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Coinbase, Kraken e Binance avançam na tokenização enquanto capital se realoca

Coinbase, Kraken e Binance avançam na tokenização enquanto capital se realoca
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A Coinbase, Kraken e Binance anunciaram simultaneamente novos produtos focados na tokenização de ativos, consolidando um movimento coordenado das maiores exchanges globais em direção aos ativos do mundo real (RWA) em meio a um mercado cripto mais amplo que busca direção. O valor total desses ativos distribuídos on-chain cresceu quase 300% em relação ao ano anterior, atingindo a marca de US$ 25 bilhões (aproximadamente R$ 145 bilhões na cotação atual). Essa convergência sinaliza que, enquanto o varejo observa a volatilidade dos preços, a infraestrutura institucional está sendo reconfigurada para integrar mercados tradicionais à blockchain.

O que explica a movimentação atual?

Em termos simples, a tokenização é o processo de criar representações digitais de ativos físicos ou financeiros tradicionais — como ações, títulos ou imóveis — em uma blockchain. A movimentação simultânea dessas três gigantes indica uma rotação de capital: investidores estão buscando estruturas mais duráveis e reguladas em vez de apenas especular em criptoativos voláteis. Esse fenômeno não se restringe apenas a ações; recentemente, a Wintermute lançou negociação de ouro tokenizado, reforçando que a demanda por ativos tradicionais na trilha da blockchain é uma tendência sistêmica, e não isolada.

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A estratégia envolve facilitar o acesso a produtos que o investidor já conhece, mas com a eficiência da liquidação instantânea das criptomoedas. Ao trazer ativos tradicionais para dentro das exchanges, essas empresas tentam capturar o fluxo de investidores que, em momentos de incerteza (“risk-off”), preferem a segurança de ações da Apple ou títulos do Tesouro, mas não querem sair do ecossistema cripto. É um movimento similar ao uso de títulos lastreados em Bitcoin, onde estruturas financeiras clássicas são adaptadas para o novo mercado digital.

Quais são os dados e fundamentos destacados?

O crescimento do setor de RWA desafia a estagnação de preços em outras áreas do mercado, sustentado por investimentos pesados em infraestrutura e novas parcerias estratégicas. Segundo dados da plataforma RWA.xyz, o volume e o valor bloqueado nesses protocolos dispararam no último ano.

  • Coinbase: A exchange firmou uma parceria com o Yahoo Finance para integrar tickers de cripto e ações diretamente na plataforma de notícias. O objetivo é permitir que usuários negociem ativos digitais e estoques tokenizados a partir de uma das maiores fontes de informação financeira dos EUA.
  • Kraken: A empresa lançou contratos perpétuos de ações tokenizadas, permitindo alavancagem em ativos como Nvidia e índices como S&P 500. Além disso, a Kraken integrou sua mesa OTC ao ICE Chat e está finalizando a aquisição da Backed Finance, verticalizando sua cadeia de tokenização para controlar a emissão dos ativos.
  • Fluxo de Capital: A startup de tokenização Superstate levantou US$ 82,5 milhões (aproximadamente R$ 478 milhões), liderada por divisões cripto da Bain Capital, evidenciando o apetite de venture capital por essa infraestrutura.
  • Binance: A maior exchange do mundo adicionou ações tokenizadas da Ondo Finance, ampliando seu portfólio de produtos de rendimento passivo baseados em ativos do Tesouro americano.

Esses dados confirmam que a infraestrutura está sendo construída para um futuro onde a distinção entre “bolsa de valores” e “exchange de criptomoedas” se tornará cada vez menos visível.

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Como isso afeta o investidor brasileiro?

Para o investidor brasileiro, essa tendência traz implicações regulatórias e de acesso imediatas. Historicamente, a oferta de valores mobiliários estrangeiros (como ações da Apple ou Tesla tokenizadas) enfrenta restrições severas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) quando ofertada diretamente ao público local sem registro, como visto quando a Binance precisou suspender derivativos de ações no Brasil em anos anteriores. Portanto, embora esses produtos estejam sendo lançados globalmente, o acesso direto via exchanges internacionais pode ser bloqueado para IPs brasileiros.

No entanto, o movimento valida o mercado local de tokenização, que é um dos mais avançados do mundo em ativos de renda fixa e recebíveis. A movimentação global pressiona as plataformas locais a inovarem. Enquanto lá fora o foco são ações (equities), aqui o investidor já consome tokens de precatórios e consórcios. Além disso, a expansão de serviços de grandes players, como a Coinbase ampliando opções de empréstimos, sugere que a competição pela liquidez do investidor brasileiro aumentará, forçando uma melhora nas taxas e na diversidade de produtos oferecidos pelas corretoras nacionais.

Riscos e o que observar

Apesar do otimismo institucional, a tokenização de valores mobiliários carrega riscos regulatórios significativos. A SEC nos Estados Unidos e reguladores europeus ainda debatem se esses tokens devem seguir as mesmas regras rígidas das ações tradicionais, o que poderia inviabilizar certos modelos de negócio da noite para o dia. Existe também o risco de contraparte: diferentemente do Bitcoin, um token de ação depende que a empresa emissora (como a Backed ou a Ondo) realmente possua o ativo físico custodiado em segurança.

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O investidor deve monitorar os volumes de negociação desses novos pares nas próximas semanas. Se a liquidez for alta, isso confirmará a tese de que o mercado cripto está amadurecendo para se tornar a camada de liquidação de todo o mercado financeiro global.

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