A rede Bitcoin (BTC) registrou recentemente uma queda abrupta de 11,16% na dificuldade de mineração, marcando o maior ajuste negativo desde o banimento da atividade na China em 2021. O ajuste levou a dificuldade para aproximadamente 125,86 trilhões, refletindo o desligamento de máquinas em resposta a condições climáticas adversas e pressões econômicas. No momento da redação, o Bitcoin é negociado na faixa de US$ 60.000 (aproximadamente R$ 345.000), tentando sustentar níveis de suporte importantes após a volatilidade recente.
Este movimento histórico acende um alerta para o mercado, pois sugere uma possível “capitulação” (desistência) de mineradores menos eficientes. Para o investidor brasileiro, entender a saúde da mineração é crucial, pois ela afeta diretamente a segurança da rede e a pressão de venda do ativo no curto prazo.
O que explica a movimentação atual?
Em termos simples, a dificuldade de mineração é um mecanismo de autocorreção do Bitcoin: quando muitos mineradores desligam suas máquinas, a rede se torna “mais fácil” para incentivar o retorno da atividade. O ajuste atual reflete o que ocorreu nas últimas duas semanas, funcionando como um retrovisor do mercado.
Dois fatores principais impulsionaram esse desligamento em massa. Primeiro, as severas tempestades de inverno nos Estados Unidos em janeiro causaram cortes de energia e forçaram a paralisação de grandes fazendas de mineração. Segundo, o aumento da repressão regulatória na Rússia reduziu a contribuição de hashrate (poder computacional) da região.
Além dos fatores climáticos e regulatórios, existe uma questão econômica estrutural. Com o preço do Bitcoin lateralizado e os custos de energia subindo, a margem de lucro apertou. Isso tem levado mineradores a migrar para setores mais rentáveis. Para entender a profundidade dessa crise de rentabilidade, vale ler nossa análise sobre como a receita de mineração atingiu mínimas históricas antes mesmo deste ajuste, impulsionando a migração para Inteligência Artificial (IA).
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Sinais técnicos e dados de produção
Apesar da queda de 11,16%, os dados on-chain sugerem que esse movimento pode ser temporário. A plataforma de análise CoinWarz já projeta uma recuperação agressiva de cerca de 12% para o próximo ajuste, estimado para o dia 20 de fevereiro. Isso indicaria que as máquinas que foram desligadas durante as tempestades nos EUA já estão voltando online rapidamente.
Grandes players continuam se movimentando para garantir liquidez e eficiência. A empresa Cango, por exemplo, vendeu milhares de BTC no início do ano para fortalecer seu caixa. Esse movimento reflete uma tendência de profissionalização e busca por capital, conforme reportamos recentemente sobre a Cango captando US$ 75 milhões para expandir operações. Ao mesmo tempo, inovações tecnológicas tentam otimizar o setor, como visto no software de mineração da Tether, que busca trazer mais eficiência para novos equipamentos.
O tempo médio de bloco atual está em 8,88 minutos, abaixo da meta de 10 minutos, o que confirma que o poder computacional está retornando com força após a queda da dificuldade.
Como isso afeta o investidor brasileiro?
Para quem investe em reais, a dinâmica dos mineradores serve como um termômetro de pressão de venda. Quando mineradores entram em “capitulação”, eles são forçados a vender seus Bitcoins acumulados para pagar contas de energia, o que pode derrubar o preço do ativo. No cenário brasileiro, isso se traduz em oportunidades de compra em zonas de suporte, mas exige cautela com a volatilidade cambial.
Se o próximo ajuste confirmar a recuperação do hashrate, o risco de uma queda abrupta diminui. No entanto, é essencial monitorar a movimentação de grandes carteiras. Dados recentes indicam que a entrada de baleias e a volatilidade dispararam, sugerindo que grandes investidores estão atentos a esses níveis de preço entre US$ 60.000 e US$ 62.000.
A recomendação prática é evitar alavancagem excessiva (contratos futuros) até que a tendência de hashrate se estabilize após o ajuste do dia 20, pois o mercado pode reagir bruscamente a qualquer falha na recuperação prevista.
Riscos e contrapontos no radar
O cenário base é de recuperação, mas o risco não sumiu. Analistas apontam que a queda na dificuldade pode dar um alívio momentâneo nas margens de lucro, mas se o preço do Bitcoin não reagir, mineradores menores podem ser expulsos definitivamente do mercado.
Em síntese, o ajuste de -11,16% foi um evento de “limpeza” necessário após choques externos. O verdadeiro teste será na próxima semana: se a projeção de alta de 12% na dificuldade se concretizar, o mercado confirma sua resiliência. Caso contrário, se a dificuldade continuar caindo, poderemos ver um novo teste dos suportes de preço mais baixos para o Bitcoin.

