e Binance Brasil. O RLUSD em si ainda não está listado diretamente em exchanges brasileiras reguladas, mas pode ser acessado via plataformas internacionais com suporte ao XRP Ledger. Atenção ao spread: em plataformas locais, o par XRP/BRL pode ter liquidez inferior ao par XRP/USDT em exchanges globais, o que impacta o preço final de execução.

Obrigações fiscais: Toda operação com criptoativos no Brasil está sujeita à Lei 14.754/2023 e à Instrução Normativa 1.888 da Receita Federal. Ganhos em alienações de até R$ 35.000 mensais são isentos de imposto de renda; acima desse limite, aplicam-se alíquotas progressivas de 15% a 22,5% sobre o ganho de capital. O pagamento deve ser feito via DARF até o último dia útil do mês seguinte ao da operação. Operações com stablecoins e conversões entre criptoativos são eventos tributáveis – recomenda-se consultar um contador especializado em ativos digitais para estruturar corretamente seu controle de ganhos e obrigações acessórias.

Riscos e o que observar

  • ‘O Volume Silencioso’ – Uma listagem não garante liquidez real. O mercado coreano tem forte preferência por ativos nativos e pares em KRW consolidados; o RLUSD pode enfrentar semanas ou meses de volume baixo antes de atrair market makers locais suficientes. A política de zero taxa é um incentivo, mas sozinha não substitui a demanda orgânica por uma stablecoin em dólar em um mercado onde o won tem historicamente baixa volatilidade frente ao USD.
  • ‘O Risco Regulatório Coreano’ – A Lei de Ativos Digitais Básicos da Coreia do Sul ainda está em processo de regulamentação secundária, e o debate sobre stablecoins estrangeiras permanece aberto. Uma eventual exigência de registro local para emissores de stablecoins – semelhante ao que o Japão implementou – poderia criar barreiras operacionais para o RLUSD, independentemente de sua conformidade com o NYDFS.
  • ‘A Canibalização Interna’ – À medida que o RLUSD ganha adoção como instrumento de liquidez e pagamentos, parte dos casos de uso que historicamente justificavam a demanda por XRP como ativo de bridge pode migrar para a stablecoin. Esse é o dilema estrutural que a Ripple precisa gerenciar: o crescimento do RLUSD pode pressionar a narrativa de utilidade do XRP, especialmente em um momento em que o token já opera 23,7% abaixo do início do ano.
  • ‘O Arrasto do Bitcoin’ – Em cenários de aversão a risco global – queda do Bitcoin, tensão geopolítica, aperto monetário nos EUA – o XRP e os ativos do ecossistema Ripple tendem a ser arrastados independentemente dos fundamentos operacionais da empresa. A expansão na Coreia do Sul pode ser ofuscada por um macro desfavorável que comprime toda a liquidez cripto, incluindo a demanda por stablecoins alternativas ao USDT.

O gatilho mais importante a monitorar nas próximas semanas é o volume diário de negociação do RLUSD na Coinone: se nos primeiros 30 dias de operação o par RLUSD/KRW atingir volume consistente acima de US$ 5 milhões diários, será o sinal concreto de que a liquidez local está sendo construída de forma orgânica – e que outras exchanges coreanas como Upbit e Bithumb podem acelerar listagens similares. O cenário é binário: se o volume crescer e a regulação local se mostrar favorável, o RLUSD pode rapidamente se tornar a stablecoin regulada de referência na Ásia; caso contrário, a listagem corre o risco de ser mais um marco geográfico no press release do que uma adição real de profundidade de mercado. Até lá, paciência é o único ativo que não desvaloriza.

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