Cathie Wood, CEO da ARK Invest, alertou que o ouro pode estar em uma bolha ao comparar o preço do metal com a expansão do agregado monetário M2, reacendendo o debate sobre Bitcoin como reserva de valor. O comentário ocorre enquanto o BTC negocia a US$ 82.445,50 em 31/01/2026, após cair cerca de 10% das máximas de US$ 97.000–98.000 registradas no fim de janeiro. O pano de fundo é um mercado global defensivo, com ouro recebendo fluxo por cautela macro e cripto passando por correção técnica.
No curto prazo, o Bitcoin testa suporte crítico em US$ 82.000, nível alinhado à média móvel exponencial de 50 dias (EMA50), enquanto o sentimento de mercado permanece pressionado, com o índice Fear & Greed em 16, zona de medo extremo. Ainda assim, a comparação estrutural feita por Wood devolve foco à narrativa de escassez digital em meio à expansão monetária global.
O que está por trás do alerta de Cathie Wood?
A executiva argumenta que a relação entre o preço do ouro e o M2 — medida que agrega moeda em circulação, depósitos e instrumentos líquidos — atingiu extremos históricos, sugerindo excesso de valorização do metal. Em termos simples, o ouro teria subido mais rápido do que a liquidez global justificaria, o que aumenta o risco de correção.
Para investidores brasileiros, o ponto importa porque o Bitcoin compartilha a narrativa de proteção contra a diluição monetária, mas com oferta fixa de 21 milhões de unidades. A tese é recorrente nas projeções da ARK, que veem o BTC como um ativo monetário emergente em um cenário de expansão fiscal e monetária.
Como o mercado de Bitcoin reage no curto prazo?
Apesar da narrativa construtiva no longo prazo, o gráfico diário do BTC ainda mostra pressão. O RSI oscila entre 45 e 55, zona neutra, indicando ausência de força compradora clara, enquanto o MACD permanece em território negativo, sinalizando viés baixista de curto prazo.
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As resistências mais próximas estão em US$ 86.000 e US$ 88.000, faixa que delimitou o canal de correção recente. Um rompimento acima desses níveis abriria espaço para retomada até US$ 92.000, enquanto a perda consistente de US$ 82.000 pode levar o preço a testar US$ 78.000. Para traders, são limiares técnicos que definem risco e retorno.
Bitcoin versus ouro: quem ganha no cenário macro?
O debate entre Bitcoin versus ouro ganhou força em 2026, com ETFs de ouro, como o GLD, recebendo fluxo em meio a um dólar mais fraco, enquanto ETFs de BTC, como ARKB e IBIT, passaram por semanas de entradas e saídas mistas. No Brasil, a volatilidade do real amplia a sensibilidade a esses movimentos, já que o BTC segue acima de R$ 460.000 mesmo após a correção em dólar.
Do ponto de vista on-chain, a oferta de BTC em exchanges segue em tendência de queda estrutural, indicando menor pressão vendedora de longo prazo, enquanto grandes endereços permanecem majoritariamente inativos. Esse comportamento reforça a leitura de que a atual fase é mais de consolidação do que de distribuição.
Riscos e contrapontos à tese pró-Bitcoin
O principal risco é o timing. Mesmo que a crítica ao ouro se prove válida, o Bitcoin segue altamente sensível a liquidez global e apetite por risco, podendo sofrer novas quedas se o ambiente macro se deteriorar. Além disso, o metal amarelo tem histórico milenar como reserva de valor, enquanto o BTC ainda constrói sua credibilidade em ciclos de estresse.
Para o investidor brasileiro, a mensagem é de equilíbrio: a tese macro de longo prazo permanece, mas o curto prazo exige gestão de risco. Como mostra a tese macro pró-Bitcoin, movimentos do dólar e da liquidez global tendem a ser o gatilho decisivo para o próximo impulso direcional.
Em síntese, o alerta de Cathie Wood não é um chamado imediato de compra, mas um lembrete de que a disputa entre ouro e Bitcoin como reserva de valor segue aberta. Com o BTC consolidando em suportes-chave e métricas on-chain relativamente saudáveis, o ativo permanece no radar de quem olha além da volatilidade de curto prazo.

