O Ethereum reagiu positivamente ao upgrade Fusaka, ativado em dezembro de 2025, com aumento imediato de atividade on-chain e queda nas taxas, segundo relatório do JPMorgan divulgado nesta semana. O preço do ETH subiu 2,2% nas últimas 24 horas e era negociado a US$ 2.992, após tocar máxima intradiária em US$ 3.020. O movimento ocorre em meio a um debate recorrente no mercado: melhorias técnicas conseguem sustentar demanda no longo prazo?
Nos últimos 7 dias, o ETH acumula alta de 4,1%, mas ainda recua cerca de 11% no acumulado de 12 meses, refletindo um cenário macro de maior seletividade do capital em criptoativos. Para investidores brasileiros, o ponto central é entender se o rali pós-upgrade representa oportunidade estrutural ou apenas um alívio temporário de curto prazo.
O que mudou com o upgrade Fusaka?
O Fusaka ampliou a capacidade de dados da rede ao elevar de 15 para 21 o número de “blobs” por bloco, mecanismo usado principalmente por soluções de segunda camada (L2). Na prática, isso reduziu a congestão e pressionou as taxas para baixo, incentivando um salto inicial no número de transações e endereços ativos.
Segundo dados citados pelo JPMorgan, o upgrade gerou um aumento visível no uso da rede principal, reforçando manchetes recentes sobre recorde de transações. A leitura é relevante porque taxas menores tendem a estimular usuários e desenvolvedores, mas historicamente esse efeito tem sido passageiro no Ethereum.
Por que bancos veem limites para esse crescimento?
Analistas liderados por Nikolaos Panigirtzoglou afirmam que upgrades anteriores, como Dencun e Pectra, também produziram picos temporários de atividade que se dissiparam em poucos meses. De acordo com o JPMorgan, a migração contínua para L2s como Base e Arbitrum limita a captura de valor do layer 1.
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Esse deslocamento impacta diretamente a tokenomics do ETH: menos taxas no L1 significam menor queima de moedas, aumentando a oferta circulante. Dados recentes mostram que a oferta de ETH voltou a crescer, enquanto o TVL em termos de ETH segue em queda, sinalizando pressão estrutural sobre o preço no médio prazo.
Como o mercado e os gráficos estão reagindo?
No gráfico diário, o ETH enfrenta resistência relevante em US$ 3.050, nível que coincide com a média móvel de 200 dias. O suporte imediato está em US$ 2.850; uma perda desse patamar pode abrir espaço para correção até US$ 2.700.
O RSI de 14 períodos está em 56, indicando momentum levemente positivo, mas longe de região de sobrecompra. Já o MACD segue acima da linha de sinal, porém com histograma perdendo força, sugerindo que o impulso pós-upgrade pode estar desacelerando.
O que isso significa para investidores brasileiros?
Para quem investe em ETH no Brasil, o cenário exige equilíbrio entre fundamentos e narrativa institucional. Enquanto algumas gestoras mantêm visão institucional sobre Ethereum mais construtiva para 2026, bancos como o JPMorgan alertam que concorrentes como Solana e a fragmentação de liquidez podem limitar o upside.
O Fusaka entregou um alívio técnico importante, mas ainda não altera o debate central sobre captura de valor no Ethereum. O próximo teste será observar se a atividade on-chain se mantém nas próximas semanas ou se o padrão histórico de retração volta a se repetir.

