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Dogecoin vê salto de 28% em endereços ativos e reacende debate sobre nova alta

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O Dogecoin registrou um salto de 28% no número de endereços ativos em sua rede em apenas sete dias, passando de 57.000 para 73.000 carteiras participando de transações diárias, conforme aponta o analista Ali Martinez em publicação recente na plataforma X. O movimento coincide com um aumento de 140% no volume social da moeda em plataformas como Twitter e Reddit, e um crescimento de 13,16% no volume de negociações, que atingiu US$ 1,1 bilhão (aproximadamente R$ 6,4 bilhões na cotação atual) – enquanto o preço segue estagnado ao redor de US$ 0,0926 (cerca de R$ 0,54).

A pergunta que domina as mesas de operação é clara: o aumento na atividade on-chain é o prenúncio de uma alta expressiva do DOGE, ou apenas ruído passageiro numa memecoin que perdeu 75% do valor desde as máximas de 2024?

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O que está por trás dessa movimentação?

Em termos simples, imagine a Rodovia dos Imigrantes em um domingo à tarde após uma longa temporada de obras e restrições de tráfego. Durante semanas, poucos carros circulam – postos de gasolina fecham mais cedo, restaurantes à beira da estrada ficam vazios, e o fluxo de caminhões de carga despenca. Então, de repente, o movimento volta: filas no pedágio, postos cheios, movimento nos acostamentos. Isso não garante que haverá um feriado prolongado, mas é o primeiro sinal de que algo mudou no comportamento das pessoas que usam a estrada.

O indicador de endereços ativos funciona exatamente assim para o Dogecoin. Ele contabiliza, a cada dia, quantas carteiras na blockchain do DOGE enviaram ou receberam alguma transação – não importa o valor, apenas a participação. Quando esse número cresce, significa que mais pessoas estão “entrando na estrada”: comprando, vendendo, movimentando DOGE entre corretoras, ou simplesmente testando a rede pela primeira vez. Quando cai, a estrada esvazia – e o mercado nota.

O salto de 57.000 para 73.000 endereços ativos em sete dias representa, portanto, uma reativação relevante do tráfego humano na rede. Não é o mesmo que dizer que os carros estão acelerando – o preço permanece consolidado – mas confirma que o movimento começou a acontecer novamente depois de meses de abandono. Como analisamos anteriormente no CriptoFácil sobre o colapso de volume em altcoins sob condições monetárias restritivas, a queda de participação ativa costuma anteceder os piores momentos de preço – e o inverso também pode valer.

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O que os dados revelam?

  • 28% de aumento em endereços ativos – ‘O Sinal On-Chain’: A métrica saiu de 57.000 para 73.000 endereços ativos diários em sete dias, segundo dados compilados por Ali Martinez com base na plataforma Santiment. Esse nível ainda está bem abaixo do pico de mais de 150.000 endereços registrado durante o bull run de 2021, mas é o movimento mais expressivo desde outubro de 2025. Em termos práticos, mais carteiras ativas aumentam o potencial de volatilidade – para cima ou para baixo.
  • US$ 285 milhões em acumulação de baleias – ‘O Dinheiro Silencioso’: Dados de Coinglass indicam que investidores institucionais e grandes carteiras acumularam aproximadamente US$ 285 milhões (cerca de R$ 1,65 bilhão) em DOGE nos últimos dias, coincidindo com o aumento de atividade na rede. Acumulação de baleias antes de eventos catalisadores – como prazos da SEC para ETFs – é um padrão recorrente em criptoativos de alta capitalização. Porém, acumulação não é garantia de alta: baleias também podem estar posicionadas para vender no primeiro rompimento.
  • Volume de negociações em US$ 1,1 bilhão – ‘O Termômetro do Mercado’: O volume diário de DOGE cresceu 13,16%, atingindo US$ 1,1 bilhão (aproximadamente R$ 6,4 bilhões), conforme aponta a NS3.AI. É um número relevante, mas insuficiente para confirmar um breakout – analistas apontam que um rompimento consistente acima da resistência exige sustentação de volume acima dessa marca por múltiplas sessões consecutivas. Por ora, é um sinal de interesse, não de convicção.
  • 140% de aumento no volume social – ‘O Barômetro do Varejo’: O engajamento em plataformas como Twitter, Reddit e Binance Square disparou 140% na semana, refletindo o retorno da atenção do investidor de varejo ao DOGE. Historicamente, picos de volume social precedem movimentos de preço – mas também podem simplesmente refletir curiosidade passageira sem conversão em compras reais. A combinação com o aumento de endereços ativos, contudo, dá mais substância ao sinal.
  • Preço a US$ 0,0926 – ‘O Pântano da Consolidação’: Apesar de toda a movimentação on-chain, o DOGE segue operando na faixa de US$ 0,0926 (aproximadamente R$ 0,54), zona em que tem gravitado repetidamente desde o crash do início de fevereiro. O ativo acumula queda de 75% em relação às máximas de 2024 e registra fechamentos mensais negativos há mais de cinco meses consecutivos. O preço ainda não confirmou qualquer leitura dos dados on-chain.

Em síntese, os dados constroem um quadro de reengajamento genuíno – mais usuários, mais volume social, mais capital de grandes investidores -, mas sem a confirmação que o mercado exige: um rompimento de preço sustentado acima das resistências-chave. O sinal on-chain é necessário, mas não suficiente.

O que muda na estrutura do mercado?

O Dogecoin não é uma altcoin qualquer: é o ativo que mais claramente demonstra como narrativa, atenção coletiva e catalisadores externos moldam preço independentemente de fundamentos tradicionais. O salto de endereços ativos, quando analisado em conjunto com os catalisadores identificados – o beta do X Money com integração cripto, os prazos da SEC para decisão sobre ETFs de DOGE em meados de abril de 2026, e o rumor de integração de pagamentos na IPO de US$ 75 bilhões da SpaceX – sugere que o mercado está precificando antecipadamente uma janela de catalisadores, e não apenas reagindo a ruído de curto prazo.

Esse padrão de divergência entre métricas on-chain e preço já ocorreu antes. Em meados de 2020, o Bitcoin apresentou crescimento consistente de endereços ativos por semanas antes que o preço reagisse – e quando reagiu, foi com força suficiente para iniciar o bull run de 2020-2021. No caso do DOGE, a comparação exige cautela: a moeda responde muito mais a eventos exógenos e movimentos de Elon Musk do que a ciclos fundamentais. Ainda assim, a combinação de acumulação institucional com reativação do varejo é um padrão que merece atenção estrutural.

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Como analisamos anteriormente no CriptoFácil sobre movimentação institucional e o potencial de rali em altcoins, o capital de grandes players tende a preceder o movimento de preço – mas o timing é impreciso e o varejo que entra tarde frequentemente arca com o custo da realização de lucros dos primeiros.

Quais níveis técnicos importam agora?

  • US$ 0,075 (aprox. R$ 0,44) – ‘O Piso de Concreto’: Região de suporte histórico que sustentou o DOGE durante os períodos mais severos de venda em 2024 e início de 2025. Uma eventual quebra abaixo desse nível, especialmente com volume elevado, sinalizaria capitulação e poderia abrir caminho para mínimas não vistas desde 2023. Enquanto o preço se mantiver acima desse patamar, a estrutura de consolidação permanece tecnicamente intacta.
  • US$ 0,093 (aprox. R$ 0,54) – ‘A Zona Magnética’: Nível atual de negociação e ponto de recorrente retorno do preço ao longo dos últimos três meses. Funciona simultaneamente como suporte imediato e resistência psicológica – cada tentativa de romper para cima tem retornado a essa região, e cada queda tem encontrado compra. É o centro gravitacional da consolidação atual.
  • US$ 0,105 (aprox. R$ 0,61) – ‘O Teto de Vidro’: Principal resistência técnica identificada por analistas da comunidade e referenciada pelos dados de Coinglass. Um fechamento diário consistente acima desse nível, acompanhado de volume superior à média de 30 dias, seria o primeiro sinal técnico de que a consolidação foi rompida para cima. Sem essa confirmação, qualquer movimento em direção a esse patamar deve ser tratado com ceticismo.
  • US$ 0,130 (aprox. R$ 0,75) – ‘O Alvo do Otimismo’: Próximo nível de resistência relevante caso US$ 0,105 seja superado com convicção. Corresponde a uma zona de acumulação/distribuição do segundo semestre de 2024, e seria o primeiro alvo real de uma eventual retomada de tendência de alta. Atingir esse patamar exigiria um catalisador externo claro – como confirmação de ETF ou anúncio formal da SpaceX.

Como sempre, o volume será o árbitro final. Uma ruptura de US$ 0,105 com volume diário acima de US$ 1,5 bilhão por pelo menos duas sessões consecutivas constituiria a confirmação técnica mínima para justificar uma entrada mais expressiva – qualquer movimento sem esse respaldo de volume deve ser tratado como armadilha de comprador.

Como isso afeta o investidor brasileiro?

Para o investidor brasileiro, o DOGE apresenta uma camada adicional de risco que os dados on-chain não capturam: a exposição cambial. Com o dólar operando acima de R$ 5,80, qualquer queda no preço do DOGE em USD é amplificada em reais – mas o inverso também é verdadeiro, e uma valorização do ativo combinada com eventual depreciação do real pode resultar em retornos ainda mais expressivos em BRL. O investidor precisa monitorar tanto o par DOGE/USDT quanto o câmbio USD/BRL antes de dimensionar qualquer posição.

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Em termos de acesso, o DOGE está disponível nas principais plataformas com operação no Brasil: Mercado Bitcoin, Foxbit e Binance Brasil oferecem negociação direta do ativo, com liquidez suficiente para operações de varejo. Para quem prefere exposição indireta ao mercado cripto sem manter custódia própria de tokens, o HASH11, negociado na B3, oferece uma alternativa regulada – embora não replique diretamente o comportamento do DOGE. Vale também verificar se o portfólio de projetos relacionados ao ecossistema Dogecoin se encaixa no seu perfil de risco antes de qualquer alocação.

No campo tributário, o investidor brasileiro deve estar atento às obrigações estabelecidas pela Lei 14.754/2023 e pela Instrução Normativa 1.888 da Receita Federal. Ganhos com criptoativos são tributados como renda variável, com alíquotas que variam conforme o valor do ganho. Operações mensais acima de R$ 35.000 em vendas exigem recolhimento de DARF até o último dia útil do mês seguinte. Operações abaixo desse limiar são isentas de IR, mas ainda devem ser declaradas no ajuste anual.

A estratégia mais adequada para o momento é o DCA (Dollar Cost Averaging) – aportes periódicos em valores fixos ao longo de semanas ou meses -, em vez de uma entrada única de montante elevado em meio à consolidação atual. O risco de timing é considerável, e o DOGE historicamente pune quem entra em momento de euforia com saídas abruptas. Por fim, uma advertência obrigatória: evite alavancagem em qualquer posição de DOGE neste momento – o ativo é altamente volátil e posições alavancadas podem ser liquidadas em questão de minutos em movimentos de 10% ou mais, que são comuns para essa classe de ativo.

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Riscos e o que observar

  • ‘A Armadilha do Endereço Vazio’: O aumento de endereços ativos nem sempre reflete demanda compradora – pode indicar redistribuição de carteiras, movimentações internas de exchanges, ou até bots de arbitragem aumentando a atividade de forma artificial. Sem cruzar o dado com métricas como SOPR (Spent Output Profit Ratio) ou fluxo líquido para exchanges, o sinal de endereços ativos permanece ambíguo. Um aumento de endereços combinado com fluxo líquido positivo para exchanges (mais vendas do que compras) seria um sinal baixista disfarçado de alta.
  • ‘O Fantasma da Macro’: O artigo original aponta explicitamente a incerteza geopolítica – tensões no Oriente Médio – como fator de contenção do mercado cripto como um todo. O Bitcoin ainda opera abaixo de US$ 70.000, e num ambiente de aversão global ao risco, memecoins como o DOGE são tipicamente os primeiros ativos a sofrer saídas de capital. Um agravamento da situação geopolítica pode esvaziar rapidamente qualquer recuperação em curso.
  • ‘O ETF que Não Veio’: Os prazos da SEC para decisão sobre ETFs de DOGE são catalisadores legítimos – mas a história recente do mercado cripto está repleta de antecipações de aprovações que não se materializaram no prazo esperado. Se a SEC adiar ou rejeitar a proposta, o efeito no preço pode ser imediato e severo, especialmente considerando que parte da acumulação recente parece estar precificando um resultado positivo.
  • ‘A Fome do Varejo Mal Cronometrado’: O salto de 140% no volume social indica que o varejo está de volta – e o varejo, historicamente, entra tarde nos ciclos de memecoins. Se as baleias que acumularam US$ 285 milhões estiverem posicionadas para realizar lucros no primeiro pico de volume do varejo, o movimento pode ser brutal e rápido. Esse padrão de distribuição para o varejo eufórico é clássico em ativos de alta volatilidade e baixa fundamentação.

O gatilho principal a observar nas próximas semanas é a decisão da SEC sobre o ETF de DOGE à vista, com prazo previsto para meados de abril de 2026. Uma aprovação poderia desencadear um fluxo institucional relevante e dar suporte técnico suficiente para romper a resistência de US$ 0,105 (R$ 0,61). Uma rejeição ou adiamento, por sua vez, poderia liquidar rapidamente o otimismo construído pelos dados on-chain e devolver o preço às mínimas da consolidação.

O cenário é binário: ou os catalisadores de abril – ETF, SpaceX e X Money – convergem para criar o primeiro breakout real do DOGE em cinco meses e o ativo testa US$ 0,130 (R$ 0,75) com volume consistente, ou a atividade on-chain se revela um falso sinal e o preço retorna ao Piso de Concreto em US$ 0,075 (R$ 0,44) com saídas de capital aceleradas. Até lá, paciência é o único ativo que não desvaloriza.

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