Mais de 53% de todas as criptomoedas lançadas desde 2021 já deixaram de existir, com a maioria dessas falhas concentradas em 2025, segundo relatório da CoinGecko. O dado surge após um ano marcado por alta volatilidade, no qual o mercado cripto perdeu US$ 1,2 trilhão em apenas seis semanas e o Bitcoin chegou a cair 28% no período. O pano de fundo combina especulação excessiva, facilidade de criação de tokens e uma mudança clara de apetite por risco entre investidores globais.
De acordo com o levantamento, 11,6 milhões de tokens falharam somente em 2025, o equivalente a 86,3% de todas as falhas registradas entre 2021 e 2025. Para investidores brasileiros, o número expõe um ambiente em que a maioria dos projetos não sobrevive ao primeiro ciclo de estresse de mercado, elevando a importância da análise de fundamentos e liquidez.
O que está por trás da morte em massa de criptomoedas?
Em termos simples, muitos projetos desapareceram porque não tinham uso real, liquidez sustentável ou comunidade ativa. O número total de criptomoedas saltou de 428 mil em 2021 para quase 20,2 milhões em 2025, impulsionado por launchpads que permitem criar tokens em minutos, como o Pump.fun.
Esse excesso de oferta ficou evidente no quarto trimestre de 2025, quando 7,7 milhões de tokens colapsaram — 34,9% de todas as falhas do período. Segundo a CoinGecko, o pico coincidiu com uma cascata de liquidações em 10 de outubro, que eliminou cerca de US$ 19 bilhões em posições alavancadas, drenando liquidez de ativos mais especulativos.
Impactos para altcoins e estrutura do mercado
A morte em massa de tokens reforça uma concentração maior de capital em projetos líquidos e consolidados. Em momentos de estresse, investidores tendem a migrar para Bitcoin e grandes altcoins, deixando projetos menores sem volume suficiente para se manter.
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Esse movimento já aparece na prática. Enquanto muitas altcoins em dificuldade perderam mais de 50% do valor em 2025, a dominância do Bitcoin voltou a subir, sinalizando busca por segurança relativa. Para o investidor brasileiro, isso significa que diversificação excessiva em tokens ilíquidos pode aumentar, e não reduzir, o risco da carteira.
O risco de confundir quantidade com oportunidade
O boom de meme coins foi um dos principais vetores dessa estatística. A facilidade de lançamento criou a percepção de múltiplas “oportunidades”, mas sem métricas on-chain sólidas, como crescimento de endereços ativos ou retenção de supply fora de exchanges.
Casos recentes de criptomoedas em crise mostram que até projetos conhecidos podem sofrer quando há problemas de governança ou queda de confiança. Segundo análise do Financial Times, a aversão a ativos especulativos foi intensificada pela retração global de liquidez em 2025.
O que isso significa para investidores brasileiros?
O dado central é claro: a maioria esmagadora dos tokens não sobrevive. Em um mercado com quase 20 milhões de projetos, filtrar por liquidez diária, market cap consistente e atividade on-chain virou requisito básico, não diferencial.
O relatório da CoinGecko não indica o fim da inovação, mas sinaliza um mercado mais seletivo. Para quem investe no Brasil, o foco tende a migrar para menos apostas e mais análise, priorizando ativos com histórico, volume e fundamentos capazes de atravessar ciclos de baixa sem desaparecer.

