A Grayscale pagou US$ 9,39 milhões em recompensas de staking para cotistas do seu ETF de Ethereum, marcando a primeira distribuição de rendimento em dinheiro do tipo nos EUA. O movimento ocorre enquanto o ETH era negociado a US$ 2.410 nesta segunda-feira (12), com alta de 1,8% em 24h e volume diário de US$ 13,2 bilhões. O episódio sinaliza uma mudança estrutural na narrativa institucional do Ethereum, em meio à crescente migração de capital para ativos com yield.
Segundo dados do mercado, ETFs de Ethereum atraíram US$ 3,9 bilhões em outubro de 2025, enquanto produtos de Bitcoin registraram saída líquida de US$ 751 milhões. A diferença reforça a busca institucional por retornos recorrentes, especialmente após a liberação regulatória para staking via ETFs nos EUA.
O que muda quando ETFs de Ethereum passam a pagar rendimento?
Na prática, a Grayscale transformou o staking — mecanismo que remunera validadores por proteger a rede Ethereum — em algo familiar ao investidor tradicional: uma distribuição em dinheiro. O ETF ETHE pagou US$ 0,083178 por cota, valor gerado por recompensas acumuladas entre outubro e dezembro de 2025, segundo a Crypto.news.
Isso importa porque o staking institucional oferece rendimentos anuais entre 4,5% e 5,2%, patamar competitivo frente a títulos de renda fixa global. Para investidores brasileiros, esse benchmark global pode pressionar por produtos similares no Brasil, além de reforçar a tese do ETH como ativo híbrido: crescimento + renda.
No mercado secundário, o ETH segue acima da média móvel de 50 dias em US$ 2.280, com suporte imediato em US$ 2.350 e resistência em US$ 2.520. O RSI diário está em 56 pontos, indicando momentum neutro-positivo, enquanto o MACD permanece acima da linha de sinal, sugerindo continuação da tendência de alta moderada.
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Instituições iniciam “guerra silenciosa” por yield em ETFs
A distribuição da Grayscale cria um precedente competitivo. Outros emissores, como 21Shares e BlackRock, já sinalizaram produtos com staking, intensificando a chamada guerra entre emissores de ETFs. Segundo a CoinDesk, a BlackRock registrou um ETF de Ethereum com staking em Delaware.
Essa corrida tende a beneficiar o Ethereum on-chain. Dados recentes mostram queda contínua no supply de ETH em exchanges, atualmente abaixo de 11,2% da oferta total, enquanto o ETH em staking já supera 29% do supply. Menos moedas líquidas significam maior sensibilidade a choques de demanda.
Além disso, o upgrade Pectra, implementado em maio de 2025, aumentou a eficiência dos validadores e reduziu custos em soluções de segunda camada. Isso elevou o retorno líquido do staking e fortaleceu o argumento econômico do ETH, conforme análise do Pilot News.
Quais os riscos dessa nova narrativa de renda?
Apesar do avanço, o yield do staking não é fixo. Ele varia conforme atividade da rede, número de validadores e taxas pagas em transações. Há também riscos operacionais, como slashing e falhas de provedores, ainda que mitigados em estruturas institucionais.
Para o preço do ETH, distribuições em dinheiro podem reduzir parte do retorno via valorização, já que recompensas não ficam integralmente refletidas no NAV do fundo. No curto prazo, isso pode gerar interpretações mistas entre traders, especialmente em zonas de resistência técnica.
No entanto, no médio prazo, a padronização do yield via ETFs tende a ampliar a base de investidores. Se o ETH romper com volume a resistência de US$ 2.520, o próximo alvo técnico está em US$ 2.780, máxima de dezembro, reforçando a tese de consolidação acima de US$ 2.300.
Para investidores brasileiros, o recado é claro: o Ethereum deixou de ser apenas uma aposta direcional. Com ETFs pagando rendimento, o ativo ganha nova função em portfólios globais — e isso pode redefinir como o mercado precifica o ETH nos próximos ciclos.

