A Galaxy Digital, liderada por Mike Novogratz, reportedly planeja lançar um hedge fund cripto de US$ 100 milhões no primeiro trimestre de 2026, segundo o Financial Times. A notícia chega após semanas de consolidação do Bitcoin acima de US$ 90.000, com variação de -6,8% nos últimos 7 dias e volume médio diário em torno de US$ 53 bilhões. O movimento reforça a narrativa de retorno gradual do capital institucional em meio à maior sofisticação de produtos financeiros ligados a cripto.
O fundo terá até 30% de alocação direta em tokens e o restante em ações do setor financeiro, buscando lucrar tanto com altas quanto com quedas. Isso importa porque estratégias long/short tendem a aumentar liquidez e eficiência de preço, reduzindo distorções comuns em períodos de volatilidade. Para o investidor brasileiro, maior presença institucional costuma significar spreads menores e mais correlação com mercados globais.
O anúncio ocorre enquanto ETFs de Bitcoin nos EUA voltam a registrar entradas líquidas semanais acima de US$ 450 milhões, sinalizando retomada de apetite por risco. Ao mesmo tempo, métricas on-chain mostram queda de 1,8% no supply de BTC em exchanges nos últimos 30 dias, indicando menor pressão vendedora estrutural. Esse pano de fundo ajuda a explicar por que gestores voltam a montar estruturas ativas em cripto.
O que está por trás do novo hedge fund da Galaxy?
Na prática, a Galaxy quer explorar ineficiências entre criptoativos e ações de serviços financeiros, como bancos, fintechs e empresas de pagamento. A empresa administra cerca de US$ 17 bilhões em ativos digitais e reportou lucro de US$ 505 milhões no terceiro trimestre de 2025, segundo o FT. Isso dá escala e credibilidade para operar estratégias mais complexas.
O fundo deve ser financiado por family offices, investidores de alta renda e instituições, um perfil semelhante ao observado em outros fundos cripto institucionais. Para o mercado, isso importa porque capital paciente tende a reduzir movimentos extremos de curto prazo. Para traders, significa um ambiente mais técnico, onde indicadores como RSI e MACD ganham peso.
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Instituições voltam ao jogo em meio à retomada do capital de risco
O lançamento do fundo coincide com a recuperação do venture capital em cripto, que levantou entre US$ 4,8 bilhões e US$ 4,9 bilhões no primeiro trimestre de 2025, alta superior a 50% trimestral, segundo dados da FastBull. Foram 446 deals fechados, sinalizando que o ecossistema voltou a atrair capital.
Esse fluxo se conecta a outras iniciativas, como o avanço de carteiras cripto institucionais e produtos tokenizados. Para o investidor brasileiro, isso aumenta a correlação do mercado local com Wall Street e exige atenção a dados macro, como juros americanos e fluxo de ETFs.
Em termos de market cap, o Bitcoin segue em torno de US$ 830 bilhões, muito à frente de Ethereum, perto de US$ 420 bilhões. Esse desequilíbrio explica por que fundos tendem a usar BTC como âncora de liquidez, enquanto buscam alfa em altcoins e ações correlatas.
Quais são os riscos dessa estratégia?
Apesar do sinal positivo, hedge funds também podem amplificar movimentos de curto prazo, especialmente em eventos macro inesperados. Uma reversão nos fluxos de ETFs ou alta abrupta dos juros pode pressionar preços e levar a liquidações rápidas. Além disso, até 70% do fundo estará exposto a ações tradicionais, o que dilui a tese puramente cripto.
Para o investidor brasileiro, o recado é claro: maior institucionalização reduz riscos estruturais, mas não elimina volatilidade. Monitorar níveis-chave, como resistência do Bitcoin em US$ 45.000 e suporte em US$ 40.000, continua essencial. O fundo da Galaxy reforça a maturidade do mercado, mas disciplina de risco segue sendo o principal diferencial.

