Usuários da agora extinta exchange canadense QuadrigaCX alegam que a gigante consultoria reconhecida mundialmente EY (Ernest & Young) teria perdido cerca de 103 Bitcoins durante a recuperação dos fundos da empresa canadense. Em fevereiro de 2019, depois dos diversos episódios que envolveram a exchange, desde uma suposta fraude orquestrada até a misteriosa morte do fundador da empresa, a empresa de consultoria e auditoria havia sido nomeada como um “terceiro independente” para garantir os procedimentos da exchange frente aos seus credores.

Como revela a Coindesk, a Suprema Corte da Nova Escócia, que supervisiona o desmembramento da empresa, nomeou a EY como monitora para tentar recuperar fundos dos clientes da exchange, assim como os escritórios de advocacia Miller Thomson e Cox & Palmer (Nova Scotia, da Miller Thomson) para representar os interesses desses clientes.

Entretanto, já com os auditores e advogados nomeados e trabalhando no caso, uma das carteiras da exchange, que havia alegado que somente o fundador que estava morto tinha o controle das chaves privadas, transferiu mais de 100 Bitcoins. Contratada justamente para impedir situações como essa, já se passaram mais de seis meses e a EY ainda não conseguiu fornecer qualquer detalhe sobre o caso.

Em um relatório publicado no final de fevereiro, a empresa deu a única declaração sobre o caso, dizendo que a transferência ocorreu devido a um “erro de configuração de plataforma”.

“Isso soa como negligência grosseira e muitos de nós queremos responsabilizar a EY pelo que aconteceu. Em vez de nos dar os detalhes, eles [fecharam] um acordo com [Miller Thomson] para manter os detalhes confidenciais e estão tornando mais difícil para nós responsabilizar a EY”, disse Ali Mousavi, um dos credores da exchange.

Os clientes afetados alegam ainda que a EY não compartilhou qualquer informação com as autoridades e tampouco com o público e também se recusa a classificar o caso como um golpe. Também não tem atendido os interesses dos usuários que foram afetados pela paralisação da empresa e, portanto, estão com seus recursos bloqueados.

Até agora, a EY alega que recuperou cerca de US$25 milhões e que pretende levantar outros US$9 milhões vendendo ativos de propriedade do fundador da exchange, incluindo veículos de luxo, um barco, uma aeronave pessoal e 16 propriedades da Nova Escócia, que a EY alega terem sido compradas com fundos de clientes. Os credores que buscam recuperar os fundos têm até 31 de agosto para apresentar as reclamações junto à empresa de auditoria.

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