O mercado de memecoins atingiu um pico histórico de US$ 150,6 bilhões em dezembro de 2024, impulsionado por forte especulação política e novos lançamentos, mas perdeu mais da metade do valor ao longo de 2025, segundo relatório da CoinGecko. Em janeiro de 2026, o setor ensaiou uma recuperação, com a capitalização subindo 23% em uma semana, para US$ 47,9 bilhões. O movimento ocorre em meio a um cenário de menor apetite ao risco e rotação de capital para ativos com fundamentos mais claros.
Os dados mostram que, apesar da alta pontual, o mercado segue longe do auge, com volumes e interesse em tendência de queda desde o início de 2025. Para investidores brasileiros, o dado reforça a necessidade de diferenciar ralis técnicos de mudanças estruturais no setor.
A trajetória recente das memecoins reflete um ciclo clássico de excesso, correção e tentativas de estabilização, semelhante ao observado em 2021, mas em escala maior.
O que explica a queda forte das memecoins em 2025?
De forma simples, o setor cresceu rápido demais. Após o pico de US$ 150,6 bilhões, a capitalização total despencou para US$ 47,2 bilhões em novembro de 2025, uma queda superior a 68%, de acordo com a CoinGecko.
Lançamentos controversos, como os tokens TRUMP e LIBRA, minaram a confiança do mercado. O TRUMP acumula queda de 94% desde a máxima, enquanto o MELANIA caiu cerca de 99%, segundo o Financial Times.
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Além disso, a dominância das memecoins dentro do mercado de altcoins caiu de 11% em novembro de 2024 para apenas 3,2% em dezembro de 2025, sinalizando perda de relevância relativa.
Dogecoin mantém liderança apesar da fragmentação
Mesmo com o enfraquecimento do setor, o Dogecoin (DOGE) segue como a maior memecoin, respondendo por 47,3% do market cap total. Isso mostra resiliência, especialmente após sua participação ter caído para 27,3% em outubro de 2024.
Em termos de liquidez, DOGE, SHIB e PEPE continuam liderando. O PEPE chegou a registrar volumes diários de até US$ 1,7 bilhão em 2025, enquanto DOGE e PEPE mantiveram médias acima de US$ 500 milhões e US$ 760 milhões, respectivamente.
Para traders brasileiros, liquidez é crucial: ativos com alto volume permitem entradas e saídas mais eficientes, reduzindo o risco operacional.
Recuperação recente é sinal de reversão ou alívio?
Na primeira semana de 2026, os volumes diários do setor variaram entre US$ 2,17 bilhões e US$ 8,23 bilhões, acompanhando a alta de 23% no market cap, segundo dados da HODL FM.
Apesar do repique, indicadores de interesse seguem fracos. A demanda global por memecoins caiu 81,6% ao longo de 2025, sugerindo que a alta recente pode ser apenas um movimento técnico de curto prazo.
Esse cenário reforça alertas já discutidos em análises sobre manipulação de memecoins e movimentos especulativos.
Quais os riscos para investidores brasileiros?
Memecoins continuam sendo ativos de altíssimo risco, com forte dependência de narrativa e liquidez. Métricas on-chain, como concentração de supply em poucas carteiras e picos súbitos de volume, seguem indicando vulnerabilidade a manipulações.
Além disso, a maior parte dos projetos ainda carece de utilidade real e geração de valor sustentável. Isso explica por que, mesmo com a capitalização de memecoins reagindo pontualmente, o interesse estrutural não acompanha.
Para o investidor brasileiro, a leitura é clara: sem gestão de risco rigorosa, stops bem definidos e alocação limitada, a volatilidade do setor pode rapidamente corroer ganhos.
Em síntese, o relatório da CoinGecko mostra que as memecoins já provaram seu poder de atrair capital, mas ainda não demonstraram capacidade de sustentar valor no longo prazo. O próximo movimento relevante dependerá menos de hype e mais de liquidez, confiança e condições macro globais.

