Enquanto o presidente do Banco Central do Brasil, Ilan Goldfajn se mostra cético e arredio ao Bitcoin e outras criptomoedas, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, parece ter uma visão diferente do assunto, tanto que, enquanto no congresso nacional os deputados discutem o “status” das criptos no Brasil, o governador paulista, irá utilizar contratos inteligentes (smart contracts), baseado no Blockchain da Ethereum para financiar projetos de iluminação pública para os municípios do Estado, segundo o site oficial do Governo do Estado.
A proposta faz parte do projeto “Ilumina SP”, lançado em maio deste ano, e prevê a criação de PPP (Parceria Público Privada) na área de iluminação pública (que é de responsabilidade dos municípios) com o objetivo de melhorar a qualidade do serviço, reduzir custos com manutenção e o consumo de energia, além de gerar emprego, renda e aumento da receita de municípios.
Como parte deste projeto, o Governo do Estado, assinou, esta semana, um protocolo de intenções com a startup norte-americana CG/LA Infrastructure para elaboração dos estudos técnicos, jurídicos e financeiros para melhorar a eficiência na iluminação pública nas cidades que forem selecionadas para esta primeira fase de testes.
“Sabemos que existem muitas demandas de PPP em iluminação. Mas fazer PPP não é fácil: requer um conjunto de estudos, de engenharia, tecnologia e principalmente como adaptar os postes atuais e a eletrificação para um sistema de smart city”, comentou Karla Bertocco, subsecretária de parcerias e inovação.
“Uma grande preocupação do Estado de São Paulo é que as diferentes cidades que implementarem a PPP façam com a mesma linguagem ou com linguagem compatíveis. Porque quando se tem esse conceito de cidades inteligentes, que inclui além de energia, o wifi e também sistema de monitoramento por câmera, se cada um fizer de uma maneira, acabamos perdendo uma oportunidade de ter uma informação integrada e com isso melhorar os serviços públicos, inclusive do Estado, como a segurança pública e gestão de congestionamento”, explicou.
O Projeto
Para esta primeira fase, serão escolhidos municípios acima de 100 mil habitantes que estejam aptos a receber apoio para os estudos. Essas cidades servirão de referência para uma espécie de cartilha de como fazer parceria com a iniciativa privada na área de iluminação (serão investidos até U$ 1 milhão na contratação de serviços técnicos locais nos municípios para identificar necessidades de infraestrutura e de padronização de documentos licitatórios, todo investimento será pago pela CG/LA). Em 90 dias serão anunciados os municípios escolhidos e um plano de trabalho para a confecção dos modelos de iluminação pública. A conclusão deverá durar de seis a oito meses.
A grande novidade é que o projeto será financiado em parte de solução em blockchain e criptomoedas. “Esse protocolo prevê que em 90 dias a gente possa elaborar um modelo de projeto que possa ser financiável em moedas virtuais então, por meio da CG/LA, eles vão fazer os diversos estudo técnicos de engenharia, jurídicos e financeiros e aqueles que fizerem os estudos vão começar a receber uma parte em reais e uma parte em moedas virtuais“, relatou Karla Bertocco.
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BuildCoin
A criptomoeda que o Governo irá usar nesta proposta de PPP, será a BuildCoin que está na fase de desenvolvimento e vai ser lançada somente em junho de 2018. A moeda, que utiliza um contrato inteligente na Blockchain da Ethereum, busca criar um ativo digital específico para a área de infraestrutura, daí o nome da moeda. Está sendo desenvolvida pela BuildCoin Foundation, entidade sem fins lucrativos ainda a ser estabelecida na Suíça que pretende captar em 2018 aproximadamente USD 59,4 milhões, via ICO, para as atividades de desenvolvimento das soluções, financiamento de obras e construção de um meio de pagamento para o setor.
Questões em aberto
O Governo do Estado não deu mais detalhes sobre o projeto, como, por exemplo, se os usuários poderão pagar suas contas de Luz também usando a criptomoeda ou se ela também poderá ser usada para financiar outras PPP estaduais, e nem como o governo irá garantir que o dinheiro utilizado, via BuildCoin, não tenha origem em atividades ilegais como lavagem de dinheiro e corrupção, afinal, este é o grande argumento que tem sido usado pelos governos e reguladores com relação ao mundo cripto.
Outro ponto em aberto, tem a ver com o status das criptomoedas no Brasil que ainda aguardam regulamentação junto ao Congresso Nacional e sansão presidencial, assim, é difícil prever como, juridicamente, um Estado possa aceitar, como forma de pagamento e/ou recebimento, ativos comerciais não regulamentados juridicamente, e sem lastro no Banco Central do Brasil.
Também, ainda resta dúvidas em como o Governo pretende lidar com a variação cambial do Token, dado que, no mundo cripto, a volatilidade dos preços são enormes, além do que, particularmente no caso de Tokens, não há, até o momento Exchange no Brasil que faça a negociação no par Token/Real, acarretando um grande ágio nos preços (qual cotação será usada?). Isso sem contar em como será o monitoramento do ICO da BuidCoin, dado que ela será ‘reconhecida’ pelo Estado, seria necessário uma ‘auditoria’, para saber, exatamente se o projeto condiz com seu Paper para garantir a integridade dos Tokens.
No campo jurídico, fica em aberto, como, em caso de conflito envolvendo a criptomoeda, uma wallet oficial hackeada por exemplo, como a lei nacional, que ainda não tem legislação específica para moedas ou ativos digitais, irá lidar com o assunto, isso sem contar aspectos da Lei 8.666, a lei de licitações, que podem ser evocados pela preferência do Governo a um Token que, se for usado apenas para a questão monetária (pagamento e/ou recebimento) não tem nenhum diferencial que justifique uma inegibilidade da escolha.
Essas, além de outras perguntas estão em aberto, no entanto, a proposta do Governo do Estado de São Paulo, pode significar uma mudança de paradigma na relação nacional cripto/estado e coloca mais “caroço” no “angu” do debate cripto brasileiro, que ao mesmo tempo que tem posições favoráveis ao mundo cripto (Ministério do Planejamento, Febrabam e outros – estudado soluções em Blockchain, principalmente Ripple e Ethereum), do outro, tem seus detratores e “boicotadores” com os Bancos estatais que tem bloqueado, sem aviso, contas de Exchanges e P2Ps. Talvez entre os extremismos que vem pela frente na eleição de 2018, alguns bites e hashs entrem no horário eleitoral gratuito.
Aqui você pode conferir o podcast oficial do Governo do Estado sobre o assunto:
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Pingback: Governo do Estado de São Paulo adota Criptomoeda para financiar projeto Ilumina SP - AB2L
Geraldo Alkimim 2018 pra Presidente.Assim o Brasil Anda pra Frente. Cryptomoeda é moeda corrente. Adeus banco com caixa explodido, bandido só rouba papel moeda. Se quiser roubar o cidadão comum no futuro terá que virar hacker. Alias com cryptomoeda você não precisa nem sair de casa pra sacar seu dinheiro.
Calma
Sem fanatismos
Lembre se q td q o estado faz da merda
Realmente coisa pública ainda não é levada a serio no Brasil.Mas eu só vou votar em quem não transforme em crime uma solução tecnologica. E a comunidade de cryptomoedas tem que ter no minimo 40 representantes no congresso e mais uns 25 no senado em Brasilia. Infelizmente video de piada tem 1 bilhão de acesso. Video que mexe com teu bolso, com sua melhora de condição de vida tem 1000, 2000 e olhe lá. Esse é o tamanho da ignorância financeira do brasileiro. Parabéns a este canal e inúmeros outros que estão abrindo os olhos desses poucos.
As cryptomoedas que tem rastro são as One, até o presente momento são as unicas que conheço. as demais até presente momento não consegui ver este dispositivo de rastro.
ICO brasileira? Nossa, que legal! Espero que aos poucos isso seja mais explorado.
Essas Criptomoedas serão rastreáveis?
Xiiii….. Acharam uma forma mais eficiente de roubar!!!
Duvido.
Muito difícil disso acontecer.
Governo não tem know how pra isso.
Por isso querem criminalizar, pq não podem controlar.