A China reduziu suas posições em títulos do Tesouro dos EUA para US$ 682,6 bilhões em novembro, o menor nível desde 2008, após vender US$ 6,1 bilhões no mês, segundo dados do Departamento do Tesouro americano. O movimento ocorre enquanto o Bitcoin consolida acima de US$ 96.000, com alta de 3,4% nos últimos 7 dias e volume diário próximo de US$ 28 bilhões. O pano de fundo reforça a narrativa de diversificação de reservas globais em meio ao crescimento da dívida dos EUA, que já soma US$ 38,6 trilhões.
O que está por trás da redução chinesa de Treasuries?
Em termos simples, Pequim está diminuindo a exposição a ativos denominados em dólar e aumentando a diversificação de suas reservas. Em 2025, a China já reduziu mais de 10% de suas posições em Treasuries, caindo de cerca de US$ 760 bilhões no início do ano para os atuais US$ 682,6 bilhões, segundo Global Times.
Ao mesmo tempo, o Banco Popular da China (PBoC) acumula ouro há 14 meses consecutivos, atingindo 74,15 milhões de onças — cerca de 5% das reservas totais. A estratégia busca reduzir riscos geopolíticos e dependência de ativos controlados pelos EUA, algo que dialoga com o avanço de Treasuries tokenizados e outras alternativas financeiras.
Como isso impacta o mercado cripto global?
A diminuição estrutural da demanda chinesa por Treasuries tende a pressionar o dólar no longo prazo e fortalecer a busca por reservas alternativas. Para o mercado cripto, isso reforça a tese do Bitcoin como ativo não soberano e escasso, frequentemente comparado ao ouro digital. Não por acaso, o BTC mantém dominância de 52% do mercado, com capitalização acima de US$ 1,9 trilhão.
Do ponto de vista técnico, o Bitcoin opera acima das médias móveis de 50 e 200 dias, em US$ 92.300 e US$ 78.500, respectivamente. O RSI diário está em 58 pontos, sinalizando força moderada sem sobrecompra, enquanto o MACD segue positivo, indicando viés altista de curto prazo. Suportes relevantes aparecem em US$ 93.000 e US$ 88.500, com resistência imediata em US$ 98.000.
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O que isso significa para investidores brasileiros?
Para o investidor no Brasil, o movimento da China adiciona pressão estrutural sobre o sistema financeiro baseado no dólar. Em cenários de desdolarização gradual, ativos globais como ouro e Bitcoin tendem a ganhar relevância como reserva de valor, especialmente em países historicamente sensíveis a ciclos cambiais.
Esse contexto também se conecta ao debate sobre política monetária dos EUA e seus efeitos sobre liquidez global. Juros mais baixos no futuro poderiam amplificar fluxos institucionais para criptoativos, beneficiando quem já constrói posição de forma gradual.
Riscos e contrapontos à narrativa pró-Bitcoin
Apesar da leitura construtiva, é importante separar narrativa de causalidade direta. A China não sinalizou oficialmente qualquer intenção de adotar Bitcoin como reserva, e grande parte da diversificação segue concentrada em ouro. Além disso, Japão e Reino Unido aumentaram suas posições em Treasuries, com o Reino Unido superando a China como segundo maior detentor, segundo o Financial Times.
No curto prazo, o preço do Bitcoin segue sensível a dados macro dos EUA, inflação e decisões do Fed. Volatilidade permanece elevada, e quedas até a região de US$ 90.000 não podem ser descartadas sem quebra da estrutura de alta.
Em síntese, a redução histórica das reservas chinesas em Treasuries reforça uma tendência de diversificação global que sustenta o apelo de ativos escassos. Para investidores brasileiros, o movimento não é um gatilho imediato, mas um sinal macro relevante para quem pensa em proteção de longo prazo e alocação estratégica em criptoativos.

