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eToro compra Zengo por US$ 70 milhões e acelela corrida por autocustódia cripto

eToro compra Zengo por US$ 70 milhões e acelela corrida por autocustódia cripto
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A eToro, plataforma de trading social com mais de 35 milhões de usuários ativos em mais de 140 países, anunciou a aquisição da ZenGo – startup israelense de carteiras cripto baseada em computação multipartidária (MPC) – por US$ 70 milhões (aproximadamente R$ 420 milhões), em um movimento que sinaliza a maior reconfiguração estratégica da empresa desde o lançamento de sua exchange de criptoativos em 2018. A ZenGo, fundada também em 2018 e apoiada por investidores como Insight Partners e Mangrove Capital, havia levantado mais de US$ 46 milhões (aproximadamente R$ 276 milhões) em rodadas anteriores e se diferenciou no mercado ao eliminar a necessidade de seed phrases – o calcanhar de Aquiles da autocustódia para o usuário comum – por meio de autenticação em três fatores combinada com recuperação biométrica. A aquisição coloca a eToro diretamente no centro de uma das disputas mais relevantes da infraestrutura cripto em 2025: quem vai controlar a camada de custódia no próximo ciclo de adoção em massa.

A pergunta que domina as mesas de operação é clara: a compra da ZenGo sinaliza uma mudança estrutural permanente no modelo de custódia das exchanges globais – ou é uma aposta tática de uma plataforma de trading que quer se proteger de regulação crescente e do fantasma de outro colapso estilo FTX?

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O que explica essa movimentação?

Em termos simples, imagine que o Itaú decidisse, em vez de contratar um serviço terceirizado de cofres para guardar os títulos dos seus clientes, construir sua própria infraestrutura de custódia interna – com tecnologia proprietária, chaves controladas diretamente pelo correntista e recuperação de acesso sem depender de nenhum intermediário. É exatamente isso que a eToro está fazendo ao comprar a ZenGo: internalizar a camada de custódia para oferecer ao usuário final o controle direto sobre seus ativos digitais, sem abandonar a interface familiar de uma plataforma de trading centralizada.

O contexto que torna esse movimento racional é o colapso da FTX em novembro de 2022. O evento destruiu a confiança na custódia delegada a exchanges e gerou uma demanda reprimida por soluções de autocustódia que ainda não foi plenamente atendida pelo mercado. A ZenGo foi uma das grandes beneficiárias desse movimento: sua carteira keyless, baseada em MPC, cresceu em adesão justamente porque eliminava o principal ponto de fricção da autocustódia tradicional – a necessidade de guardar uma seed phrase de 12 ou 24 palavras sem jamais perdê-la ou expô-la.

Há ainda uma camada regulatória que explica o timing. Em setembro de 2024, a eToro fechou um acordo com a SEC nos Estados Unidos, pagando US$ 1,5 milhão (aproximadamente R$ 9 milhões) para encerrar uma investigação sobre a operação de uma corretora não registrada de ativos cripto classificados como valores mobiliários. O acordo limitou os usuários norte-americanos da plataforma a apenas três ativos – Bitcoin, Bitcoin Cash e Ether – e comprometeu a eToro a liquidar posições não conformes até março de 2025. Ao priorizar a autocustódia, a plataforma reduz sua exposição ao risco de custódia regulatória e se reposiciona como infraestrutura, não como custodiante.

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Como analisamos anteriormente no CriptoFácil ao discutir o movimento de Citadel e Fidelity na infraestrutura cripto de Wall Street, grandes players estão cada vez mais competindo pela propriedade das camadas de infraestrutura – e não apenas pelos fluxos de negociação. A aquisição da ZenGo segue exatamente essa lógica: quem detém o stack de custódia detém o relacionamento de longo prazo com o usuário.

O que os dados revelam?

  • VALOR DO DEAL – ‘O Preço da Confiança’: A eToro pagou US$ 70 milhões (aproximadamente R$ 420 milhões) pela ZenGo, representando um múltiplo conservador sobre os US$ 46 milhões (aproximadamente R$ 276 milhões) captados pela startup ao longo de sua existência. O prêmio de aquisição implícito é relativamente modesto para o setor, sugerindo que a eToro negociou a partir de uma posição de força – ou que a ZenGo estava disposta a trocar independência por distribuição em escala.
  • TECNOLOGIA MPC – ‘A Carteira Sem Talão’: A ZenGo pioneirizou a aplicação de computação multipartidária (MPC) em carteiras de varejo, fragmentando as chaves privadas entre o dispositivo do usuário e os servidores da empresa de forma que nenhuma das partes sozinha tem acesso aos fundos. A recuperação de acesso é feita via autenticação biométrica e e-mail criptografado, sem seed phrase. Para o usuário brasileiro médio – acostumado a perder acesso a carteiras por esquecer ou expor senhas – esse modelo é estruturalmente superior ao modelo tradicional de hardware wallets.
  • BASE DE USUÁRIOS DA eToro – ‘A Rede de Distribuição’: Com 35 milhões de usuários cadastrados globalmente, a eToro tem capacidade de distribuição que nenhuma wallet standalone consegue replicar organicamente. A ZenGo, com centenas de milhares de usuários ativos, recebe acesso imediato a uma base potencial dezenas de vezes maior – o que explica a lógica do deal mesmo com um valuation relativamente baixo.
  • PREDIÇÃO DO CEO – ‘O Teto de R$ 1,5 Milhão’: Yoni Assia, CEO da eToro, declarou publicamente que o Bitcoin pode atingir US$ 250.000 (aproximadamente R$ 1,5 milhão) no ciclo atual, vinculando diretamente a aquisição à tese de expansão em ativos tokenizados, mercados de predição e produtos de yield. A autocustódia via ZenGo seria o trilho técnico sobre o qual esses novos produtos serão lançados.
  • CONTEXTO RWA – ‘A Ponte para o Mundo Real’: A combinação da rede de distribuição da eToro com a tecnologia não-custodial da ZenGo cria infraestrutura para onboarding em ativos do mundo real tokenizados (RWAs) – imóveis fracionados, recebíveis, títulos públicos na blockchain. É o mesmo vetor estratégico perseguido por BlackRock, Franklin Templeton e outros gestores tradicionais que estão migrando produtos para redes públicas.
  • REGULAÇÃO MICA – ‘O Relógio Europeu’: A eToro, com operações significativas na Europa, terá de integrar a ZenGo dentro dos parâmetros do MiCA – o regulamento europeu de mercados de criptoativos que entrou em vigor pleno em dezembro de 2024. O MiCA exige segregação de ativos de clientes, o que torna a autocustódia um diferencial de compliance, não apenas de produto.

Em conjunto, os dados pintam um quadro de uma empresa que está usando uma janela de valuation comprimido no mercado de wallets para adquirir tecnologia de ponta em custódia – e posicionar essa tecnologia como espinha dorsal de uma estratégia de expansão em DeFi, RWAs e produtos financeiros onchain antes que o próximo ciclo de adoção institucional feche essas oportunidades.

A aquisição sinaliza mudança estrutural ou proteção tática?

Cenário otimista: A eToro integra a tecnologia MPC da ZenGo ao seu aplicativo até o segundo semestre de 2026, lança produtos de autocustódia para seus 35 milhões de usuários, e se torna a primeira plataforma de trading social com infraestrutura de custódia própria em escala. A adoção de RWAs tokenizados na plataforma cresce acima de US$ 500 milhões (aproximadamente R$ 3 bilhões) em volume gerenciado até o final de 2027, e a eToro consolida uma vantagem competitiva sustentável frente a Coinbase, Kraken e plataformas de hardware wallet como Ledger e Trezor. A aprovação de um IPO da eToro – que já estava em discussão antes do deal – se torna mais atrativa com o novo ativo tecnológico no balanço.

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Cenário base: A integração leva mais tempo do que o esperado – tipicamente 18 a 36 meses para deals dessa natureza em fintech – e a ZenGo opera como produto separado dentro do ecossistema eToro até meados de 2027. A base de usuários transferidos para a carteira autocustodial fica abaixo de 10% do total nos primeiros dois anos, mas a eToro captura valor estratégico ao usar o deal como argumento regulatório junto à SEC e à ESMA. O preço de US$ 70 milhões (aproximadamente R$ 420 milhões) se mostra razoável em retrospecto, mas o upside para o negócio principal fica aquém das projeções do CEO.

Cenário bearish: A integração técnica entre os sistemas centralizados da eToro e a arquitetura MPC da ZenGo se mostra mais complexa do que antecipado, resultando em atrasos e custos extras. A tecnologia MPC começa a ser replicada por concorrentes de código aberto – incluindo iniciativas de Coinbase e Fireblocks – antes que a eToro consiga monetizar o investimento. O deal se torna um ativo estratégico subaproveitado, e os US$ 70 milhões (aproximadamente R$ 420 milhões) são amortizados sem geração de receita incremental proporcional ao investimento.

O invalidador do bear case é simples: se a eToro conseguir migrar pelo menos 5 milhões de usuários para a carteira integrada até o final de 2026 e lançar pelo menos um produto de yield ou RWA com autocustódia nativa, o deal terá provado seu valor antes mesmo do breakeven financeiro formal.

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O que muda na estrutura do mercado?

Efeito de primeira ordem: A aquisição da ZenGo pela eToro comprime imediatamente o espaço de mercado para wallets standalone de médio porte. Startups que oferecem soluções MPC similares – como Zengo era até ontem – passam a competir contra uma plataforma com 35 milhões de usuários e capacidade de subsidiar a carteira como produto de entrada. O mercado de wallets independentes, que sobreviveu como alternativa às exchanges custodiais, agora enfrenta a perspectiva de exchanges que oferecem autocustódia integrada – eliminando o argumento central de plataformas como MetaMask e Trust Wallet no segmento de varejo.

Efeito de segunda ordem: Coinbase, Kraken, Binance e outras exchanges líderes serão pressionadas a responder com suas próprias soluções de autocustódia integrada – seja por aquisição (seguindo o modelo eToro/ZenGo), seja por desenvolvimento interno. Como analisamos anteriormente no CriptoFácil ao discutir o investimento da Coinbase em infraestrutura cripto via x402 Foundation, a corrida pela propriedade das camadas de infraestrutura já estava em curso – e a eToro acaba de elevar o custo de entrada. Fabricantes de hardware wallets como Ledger e Trezor perdem um pouco de seu apelo como única solução viável de autocustódia para o usuário de varejo.

Efeito de terceira ordem: No longo prazo, a consolidação da autocustódia dentro de plataformas de trading muda fundamentalmente a pergunta que o regulador faz à indústria. Em vez de ‘quem é o custodiante dos ativos do cliente?’, a pergunta passa a ser ‘qual é o modelo de recuperação de acesso em caso de morte ou incapacidade do usuário?’ – um problema jurídico e de planejamento sucessório que ainda não tem resposta regulatória consolidada em nenhuma jurisdição, inclusive no Brasil. Essa lacuna vai criar demanda por serviços jurídicos e de planejamento patrimonial especializados em cripto – uma oportunidade ainda inexplorada no mercado brasileiro.

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Como isso afeta o investidor brasileiro?

Com o dólar cotado a aproximadamente R$ 6,00, a aquisição de US$ 70 milhões equivale a R$ 420 milhões – uma cifra que coloca o deal no radar de qualquer investidor que acompanha M&A no setor financeiro global. Para o investidor brasileiro com exposição a cripto, o impacto mais imediato não é no preço dos ativos, mas na questão de onde e como guardar o que você já tem.

Imagine um investidor brasileiro com R$ 50.000 em Bitcoin na Binance Brasil ou no Mercado Bitcoin. Em um evento de insolvência da exchange – como aconteceu com a FTX em 2022, que levou junto carteiras de brasileiros que somavam centenas de milhões de reais – esse investidor não teria proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que cobre apenas depósitos bancários tradicionais. A autocustódia resolve esse risco, mas até agora exigia um grau de conhecimento técnico (gerenciamento de seed phrases, hardware wallets) que afastava a maioria dos usuários. A tecnologia da ZenGo, integrada à eToro, promete eliminar esse atrito.

Para quem opera via plataformas disponíveis no Brasil como Mercado Bitcoin, Foxbit ou Binance Brasil, a mensagem prática é que a pressão competitiva criada por esse deal vai eventualmente forçar essas plataformas a oferecer soluções de autocustódia integrada ou melhorar seus modelos de segregação de ativos. Até que isso aconteça, o investidor prudente deve considerar manter uma parcela relevante de seus ativos em carteiras próprias. Como mostramos anteriormente no CriptoFácil ao analisar casos recentes de ataques a carteiras de autocustódia via apps falsos na App Store, a segurança na autocustódia exige atenção redobrada – e soluções que eliminam a seed phrase reduzem significativamente a superfície de ataque para o usuário comum.

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Para exposição indireta ao tema via mercado local, os ETFs da B3 como HASH11 e QBTC11 permanecem como alternativas reguladas sem necessidade de gestão de custódia própria – mas não capturam especificamente a tese de valorização da infraestrutura de autocustódia.

No campo tributário, vale lembrar que ganhos com criptoativos no Brasil são tributados conforme a Lei 14.754/2023 e a Instrução Normativa 1.888 da Receita Federal. Operações com lucro acima de R$ 35.000 mensais estão sujeitas ao recolhimento via DARF, com alíquota de 15% sobre o ganho de capital. A migração de ativos entre uma exchange custodial e uma carteira de autocustódia não configura fato gerador de imposto – mas qualquer alienação ou conversão sim. Consulte um contador especializado antes de qualquer movimentação estrutural. A recomendação do CriptoFácil permanece: aportes regulares via DCA, sem alavancagem, e com gestão de custódia proporcional ao tamanho da posição.

Quais limiares financeiros importam agora?

  • US$ 70 milhões (R$ 420 milhões) – ‘O Preço de Entrada’ (eToro / ZenGo): Este é o valor base do deal. O limiar relevante não é o preço pago, mas o breakeven de monetização: a eToro precisará gerar receita incremental – via taxas de produto onchain, spread em RWAs ou assinaturas premium – suficiente para justificar o investimento dentro de um horizonte de 36 a 48 meses. Se a receita derivada da ZenGo não ultrapassar US$ 20 milhões anuais (aproximadamente R$ 120 milhões) até 2028, o deal será considerado estratégico mas financeiramente ineficiente.
  • 5 milhões de usuários migrados – ‘A Massa Crítica’ (eToro): A integração da carteira ZenGo ao aplicativo eToro precisa atingir pelo menos 5 milhões de usuários ativos – cerca de 14% da base atual – para que o produto ganhe efeito de rede suficiente para se tornar um diferencial competitivo real. Abaixo desse número, a carteira será percebida como feature periférica, não como produto core.
  • Mid-2026 – ‘O Prazo do Roadmap’ (ZenGo / eToro): O lançamento da carteira integrada está projetado para o primeiro semestre de 2026. Qualquer atraso superior a dois trimestres sinalizará dificuldades técnicas de integração e dará vantagem competitiva aos concorrentes que estão desenvolvendo soluções próprias de MPC.
  • Aprovação MiCA – ‘O Selo Europeu’ (eToro): A eToro precisará demonstrar à ESMA que a integração da ZenGo está em conformidade com os requisitos de segregação de ativos do MiCA. O prazo regulatório para adequação plena vence em 2026. Aprovação dentro do prazo abre a porta para expansão acelerada no mercado europeu com um produto de custódia diferenciado.
  • US$ 250.000 (R$ 1,5 milhão) por BTC – ‘A Profecia do CEO’ (mercado): A tese de expansão em RWAs e produtos de yield da eToro está explicitamente ancorada na visão do CEO Yoni Assia de que o Bitcoin atingirá US$ 250.000 (aproximadamente R$ 1,5 milhão). Se o BTC não superar US$ 150.000 (aproximadamente R$ 900.000) no ciclo atual, a demanda por produtos onchain premium ficará aquém das projeções e o plano de negócios da integração precisará ser revisado.

Riscos e o que observar

Risco de Integração Técnica: A arquitetura MPC da ZenGo foi projetada como produto standalone – com servidores, infraestrutura de recuperação biométrica e fluxos de autenticação próprios. Integrar essa camada aos sistemas centralizados da eToro, construídos ao longo de 17 anos, é um desafio de engenharia que não deve ser subestimado. Falhas de integração podem resultar em vulnerabilidades de segurança ou em uma experiência de usuário degradada que anule o benefício da tecnologia adquirida.

Gatilho a monitorar: qualquer relato de bug ou falha de recuperação de acesso na fase de beta fechado da carteira integrada, ou atraso superior a dois trimestres no lançamento público.

Risco de Comoditização MPC: A tecnologia de computação multipartidária está se tornando progressivamente acessível. Fireblocks, Coinbase e até projetos de código aberto como o tss-lib já oferecem implementações MPC que qualquer exchange com equipe técnica competente pode integrar. Se a janela de vantagem técnica da ZenGo se fechar antes da eToro completar a integração, o diferencial competitivo que justificou os US$ 70 milhões (aproximadamente R$ 420 milhões) pode evaporar.

Gatilho a monitorar: anúncio de produto de autocustódia MPC por Coinbase, Kraken ou Binance nos próximos 12 meses.

Risco Regulatório nos EUA: A eToro ainda opera sob restrições da SEC no mercado norte-americano. Uma oferta de autocustódia integrada pode ser interpretada pelo regulador como expansão de serviços financeiros sujeitos a registro adicional. O deal pode inadvertidamente reabrir o escrutínio regulatório no mercado mais lucrativo do mundo – especialmente se a carteira integrada oferecer acesso a produtos de yield ou staking.

Gatilho a monitorar: qualquer comunicação formal da SEC à eToro sobre extensão do acordo de 2024 ou nova investigação relacionada ao produto de carteira.

Risco de Retenção de Talentos: Em aquisições de startups de tecnologia, o ativo mais valioso geralmente é a equipe de engenharia – não o código ou as patentes. Se os fundadores e engenheiros-chave da ZenGo saírem da empresa dentro dos primeiros 18 meses pós-aquisição (seja por desentendimento cultural, earn-out insuficiente ou melhores oportunidades), a capacidade de inovar e manter a tecnologia MPC atualizada fica comprometida.

Gatilho a monitorar: anúncio de saída de qualquer cofundador ou membro sênior da equipe técnica da ZenGo nos próximos 12 a 18 meses.

O que esperar nas próximas sessões

O gatilho mais importante a monitorar no curto prazo é o roadmap oficial de produto que a eToro deverá publicar nas próximas semanas detalhando como e quando a tecnologia da ZenGo será integrada ao aplicativo principal. Datas concretas, número de mercados no lançamento inicial e o escopo de ativos suportados na carteira integrada serão os indicadores-chave para validar ou questionar a tese de US$ 70 milhões (aproximadamente R$ 420 milhões). Acompanhe também o primeiro pronunciamento regulatório da ESMA sobre a estrutura pós-aquisição sob o MiCA.

O cenário é binário: se a eToro publicar um roadmap de produto com data de lançamento da carteira integrada até o primeiro semestre de 2026 e migrar pelo menos 5 milhões de usuários para a solução de autocustódia no primeiro ano, o deal se consolida como o movimento mais inteligente de posicionamento em infraestrutura cripto feito por uma exchange de varejo em 2025 – e a pressão sobre concorrentes para replicar o modelo acelerará a migração de toda a indústria para um modelo de custódia híbrida que combina conveniência de exchange com soberania de carteira; caso contrário, se a integração técnica tropeçar, a comoditização do MPC avançar mais rápido do que a eToro consegue entregar produto, ou o regulador norte-americano reabrir o dossiê da empresa, os US$ 70 milhões (aproximadamente R$ 420 milhões) serão lembrados como um prêmio pago pela ilusão de que comprar uma startup de tecnologia é mais fácil do que construir uma internamente. Até lá, paciência é o único ativo que não desvaloriza.

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