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Pequim pede que bancos reduzam exposição à dívida dos EUA e reacende tese do Bitcoin

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A China intensificou sua estratégia de desdolarização com uma nova diretriz vinda de Pequim: grandes bancos estatais foram orientados a reduzir suas participações em títulos da dívida dos Estados Unidos (Treasuries). A medida visa blindar o sistema financeiro chinês contra a volatilidade do dólar e riscos geopolíticos. Enquanto o mercado digere a notícia, o Bitcoin (BTC) opera com volatilidade, negociado na faixa dos US$ 69.000, o que equivale a aproximadamente R$ 400.000 na cotação atual.

Para o investidor brasileiro, o movimento sinaliza mudanças importantes na macroeconomia global. A busca da China por alternativas ao dólar pode pressionar o câmbio e reacender a tese do Bitcoin como um ativo de proteção soberana, descorrelacionado das políticas monetárias tradicionais.

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O que está por trás da orientação de Pequim?

A decisão não ocorre no vácuo. Relatórios indicam que a China vem reduzindo sistematicamente sua exposição à dívida americana há mais de uma década. Segundo dados recentes, as participações chinesas em Treasuries atingiram níveis historicamente baixos, caindo para cerca de US$ 688,7 bilhões em outubro de 2025, o patamar mais baixo desde 2008, conforme apontam analistas do SCMP.

Essa estratégia reflete uma preocupação crescente com a sustentabilidade fiscal dos EUA e o uso do dólar como ferramenta de sanção política. Em paralelo à venda de títulos americanos, Pequim tem acumulado ouro físico em ritmo recorde. Para entender a profundidade dessa manobra geopolítica, vale a pena ler este artigo complementar sobre a pressão chinesa pela internacionalização do yuan, que explica como o Bitcoin pode atuar como um hedge neutro nesse cenário de disputa entre potências.

Como isso pode afetar o mercado de Bitcoin?

A venda massiva de títulos americanos pela China tende a elevar os rendimentos (yields) dos Treasuries, o que historicamente pressiona ativos de risco no curto prazo. No entanto, a narrativa de longo prazo favorece o Bitcoin. Com os bancos centrais questionando a segurança da dívida dos EUA, ativos escassos ganham destaque. O Bitcoin tem lutado para manter suportes importantes, influenciado diretamente pelo comportamento dos títulos públicos, como detalhado em nossa análise sobre o Bitcoin abaixo de 70 mil e a pressão do Tesouro dos EUA.

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Tecnicamente, o mercado observa se o BTC conseguirá transformar a resistência dos US$ 70.000 em suporte. Indicadores como o RSI (Índice de Força Relativa) sugerem que o ativo ainda busca uma direção definida em meio a esta incerteza macro. A rotação de capital saindo de títulos de dívida pode não ir inteiramente para o ouro; uma parcela tende a fluir para o “ouro digital”. Essa visão alinha-se com perspectivas de grandes gestores que discutem a rotação de capital entre ouro e Bitcoin em momentos de crise de confiança fiduciária.

O que isso significa para investidores brasileiros?

Para quem opera no Brasil, a redução da demanda chinesa por dólares pode, em tese, enfraquecer a moeda americana globalmente, embora o cenário seja complexo. Se o dólar perder força no índice DXY, o Bitcoin tende a se valorizar em termos nominais. Recentemente, observamos como o cenário macro impacta o par BTC/USD e, consequentemente, o preço em reais, conforme discutido na análise técnica onde o dólar rompe suporte e impacta o Bitcoin.

Na prática, investidores locais devem monitorar a paridade BRL/USD. Mesmo que o Bitcoin suba em dólares devido à narrativa de “reserva de valor”, uma queda acentuada do dólar frente ao real poderia amortecer os ganhos quando convertidos para a moeda brasileira. A diversificação continua sendo a melhor defesa.

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Riscos e contrapontos

Apesar da narrativa otimista para o Bitcoin como alternativa à dívida estatal, existem riscos. Uma venda agressiva de Treasuries pela China poderia causar um choque de liquidez nos mercados globais, levando a uma aversão ao risco generalizada que derrubaria todas as classes de ativos, incluindo criptomoedas, no curto prazo.

Além disso, dados indicam que, apesar da redução geral, a China aumentou proporcionalmente suas participações em títulos de curto prazo recentemente, sugerindo uma gestão tática de liquidez e não necessariamente um abandono total imediato do sistema dólar, como pode ser visto em dados sobre a redução de holdings para mínimas de 16 anos.

Em síntese, a orientação de Pequim reforça a tendência de um mundo multipolar onde a dívida dos EUA deixa de ser o único porto seguro. Para o Bitcoin, isso valida sua proposição de valor fundamental, mas o caminho promete ser volátil até que o mercado absorva essa nova dinâmica de fluxos de capital.

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