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Ethereum atinge recorde de uso, mas caminha para maior sequência de perdas mensais desde 2018

Ethereum atinge recorde de uso, mas caminha para maior sequência de perdas mensais desde 2018
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O Ethereum (ETH) iniciou o mês de março pressionado, negociado na faixa de US$ 1.950 (aproximadamente R$ 11.115), estendendo uma correção que já dura meio ano. Apesar de os fundamentos da rede estarem, ironicamente, mais fortes do que nunca em termos de demanda por espaço de bloco, o preço do ativo caminha para fechar sua maior sequência de perdas mensais desde o mercado de baixa de 2018. Desde o topo local em agosto de 2025, o ativo não registrou um único fechamento mensal positivo.

Essa divergência extrema entre a utilidade da rede — que está operando em capacidade máxima — e a desvalorização do token nativo criou um cenário de medo extremo no mercado. A pergunta que domina as mesas de operação e os fóruns de investidores é: estamos diante de uma capitulação final que antecede um rali histórico ou o mercado está precificando uma falha estrutural na tese de valor do Ether?

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O que está por trás dessa movimentação?

Em termos simples, o Ethereum vive um paradoxo clássico de “empresa rica, ação barata”. Imagine uma rodovia com pedagio (a rede Ethereum) que está com engarrafamento constante e batendo recordes de arrecadação de tarifas. Economicamente, o negócio vai muito bem. No entanto, as ações dessa concessionária (o token ETH) estão caindo porque os investidores macroeconômicos estão vendendo tudo o que consideram ativo de risco devido ao cenário global de juros e liquidez.

Essa desconexão sugere que a queda atual não é impulsionada por uma falha no produto. Pelo contrário, a demanda por transações e contratos inteligentes continua robusta. O problema reside no sentimento do mercado e na rotação de capital. Investidores institucionais parecem estar realizando lucros de ciclos anteriores ou migrando para ativos considerados mais defensivos, ignorando temporariamente os dados on-chain (dados da blockchain). Além disso, discussões técnicas sobre a complexidade do sistema, como o alerta de Vitalik Buterin sobre riscos em oráculos DeFi, adicionam uma camada de cautela para o dinheiro inteligente que busca segurança absoluta.

Quais são os dados e fundamentos destacados?

Para entender a magnitude dessa divergência, é preciso olhar para os números frios que contrastam preço e atividade. Segundo dados compilados pela CryptoSlate e métricas de exploradores de bloco, o cenário é misto, mas com fundamentos de uso inabaláveis:

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  • Uso de Gas Recorde: A demanda por espaço nos blocos do Ethereum atingiu o teto. A média móvel de uso de gas (combustível da rede) está consistentemente próxima do limite de 15 milhões de unidades por bloco, sinalizando que a rede está sendo utilizada em sua plenitude total.
  • Sequência de Perdas: O preço do ETH registrou velas vermelhas mensais consecutivas desde setembro de 2025. Se março fechar no negativo, será a sexta queda mensal seguida, igualando ou superando a pior marca histórica registrada em 2018.
  • Escassez nas Exchanges: O saldo de ETH disponível em corretoras atingiu mínimas de quase uma década. Isso indica que, apesar da queda de preço, os investidores de longo prazo não estão depositando seus tokens para vender; eles estão fazendo a autocustódia, retirando o ativo de circulação.
  • Volatilidade e Medo: O Índice de Medo e Ganância (Fear & Greed Index) está na zona de “Medo Extremo” (nível 10), historicamente um sinal de fundo de mercado, enquanto a volatilidade de 30 dias permanece elevada, acima de 7%.

Esses dados reforçam a tese de que o ativo está em uma zona de sobrevenda técnica. Enquanto o preço cai, a infraestrutura continua evoluindo, conforme o roadmap de 2026 divulgado para a recuperação do ETH, que promete otimizações de escalabilidade que ainda não foram precificadas pelo mercado atual.

Como isso afeta o investidor brasileiro?

Para o investidor brasileiro, o cenário exige sangue frio e estratégia. A desvalorização do ETH em dólares, somada a um real que oscila perante a moeda americana, cria oportunidades de entrada a preços que não eram vistos há mais de um ano. Quem investe via ETFs na B3, como o ETHE11 (da Hashdex) ou o QETH11 (da QR Asset), vê o valor da cota reduzir, o que pode ser psicologicamente difícil, mas matematicamente atrativo para acumulação.

É crucial notar que o desconto atual no preço do ETH é significativo se considerarmos o topo histórico em reais. Com o token custando cerca de R$ 11.000, ele está muito abaixo dos patamares de R$ 20.000 ou mais vistos nos momentos de euforia. No entanto, tentar acertar o fundo exato (timing the market) é arriscado.

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A estratégia mais sensata para o momento é o DCA (Preço Médio). Em vez de aportar todo o capital de uma vez tentando adivinhar o fim da queda, o investidor pode fazer compras fracionadas semanais ou mensais. Isso dilui o risco da volatilidade cambial e do preço do ativo. Evite alavancagem em corretoras neste momento; tentar operar futuros com o mercado em tendência de baixa definida é a forma mais rápida de ser liquidado.

Riscos e o que observar

Apesar dos fundamentos sólidos de rede, o risco de preço no curto prazo permanece alto. O principal vetor de risco é macroeconômico: se a liquidez global secar ainda mais, o ETH pode perder suportes psicológicos importantes, como a faixa de US$ 1.800 (aprox. R$ 10.200), buscando níveis mais baixos para testar a convicção dos holders.

Outro ponto de atenção é o desenvolvimento técnico de longo prazo. Investidores devem monitorar se a atividade de desenvolvimento continua ativa. A Ethereum Foundation já publicou planos extensos até 2029, e qualquer desvio ou atraso nessas entregas poderia afetar a confiança institucional, que hoje é o fiel da balança para o preço.

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Em síntese, o mercado está testando a paciência dos investidores. Fique atento ao fechamento mensal de março: uma reversão agora poderia formar um padrão de “fundo duplo” poderoso, mas a perda dos suportes atuais invalidaria a tese de recuperação imediata. Monitore os fluxos de entrada em ETFs e o volume nas exchanges brasileiras nos próximos dias.

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