PwC decidiu ampliar sua atuação no mercado cripto após uma mudança clara no ambiente regulatório dos Estados Unidos. A avaliação foi feita pelo CEO Paul Griggs, que destacou avanços legislativos e novas lideranças em órgãos federais como fatores centrais para a guinada.
Segundo Griggs, a chegada de novos reguladores e a aprovação do GENIUS Act, acompanhada do avanço nas regras para stablecoins, criaram um cenário mais previsível. Essa combinação, afirma, finalmente deu espaço para que grandes empresas voltassem a olhar o setor com menos desconfiança e mais estratégia.
“Essas mudanças dão convicção para avançar nesse produto e nessa classe de ativos”, disse Griggs ao Financial Times. Ele acrescentou que a tokenização deve continuar ganhando força e que a PwC “precisa estar dentro desse ecossistema” para atender clientes globais.
Regulação mais clara reacende apetite corporativo
A PwC integra o grupo das “Big Four”, que reúne as quatro maiores empresas de auditoria e serviços profissionais do mundo. Com receitas globais de US$ 56,9 bilhões, a companhia vinha adotando postura cautelosa após anos de incertezas regulatórias e episódios que abalaram a confiança no setor.
Agora, porém, o movimento é de expansão. Griggs disse que a empresa aumentou equipes, formou especialistas e reforçou estruturas operacionais para absorver a crescente demanda por serviços ligados a ativos digitais.
A PwC oferece desde consultoria regulatória e auditoria até suporte em cibersegurança, gestão de carteiras, governança e integração de tokens em processos corporativos. A base de clientes inclui exchanges, bancos tradicionais que estudam entrar no setor, governos, reguladores e bancos centrais.
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“Não vamos entrar em um negócio para o qual não estamos preparados para entregar”, afirmou o CEO. Ele explicou que, nos últimos 10 a 12 meses, a empresa acelerou contratações e ampliou sua capacidade para atender à procura por soluções envolvendo ativos digitais.
Big Four agora competem também no universo cripto
O interesse não é exclusivo da PwC. As outras gigantes globais também avançam no setor. A Deloitte oferece consultoria em blockchain e mantém alianças com empresas como Ava Labs, Bitwave e Chainalysis. A Ernst & Young (EY) incluiu estratégia cripto e suporte tributário em seu portfólio, enquanto a KPMG reforçou auditorias especializadas, serviços de segurança digital e uma rede consultiva para ativos digitais.
O avanço simultâneo das Big Four reforça um sinal claro: o setor cripto deixou de ser visto como uma aposta especulativa e passou a ocupar espaço estratégico nas transformações tecnológicas e financeiras.
Com reguladores dos EUA criando regras mais estáveis para stablecoins, custódia e tokenização, empresas como a PwC entendem que o risco institucional diminuiu — e as oportunidades cresceram.
No curto prazo, especialistas esperam aumento na demanda por auditorias especializadas, mapeamento de riscos e integração de infraestruturas blockchain. No longo prazo, a disputa deve girar em torno de quem consegue oferecer serviços mais completos em um mercado que só tende a se sofisticar.

