A exchange de criptomoedas Gemini anunciou o fechamento de suas operações no Reino Unido, União Europeia e Austrália, junto com um corte de cerca de 25% de seus funcionários. O movimento ocorre em um momento de mercado frágil, com o Bitcoin caindo 9,07% frente ao real em 24h, negociado a R$364.921, e acumulando queda de 26% em 30 dias no par BTC/BRL. O pano de fundo é um setor pressionado por custos elevados, regulação mais dura e menor apetite institucional no início de 2026.
Em dólares, o BTC oscila próximo de US$71.000, nível que representa uma queda de 44% em relação ao pico histórico de US$126.000, atingido em 2025. Esse enfraquecimento reduz volumes e margens das exchanges, aumentando a necessidade de cortes operacionais. Para investidores brasileiros, o anúncio reforça a importância de avaliar risco de contraparte ao manter saldos em plataformas globais.
O que mudou na estratégia da Gemini?
Na prática, a Gemini vai encerrar contas nesses mercados até 6 de abril, colocando usuários em modo “saque apenas” a partir de 5 de março. A empresa justificou a decisão pela baixa demanda regional e pela complexidade operacional que elevava custos, especialmente em regiões sob cerco regulatório no Reino Unido e sob regras mais rígidas como o MiCA na União Europeia.
Com a saída, a exchange passa a concentrar esforços no mercado americano e em produtos de maior margem, como mercados de previsão. Em dezembro, a empresa obteve licença da CFTC para esse segmento e já acumula mais de 10.000 usuários e US$24 milhões em volume negociado. Para efeito de comparação, esse volume ainda é pequeno frente ao mercado spot de cripto, mas cresce em um nicho visto como estratégico.
Impactos para o mercado e para investidores brasileiros
A decisão da Gemini ocorre em um ambiente de pressão sobre grandes exchanges, com usuários migrando para plataformas locais ou globais mais consolidadas. No Brasil, corretoras como Mercado Bitcoin seguem ativas no par BTC/BRL, oferecendo alternativa para quem busca reduzir risco regulatório internacional.
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Do ponto de vista de mercado, a saída reduz competição em regiões fora dos EUA, o que pode concentrar liquidez em poucas exchanges. Em um momento em que ETFs spot de Bitcoin registraram saídas líquidas de US$278 milhões em janeiro de 2026, após entradas de US$3,48 bilhões em novembro de 2025, a retração institucional pesa sobre preços e volumes.
Quais são os riscos e contrapesos dessa decisão?
O argumento central da Gemini é eficiência: menos mercados, estrutura mais enxuta e uso de inteligência artificial para reduzir custos. O risco é perder relevância global em um setor onde escala e liquidez são vantagens competitivas claras, especialmente frente a concorrentes que mantêm presença internacional ampla.
Para investidores brasileiros, o episódio reforça a necessidade de diversificação de plataformas e atenção ao ambiente regulatório. Em um cenário de BTC abaixo das médias móveis de 50 e 200 dias, com RSI diário em torno de 38 pontos — indicando fraqueza, mas não sobrevenda extrema —, a solidez operacional das exchanges se torna tão relevante quanto a análise de preço.
O recuo da Gemini sinaliza um setor em ajuste fino após anos de expansão agressiva. A consolidação pode fortalecer players mais eficientes, mas também aumenta a importância de gestão de risco para traders e investidores no Brasil.

