Um ETF projetado para lucrar com quedas da Strategy, maior detentora pública de bitcoin do mundo, atingiu máxima histórica nesta terça-feira, em meio à pressão contínua sobre o BTC e ações ligadas ao setor. O GraniteShares 2x Short MSTR Daily ETF (MSDD) subiu para US$ 114, acumulando alta de 13,5% no ano, enquanto a ação da Strategy caiu para US$ 126, menor nível desde setembro de 2024. O movimento reflete um ambiente de aversão a risco, com saídas institucionais e indicadores técnicos apontando estresse no mercado cripto.
A Strategy já recua 76% desde o topo histórico de US$ 543, registrado em novembro de 2025, acompanhando a queda do bitcoin, que chegou a US$ 73.000 no intraday antes de se recuperar para US$ 76.000. No acumulado de 2026, o BTC ainda cai 12%, negociando abaixo de resistências-chave como a média móvel de 200 dias, hoje em US$ 103.947. Para investidores brasileiros, isso se traduz em maior volatilidade no BTC/BRL, atualmente em R$ 623.219, com leve alta diária de 0,89%.
O que está por trás da disparada do ETF vendido em Strategy?
O MSDD é um ETF alavancado que busca entregar -200% da variação diária da ação da Strategy. Na prática, se a MSTR cai 2% em um dia, o fundo tenta subir 4%, antes de taxas e do efeito de rebalanço diário. Desde o lançamento, em janeiro de 2025, o produto se consolidou como ferramenta tática de curto prazo para traders pessimistas.
Nos últimos 12 meses, o MSDD acumula valorização de 275%, enquanto o Defiance Daily Target 2x Short MSTR ETF (SMST) também renovou máxima em 11 meses, negociado a US$ 113. O desempenho ocorre em paralelo ao aumento do prejuízo dos ETFs de Bitcoin tradicionais, que enfrentam resgates líquidos e menor apetite institucional.
Pressão técnica e dados on-chain reforçam cautela
No lado técnico, o bitcoin apresenta sinais claros de sobrevenda. O RSI de 14 dias está em 23,37, abaixo do limiar de 30, indicando exaustão vendedora, enquanto o MACD semanal permanece profundamente negativo. Esses números explicam a recente tentativa de repique, mas ainda não confirmam reversão de tendência.
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Do ponto de vista on-chain, a Strategy detém 713.502 BTC, avaliados em cerca de US$ 54,2 bilhões, o que amplifica a correlação entre sua ação e o preço do bitcoin. Com o BTC abaixo de US$ 77.000, qualquer nova queda pressiona o valor patrimonial da empresa e favorece ETFs vendidos, ao mesmo tempo em que saídas institucionais dos ETFs à vista desaceleram, sugerindo que a força vendedora pode estar perdendo fôlego.
Como isso afeta investidores brasileiros?
Para traders no Brasil, o sucesso desses ETFs sinaliza uma busca crescente por hedge em mercados globais, algo que ainda é limitado localmente. Mesmo assim, entender essa dinâmica ajuda a calibrar risco em posições de BTC e ações correlatas, especialmente para quem acompanha a aposta da Strategy no Bitcoin.
O contraponto é que fevereiro historicamente entrega retorno médio de 14,3% para o BTC, e projeções apontam o BTC/BRL em até R$ 737.195 até o fim do mês. Com RSI em sobrevenda e fluxo vendedor institucional diminuindo, o mercado entra em uma fase decisiva: ou consolida acima do suporte de US$ 73.000, ou abre espaço para novas mínimas.
Enquanto isso, ETFs alavancados como o MSDD seguem como instrumentos de alto risco, adequados apenas para estratégias de curto prazo. Para o investidor brasileiro, a mensagem é clara: o momento exige gestão de risco rigorosa, leitura atenta de indicadores e consciência de que volatilidade ainda domina o cenário.
Dados de mercado e projeções de preço podem ser acompanhados em indicadores atualizados do BTC/BRL, além de análises de sentimento e técnica em projeções para fevereiro de 2026 e monitoramento de fluxos institucionais globais em dados recentes de ETFs.

