Início » Últimas Notícias » ETFs e empresas reforçam proteção abaixo de US$ 60 mil no Bitcoin, diz Deribit

ETFs e empresas reforçam proteção abaixo de US$ 60 mil no Bitcoin, diz Deribit

proteção abaixo de US$ 60 mil no Bitcoin
Siga o CriptoFacil no Google News CriptoFacil

O Bitcoin (BTC) negocia nesta fase de consolidação tensa na faixa de US$ 67.500 (aproximadamente R$ 388.125), mas nos bastidores do mercado de derivativos, os maiores players institucionais estão montando uma fortaleza defensiva. Segundo dados da exchange Deribit, detentores de ETFs e tesourarias corporativas — investidores elogiados por sua visão de longo prazo — estão acumulando massivamente opções de venda (puts) como seguro contra um colapso de preços abaixo do nível psicológico de US$ 60.000 (aproximadamente R$ 345.000).

Essa movimentação cria uma divergência curiosa: enquanto o preço à vista tenta sustentar a recuperação recente, o “dinheiro inteligente” paga prêmios caros para se proteger de uma queda abrupta. Com bilhões de dólares em jogo e a volatilidade implícita subindo, a pergunta que domina as mesas de operação é clara: essa barreira de proteção sinaliza um piso de concreto inquebrável ou o medo silencioso de que uma correção severa está por vir?

Publicidade

O que explica a movimentação atual?

Em termos simples, grandes investidores institucionais estão comprando uma apólice de seguro para suas participações em Bitcoin. Assim como você faz um seguro para seu carro esperando não precisar usá-lo, esses fundos e empresas estão comprando contratos de opção de venda (puts) com vencimento para 6 meses ou 1 ano. Esses contratos garantem o direito de vender o Bitcoin a US$ 60.000, mesmo que o preço de mercado despenque para US$ 50.000 ou menos. Isso permite que eles mantenham suas posições de longo prazo sem serem forçados a liquidar ativos no prejuízo durante um pânico de mercado.

Jean-David Péquignot, executivo-chefe comercial da Deribit, explica que essa estratégia funciona como um hedge clássico de portfólio. Ao travar um preço de saída em US$ 60.000, esses players limitam suas perdas potenciais.

Esse comportamento sugere que, embora a visão de longo prazo permaneça altista, o curto prazo exige cautela redobrada. Para entender melhor como os grandes fundos utilizam derivativos para moldar o mercado, vale a pena conferir nossa análise sobre como hedge funds e ETFs atuam como catalisadores institucionais.

🚀 Buscando a próxima moeda 100x?
Confira nossas sugestões de Pre-Sales para investir agora

Quais são os dados e fundamentos destacados?

A magnitude dessa proteção defensiva é visível nos números brutos da Deribit, que concentra quase 80% da atividade global de opções de criptomoedas. O mercado está precificando um risco real de queda, e os dados corroboram essa postura defensiva:

  • Muralha de US$ 1,5 bilhão: O interesse em aberto (open interest) para as opções de venda no strike de US$ 60.000 (R$ 345.000) atingiu a marca de US$ 1,5 bilhão, o maior valor entre todos os preços e vencimentos na exchange.
  • Prêmio de Volatilidade: O mercado está pagando mais caro para se proteger. As puts (opções de venda) de 30 dias estão sendo negociadas com um prêmio de volatilidade de aproximadamente 7% em relação às calls (opções de compra), sinalizando que o medo de queda supera a ganância de alta no momento.
  • Posicionamento Short Gamma: Dealers e formadores de mercado estão “short gamma” abaixo de US$ 60.000. Isso significa que, se o preço cair abaixo desse nível, esses players precisarão vender mais Bitcoin para cobrir suas posições, o que poderia acelerar a queda.

Esses dados indicam que o mercado não está comprando a alta recente de forma irrestrita. Pelo contrário, o “dinheiro inteligente” prefere pagar por proteção do que perseguir o rali, um comportamento típico de quem antecipa turbulência. Esse cenário se alinha com os recentes fluxos de entrada em ETFs de Bitcoin, onde a acumulação continua, mas agora acompanhada de forte gerenciamento de risco via derivativos.

Quais níveis técnicos importam agora?

Diferente da análise gráfica tradicional, a análise de posicionamento de opções revela onde o “dinheiro grande” está apostando suas fichas. Os contratos de opções criam zonas magnéticas de preço devido à necessidade de hedging dos dealers. Neste cenário derivativo, os níveis críticos são:

Publicidade
  • O Grande Piso (Strike de Put): US$ 60.000 (aprox. R$ 345.000). Com US$ 1,5 bilhão em contratos, essa região funciona como um suporte institucional massivo. É a “linha na areia” que tesourarias e ETFs não querem ver rompida.
  • Gatilho de Aceleração (Gamma Risk): Abaixo de US$ 63.000 (aprox. R$ 362.250). Segundo Péquignot, a volatilidade deve aumentar se o preço perder os US$ 63.000, pois os dealers começarão a vender agressivamente para proteger seus livros.
  • Zona de Resistência Implícita: US$ 70.000 (aprox. R$ 402.500). O mercado mostra hesitação em comprar acima deste nível sem novos catalisadores, mantendo o preço em uma faixa lateral tensa.

Para uma visão mais aprofundada sobre como os derivativos influenciam esses níveis a longo prazo, recomendamos a leitura sobre como as opções de ETF de Bitcoin moldam a dinâmica de preço até 2026.

Como isso afeta o investidor brasileiro?

Para o investidor brasileiro, essa movimentação institucional traduz-se em uma mensagem clara: o mercado global está defensivo, e você também deveria ter cautela. Embora grandes empresas e ETFs (como os que compõem o lastro do IBIT39 ou HASH11 na B3) estejam comprando Bitcoin, eles estão simultaneamente se protegendo contra quedas bruscas.

Isso não significa vender suas posições, mas sim evitar a alavancagem excessiva neste momento. Se instituições com bilhões de dólares estão pagando prêmios caros por seguro, tentar operar alavancado sem proteção é caminhar em um campo minado. A estratégia mais prudente continua sendo o DCA (preço médio), acumulando satoshis sem tentar adivinhar o fundo exato.

Publicidade

Além disso, a volatilidade no par BRL/USD adiciona uma camada extra de risco. O suporte de US$ 60.000 é crucial; se rompido, podemos ver o Bitcoin testar níveis que exigiriam nervos de aço para quem está exposto. Para entender a relevância técnica desse suporte histórico, veja nossa análise detalhada onde o Bitcoin testa o suporte de 60 mil e a resiliência dos ETFs.

Riscos e o que observar

O principal risco reside no posicionamento short gamma dos dealers. Se um evento macroeconômico ou uma venda massiva empurrar o Bitcoin abaixo de US$ 60.000, a proteção que hoje serve como suporte pode se transformar em combustível para a queda, com emissores de opções forçados a vender cada vez mais à medida que o preço cai.

Nas próximas sessões, observe atentamente os dados de Open Interest na CoinDesk ou Deribit. Se o interesse nas puts de US$ 60.000 continuar subindo enquanto o preço cai, o sinal de alerta vermelho estará aceso.

Publicidade

Em síntese, o Bitcoin caminha sobre uma linha tênue definida pela cautela institucional. O acúmulo recorde de proteção em US$ 60.000 mostra que os grandes players não descartam novos testes de fundo, agindo com pragmatismo em vez de euforia cega.

Se esse nível se sustentar, servirá como base sólida para o próximo ciclo de alta. Caso contrário, a perda desse suporte pode desencadear uma cascata de liquidações alimentada pela própria estrutura do mercado de opções. Os próximos dias definirão se essa muralha de dinheiro é um piso ou uma armadilha.

Siga o CriptoFacil no Google News CriptoFacil