Os volumes de pagamentos em stablecoins na Revolut dispararam 156% em 2025, segundo dados divulgados pela própria fintech e reportados pelo Cointelegraph. Embora a empresa não revele valores absolutos, o crescimento acompanha a expansão do mercado global de stablecoins, hoje avaliado em cerca de US$ 300 bilhões. O movimento ocorre em um momento de maior clareza regulatória nos EUA e de adoção acelerada de stablecoins para remessas e pagamentos internacionais.
O avanço chama atenção porque fintechs vêm ganhando espaço em áreas tradicionalmente dominadas por bancos, pressionando custos e prazos de liquidação. Para investidores brasileiros, o dado reforça a consolidação das stablecoins como infraestrutura financeira, especialmente em transferências internacionais e proteção contra volatilidade cambial.
No mercado cripto mais amplo, stablecoins como USDT e USDC seguem mantendo paridade próxima de US$ 1, com volatilidade intradiária inferior a 0,1% em 2025, característica essencial para sua função como meio de pagamento.
O que explica o salto de 156% nos pagamentos?
Stablecoins são criptomoedas lastreadas em ativos estáveis, geralmente o dólar, e servem como ponte entre o sistema financeiro tradicional e o blockchain. No caso da Revolut, usuários utilizam tokens como USDT e USDC para pagar serviços, fazer transferências internacionais e movimentar recursos entre plataformas.
Segundo o Cointelegraph, a alta reflete uma tendência mais ampla: stablecoins já respondem por cerca de 71% das transferências transfronteiriças na América Latina. Isso reduz custos e acelera liquidações, algo particularmente relevante para brasileiros que enviam ou recebem recursos do exterior.
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Esse crescimento dialoga com projeções de longo prazo. Estudos indicam que pagamentos com stablecoins podem atingir dezenas de trilhões de dólares até 2030, colocando fintechs como a Revolut no centro dessa transformação.
Stablecoins ganham escala institucional
Em 2025, o USDC liderou o volume global transacionado, com cerca de US$ 18,3 trilhões, enquanto o USDT movimentou aproximadamente US$ 13,3 trilhões, segundo dados compilados pelo Cryptonews. Juntas, as duas stablecoins concentram cerca de 80% de participação de mercado.
A adoção institucional também acelera. Empresas como MoneyGram e Western Union anunciaram projetos baseados em blockchain, incluindo iniciativas em redes como Solana, voltadas para pagamentos e remessas. Esse movimento aumenta a liquidez e fortalece o papel das stablecoins como infraestrutura financeira, e não apenas instrumentos de trading.
No Brasil, o impacto é direto: mais liquidez em stablecoins tende a reduzir spreads em exchanges locais e ampliar alternativas para quem busca dolarização digital sem exposição direta à volatilidade de ativos como Bitcoin ou Ethereum.
Quais são os riscos e limites desse crescimento?
Apesar do avanço, o setor não está livre de riscos. Questões regulatórias seguem no radar, especialmente fora dos EUA, onde regras ainda variam bastante. Mudanças abruptas podem afetar emissores e plataformas que dependem dessas moedas.
Além disso, a concentração em poucos emissores levanta debates sobre descentralização e risco sistêmico, tema recorrente no debate sobre stablecoins. Para investidores, o crescimento é positivo, mas não elimina a necessidade de avaliar contrapartes e transparência das reservas.
No conjunto, o salto de 156% nos pagamentos em stablecoins na Revolut sinaliza maturidade crescente do setor. Para investidores brasileiros, a mensagem é clara: stablecoins deixaram de ser apenas instrumentos de liquidez em exchanges e se consolidam como peças-chave da nova infraestrutura financeira global.

