O Senado dos EUA cancelou a votação do Digital Asset Market Clarity Act após a Coinbase retirar apoio público ao texto, segundo relatos da imprensa americana. A reação foi imediata: o Bitcoin caiu para US$95.498 nesta sexta-feira (16), registrando queda de 2,1% em 24h. O movimento ocorre em um ambiente já sensível a incertezas regulatórias, após a aprovação do GENIUS Act e discussões prolongadas sobre a estrutura legal para criptoativos.
O que aconteceu com o Clarity Act?
O Digital Asset Market Clarity Act buscava definir com mais precisão quando um criptoativo seria tratado como valor mobiliário ou commodity nos EUA, reduzindo conflitos entre SEC e CFTC. A Coinbase retirou apoio ao texto alegando que o projeto criava uma proibição “de facto” para ações tokenizadas e limitava modelos de rendimento com stablecoins.
Com a saída da maior exchange listada em bolsa dos EUA, líderes do Senado optaram por adiar a votação. O episódio revive temores de que a prometida clareza regulatória volte a ser postergada, como ocorreu com propostas anteriores, incluindo o FIT21. Para investidores brasileiros, isso importa porque regulações nos EUA afetam liquidez global e a oferta de produtos disponíveis em plataformas usadas no Brasil.
Reação do mercado: preços e indicadores técnicos
Após a notícia, o Bitcoin despencou até US$95.498, mínima do dia, antes de tentar estabilizar acima de US$96.000. No gráfico diário, o RSI caiu para 46 pontos, sinalizando perda de força compradora sem ainda entrar em sobrevenda. O MACD cruzou para baixo da linha de sinal, reforçando viés corretivo no curto prazo.
Os principais suportes estão em US$94.800 e US$92.500, enquanto resistências imediatas aparecem em US$98.000 e US$100.000. O volume negociado nas últimas 24h subiu cerca de 18%, indicando que a queda foi acompanhada por aumento de atividade, típico de eventos macro.
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Impactos mais amplos para o setor cripto
Altcoins também recuaram: Ethereum caiu 1,8% para US$3.420, enquanto o XRP perdeu 2,4%, negociado a US$0,61. Ainda assim, Bitcoin, ETH e XRP acumulam alta entre 9% e 13% em 2026, segundo dados compilados pelo mercado, mostrando que a tendência de médio prazo segue positiva apesar do ruído regulatório.
Do ponto de vista on-chain, dados recentes indicam que o supply de Bitcoin em exchanges segue próximo de 11,8% do total circulante, patamar historicamente baixo. Isso sugere menor pressão estrutural de venda, limitando quedas mais profundas caso o noticiário não se deteriore.
O que isso significa para investidores brasileiros?
Para quem investe do Brasil, o adiamento do Clarity Act reforça a importância de acompanhar a regulação cripto nos EUA, já que decisões em Washington impactam preços globais negociados em reais. Exchanges como a Coinbase influenciam padrões que acabam refletidos em plataformas acessadas por brasileiros.
O contraponto é que o mercado já mostrou capacidade de absorver choques regulatórios no passado. Se novas versões do projeto surgirem ou houver avanço em outros marcos legais, o atual movimento pode se mostrar apenas uma correção dentro de uma tendência maior de consolidação institucional.
Por ora, o investidor deve monitorar os níveis técnicos citados e a evolução do debate regulatório. Em um cenário de incerteza política, gestão de risco e visão de médio prazo continuam sendo diferenciais importantes.

