A Ondo Finance anunciou em 21 de janeiro a expansão do Ondo Global Markets para a Solana, adicionando mais de 200 ações e ETFs dos EUA tokenizados à rede. Apesar do anúncio, o token ONDO mostrou reação contida, operando em US$ 1,02, com alta de 0,8% em 24h e queda de 3,4% na semana. O movimento ocorre em meio à consolidação do setor de ativos do mundo real (RWA), que ganha tração institucional mesmo com volatilidade no mercado cripto.
Nos últimos sete dias, o volume negociado do ONDO somou cerca de US$ 180 milhões, abaixo da média de dezembro, sinalizando postura de cautela dos traders. Ainda assim, o pano de fundo é de crescimento estrutural do RWA, especialmente em blockchains com foco institucional como a Solana.
Para investidores brasileiros, a notícia amplia o leque de exposição a mercados tradicionais via blockchain, com negociação 24/7 e liquidez on-chain, algo ainda pouco acessível no sistema financeiro local.
O que muda com a chegada da Ondo à Solana?
Na prática, a Ondo passa a oferecer na Solana acesso tokenizado a ações e ETFs listados nos EUA, usando infraestrutura regulada após a aquisição da Oasis Pro em 2025. Segundo BanklessTimes, a empresa já concentra cerca de 65% do market share de RWAs na Solana, com US$ 248 milhões em TVL específico da rede.
Esse avanço se soma a um TVL total entre US$ 1,8 bilhão e US$ 2,0 bilhões da Ondo em todas as redes, reforçando sua posição como líder em ativos tokenizados. Em outras blockchains, a empresa já acumula mais de US$ 350 milhões em ações tokenizadas e volume histórico de US$ 2 bilhões.
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Para a Solana, o movimento fortalece o ecossistema de RWAs, que chegou perto de US$ 1 bilhão em dezembro de 2025, atraindo emissores institucionais e fundos tradicionais.
Demanda institucional sustenta narrativa de RWAs
O timing da expansão não é aleatório. A Solana registrou cerca de US$ 800 milhões em influxos ligados a ETFs até o início de 2026, segundo AInvest, sinalizando apetite institucional pela rede. Isso cria um ambiente favorável para produtos como ações tokenizadas e fundos on-chain.
Além da Ondo, iniciativas como o fundo SWEEP da State Street em parceria com a Galaxy, com seed de US$ 200 milhões, também escolheram a Solana, reforçando a tese de infraestrutura institucional. Para o investidor brasileiro, isso reduz risco de contraparte e aumenta a previsibilidade regulatória desses produtos.
O ONDO, porém, ainda não refletiu esse crescimento no preço. Tecnicamente, o token enfrenta resistência em US$ 1,08, enquanto o suporte imediato está em US$ 0,95.
Preço do ONDO: consolidação ou atraso do mercado?
No gráfico diário, o RSI do ONDO está em 47 pontos, indicando ausência de sobrecompra ou sobrevenda. O MACD segue próximo da linha zero, com histograma levemente negativo, reforçando o cenário de consolidação após o rali do final de 2025.
A média móvel de 50 dias passa em US$ 1,05, atuando como resistência dinâmica. Um rompimento com volume acima de US$ 300 milhões/dia pode abrir espaço para teste de US$ 1,20, enquanto perda do suporte em US$ 0,95 aumentaria o risco de queda até US$ 0,88.
Esse comportamento sugere que o mercado ainda precifica a Ondo mais como infraestrutura de longo prazo do que como trade de curto prazo.
Riscos e limites da tese RWA
Apesar do crescimento, a tokenização de ações ainda enfrenta desafios regulatórios e de liquidez secundária. Mudanças na postura de reguladores dos EUA podem afetar diretamente a operação da Ondo, mesmo com licenças já obtidas.
Além disso, o desempenho do ONDO depende da adoção real desses ativos, não apenas de anúncios. Se o uso on-chain não acompanhar o aumento de oferta, o impacto no token pode continuar limitado.
Em síntese, a expansão da Ondo para a Solana reforça a narrativa estrutural de RWAs e amplia o acesso de investidores brasileiros a ações tokenizadas. No curto prazo, o ONDO consolida; no longo, o sucesso dependerá da capacidade de converter interesse institucional em volume e TVL sustentáveis.

