Crimes envolvendo criptomoedas atingiram US$ 24,2 bilhões em 2024, um nível recorde, enquanto países sancionados passaram a usar Bitcoin e stablecoins para contornar restrições financeiras internacionais. Apesar dessa notícia negativa, o Bitcoin operou praticamente estável, cotado a cerca de US$ 87.433 hoje, com variação pequena nas últimas 24 horas e volume diário robusto no mercado cripto. Esse comportamento reforça a dissociação entre fundamentos de preço e ruído regulatório em um mercado que já precifica maior escrutínio global.
No acumulado de 7 dias, o BTC mostra leve alta, enquanto indicadores técnicos como o RSI diário se mantêm em zona neutra e o MACD segue próximo da linha zero, indicando consolidação acima de suportes técnicos relevantes e resistência em níveis próximos das máximas recentes.
O que está por trás do avanço dos crimes cripto?
Relatórios recentes de empresas de análise on-chain mostram que o volume de lavagem de dinheiro em cripto cresceu 15% em 2025 em relação a 2024, impulsionado principalmente por atores estatais. Bitcoin responde por cerca de 70% dos fluxos ilícitos, enquanto stablecoins representam aproximadamente 20%, devido à liquidez e facilidade de uso em transações transfronteiriças.
Países como Irã e Rússia ampliaram o uso de ativos digitais para pagamentos internacionais e reservas alternativas — um tema observável em debates sobre como nações contornam sanções com stablecoins. Mixers, exchanges P2P e protocolos DeFi são os principais vetores porque dificultam o rastreamento e a aplicação de sanções tradicionais.
Impactos estruturais para o mercado global
O crescimento dos crimes força governos a acelerar regulações de AML e KYC, alterando a estrutura do mercado. Exchanges centralizadas tendem a ganhar participação por oferecerem compliance robusto, enquanto plataformas anônimas enfrentam queda de liquidez.
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Esse movimento se conecta ao debate sobre regulamentação de criptomoedas em países sob sanção, que pode fragmentar a liquidez global. Para o investidor, isso significa spreads maiores e possíveis impactos na eficiência de preço, especialmente em momentos de estresse.
O que isso significa para investidores cripto brasileiros?
No Brasil, a CVM e o Banco Central já sinalizaram maior rigor em controles de lavagem de dinheiro ao longo de 2025. Na prática, isso pode elevar exigências de verificação em corretoras locais, afetando uma liquidez mensal estimada entre R$ 10 bilhões e R$ 20 bilhões.
Por outro lado, maior transparência tende a reduzir riscos sistêmicos e fortalecer players regulados. Investidores devem acompanhar de perto métricas como supply de BTC em exchanges e movimentos de grandes carteiras, já que crimes com criptomoedas costumam gerar volatilidade pontual.
Riscos e contrapontos no radar
Apesar do recorde em valores absolutos, a participação de atividades ilícitas ainda representa menos de 1 % do volume total transacionado em cripto. Além disso, avanços em rastreamento on-chain reduzem a eficácia de esquemas criminosos ao longo do tempo.
O risco real para o mercado está menos no uso ilícito em si e mais em respostas regulatórias excessivas, que podem sufocar inovação. O equilíbrio entre compliance e acesso seguirá sendo o principal catalisador para preços e adoção nos próximos trimestres.
Para o investidor brasileiro, o cenário exige leitura fria dos dados: crimes aumentam, mas o mercado amadurece. Entender essa dinâmica é essencial para navegar um setor cada vez mais integrado ao sistema financeiro global.

