Investidores em ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos estão, em média, com prejuízo não realizado de 15%, o que aumenta o risco de resgates caso o mercado não estabilize no curto prazo. O BTC era negociado a US$ 77.528 no início desta segunda-feira (02), após cair de US$ 88.321 em janeiro, uma desvalorização de 12,2% em menos de 30 dias. O movimento ocorre em meio a um mercado mais frágil, marcado por liquidações de US$ 2,5 bilhões no dia 1º de fevereiro.
Desde o lançamento dos ETFs spot em 2024, o preço médio de compra desses investidores gira em torno de US$ 90.200 por BTC, o que representa uma perda em papel de cerca de US$ 13.400 por unidade. Esse descompasso reforça a narrativa de cautela institucional, justamente em um momento em que o mercado testa níveis técnicos críticos. Para investidores brasileiros, o impacto é ampliado pela variação cambial: o par BTC/BRL caiu 9% na última semana, para R$ 404.594.
O que significa estar “no prejuízo” em ETFs de Bitcoin?
Estar “underwater” significa que o preço atual do ativo está abaixo do custo médio de aquisição, o que tende a aumentar a sensibilidade a novas quedas. No caso dos ETFs spot, isso abre espaço para resgates, especialmente de traders de curto prazo que buscavam ganhos rápidos. Resgates forçam as gestoras a vender BTC no mercado à vista, adicionando pressão vendedora.
Os dados confirmam essa dinâmica: janeiro marcou o terceiro mês consecutivo de fluxos negativos, com saídas líquidas de US$ 278 milhões. No acumulado desde novembro, os 11 ETFs spot de Bitcoin já registraram US$ 6,18 bilhões em saídas, aprofundando o cenário descrito em análises recentes sobre saídas nos ETFs de Bitcoin e seu efeito direto sobre o preço.
Fluxos institucionais pressionam níveis técnicos do BTC
Do ponto de vista técnico, o Bitcoin testa a média móvel de 100 semanas, atualmente em torno de US$ 68.000, um suporte histórico que segurou o preço durante o mercado de baixa de 2022. O RSI diário está em 38 pontos, indicando condição próxima de sobrevenda, enquanto o MACD permanece negativo, com histograma abaixo de zero, sinalizando tendência ainda baixista.
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As principais resistências estão em US$ 80.500 e US$ 89.000, nível que precisa ser recuperado para reverter o viés negativo no curto prazo. A pressão dos fluxos institucionais já se reflete em outras empresas expostas ao BTC: ações da MicroStrategy acumulam queda de 9% desde que o Bitcoin ficou abaixo do preço médio de compra da companhia, tema recorrente em análises sobre a pressão dos ETFs no BTC.
Capitulação à vista ou investidores de longo prazo seguram?
O risco de uma capitulação mais ampla existe caso o suporte de US$ 75.000 seja perdido com volume, abrindo espaço para um movimento até a região de US$ 68.000. Historicamente, esse tipo de evento ocorre quando holders de longo prazo também desistem, o que não é confirmado até agora: métricas on-chain mostram que o supply em exchanges segue estável, sem aumento abrupto de depósitos.
Além disso, fevereiro tem retorno médio histórico de +14,3% para o Bitcoin, o que mantém no radar um possível repique técnico caso o mercado absorva as vendas. Ainda assim, enquanto o BTC não recuperar US$ 89.000, o cenário segue de risco elevado, especialmente para investidores brasileiros já impactados por perdas em real e por um ciclo de lucro negativo no Bitcoin.
O equilíbrio entre resgates de curto prazo e capital institucional de longo prazo será decisivo nas próximas semanas. Para o investidor, o momento exige gestão de risco e atenção redobrada aos níveis técnicos e aos fluxos dos ETFs.

