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Ondo Finance estreia na Binance Alpha e expande acesso a títulos dos EUA tokenizados

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A Ondo Finance, líder no setor de ativos do mundo real (RWA), oficializou nesta semana a integração da Ondo Global Markets à plataforma Binance Alpha. A iniciativa libera o acesso a 10 produtos tokenizados que espelham o desempenho de ações e ETFs dos Estados Unidos, como Apple, Tesla e Nvidia, diretamente na infraestrutura da maior exchange do mundo em volume. Com um valor total bloqueado (TVL) que já supera os US$ 560 milhões (aproximadamente R$ 3,2 bilhões na cotação atual), o movimento marca uma nova tentativa institucional de derrubar as barreiras entre o mercado de capitais tradicional e o ecossistema cripto.

O que está por trás dessa movimentação?

Em termos simples, a Binance Alpha funciona como um ambiente de pré-mercado e experimentação dentro da Binance Wallet, operando de forma segregada das negociações spot tradicionais da corretora. Ao utilizar essa plataforma, o usuário não está comprando a ação da Apple custodiada na Nasdaq em seu nome direto, mas sim um token (como o AAPLon) que rastreia fielmente o preço do ativo real.

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A Ondo Global Markets utiliza liquidez de exchanges centralizadas para garantir que esses tokens possam ser negociados on-chain com eficiência. O objetivo é permitir que o investidor tenha exposição a ativos globais 24 horas por dia, sem depender do horário comercial das bolsas de valores tradicionais. Essa estratégia de infraestrutura segue uma tendência clara de adoção institucional, similar ao movimento recente onde a Wintermute lançou negociação de ouro tokenizado, reforçando a tese de que o “dinheiro inteligente” está construindo pontes definitivas para trazer ativos off-chain para dentro da blockchain.

Quais são os dados e fundamentos destacados?

O lançamento chega respaldado por números robustos que servem como um teste de liquidez para o setor de RWA em 2026. A integração visa capturar parte da base de 150 milhões de usuários da exchange, oferecendo uma alternativa descentralizada para operações clássicas.

  • Produtos listados: A estreia conta com 10 ativos tokenizados de alta demanda, incluindo AAPLon (Apple), TSLAon (Tesla), NVDAon (Nvidia) e QQQon (exposição ao índice Nasdaq 100).
  • Volume e Liquidez: Antes mesmo desta integração, a Ondo Finance já registrava um TVL superior a US$ 560 milhões (R$ 3,2 bilhões) e um volume acumulado de negociação ultrapassando US$ 10 bilhões (cerca de R$ 57 bilhões), consolidando sua liderança no nicho.
  • Incentivos comerciais: A plataforma opera inicialmente com 0% de taxas de negociação (com isenção temporária de taxas de gás) e introduz os “Binance Alpha Points”, recompensas que podem ser convertidas em airdrops futuros para atrair liquidez inicial.
  • Enquadramento Regulatório: Os tokens são classificados como “Structured Products” sob a supervisão da autoridade financeira de Abu Dhabi (FSRA), o que restringe o acesso a usuários fora dos EUA para evitar conflitos com a SEC.

Esse fluxo de capital para protocolos de tokenização reflete uma sofisticação do mercado, comparável ao momento em que a BlackRock expandiu sua atuação em DeFi ao adquirir tokens de governança, sinalizando confiança na infraestrutura subjacente. Conforme reportado por fontes do setor, analistas veem essa listagem como o benchmark definitivo para saber se o varejo cripto vai abraçar ações tokenizadas em massa.

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Como isso afeta o investidor brasileiro?

Para o investidor brasileiro, essa novidade abre uma via alternativa para dolarizar a carteira e acessar o mercado americano sem a necessidade de abrir conta em corretoras internacionais tradicionais bancárias. Como as restrições da oferta focam em residentes dos EUA, usuários brasileiros da Binance com acesso à Alpha Wallet podem, em tese, negociar esses ativos imediatamente.

No entanto, a tributação exige atenção redobrada. Diferente da venda de ações no exterior via corretoras tradicionais (que podem ter regras específicas de compensação), a venda de tokens RWA como o NVDAon tende a ser enquadrada na regra geral de criptoativos no exterior (Lei 14.754/2023). Isso significa uma alíquota de 15% sobre os lucros, sem a antiga isenção para vendas de pequeno valor que existia para cripto antes da nova legislação.

Além disso, é uma ferramenta que combina o risco da variação cambial (Dólar/Real) com a volatilidade do ativo base. Em um cenário onde gestoras como a Grayscale estão protocolando novos produtos DeFi, o investidor local deve ver a tokenização como uma facilidade operacional, mas não isenta de riscos jurídicos e fiscais no Brasil. O posicionamento ideal envolve cautela no tamanho da exposição até que a liquidez da ferramenta se prove estável.

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Riscos e o que observar

O principal ponto de atenção é o risco regulatório global. Vale lembrar que, em 2021, a Binance descontinuou um serviço similar de ações tokenizadas após pressão de reguladores na Europa e Ásia. Embora a estrutura atual via Ondo e regulação de Abu Dhabi seja mais robusta, o setor de valores mobiliários sintéticos permanece na mira das autoridades.

Outro fator crítico é a liquidez segmentada. A Binance Alpha é um ambiente separado; se a adesão não for massiva, investidores podem enfrentar dificuldades para sair de posições grandes sem impactar o preço (slippage). Assim como os recentes ETFs de SUI nos EUA trouxeram debates sobre staking, os tokens da Ondo trazem o risco de contraparte da custódia dos ativos reais.

Investidores devem monitorar o volume diário de negociação dos tokens líderes, como NVDAon, nas próximas semanas. Uma queda abrupta após o fim dos incentivos de taxas zero pode sinalizar que o produto não tem demanda orgânica real.

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A parceria entre Binance e Ondo não é apenas um novo produto, mas um teste de estresse para a aceitação de RWAs no varejo global. O sucesso da empreitada dependerá da capacidade da plataforma em manter a liquidez sem atrair sanções de reguladores fora dos Emirados Árabes. As próximas semanas definirão se essa é a nova norma para o mercado ou apenas um experimento de nicho.

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