A mineradora de Bitcoin Cango Inc. garantiu um total de US$ 75 milhões (aproximadamente R$ 435 milhões) em financiamento de capital para acelerar sua expansão em inteligência artificial e infraestrutura. O anúncio ocorre em um cenário onde o Bitcoin (BTC) é negociado próximo a US$ 68.500, buscando estabilidade após pressões de venda recentes oriundas do próprio setor de mineração.
Do montante total, a empresa concluiu um aporte de US$ 10,5 milhões com a Enduring Wealth Capital e assegurou acordos para mais US$ 65 milhões vindos de entidades ligadas à sua diretoria. Esse movimento estratégico segue uma tendência crescente de mineradoras diversificando receitas com IA, utilizando o capital para mitigar a volatilidade do mercado cripto e financiar novos hardwares.
O que está por trás da expansão?
A estratégia da Cango reflete uma mudança estrutural no modelo de negócios das mineradoras industriais. A empresa está alavancando seus ativos de energia e infraestrutura para integrar computação de IA distribuída, reduzindo a dependência exclusiva da recompensa por bloco do Bitcoin. Para financiar essa transição e sanear o balanço, a Cango realizou recentemente uma venda massiva de parte de seu tesouro em BTC.
Em termos simples, a Cango está trocando a aposta única na valorização do ativo digital por um modelo híbrido que vende poder computacional para contratos de tecnologia. Essa injeção de capital, liderada pelo presidente Xin Jin, coloca a empresa em competição direta com gigantes globais que investem pesado em novas infraestruturas de mineração e processamento de dados.
Sinais técnicos e dados de produção
Operacionalmente, os dados mostram que a Cango enfrentou desafios climáticos severos na América do Norte em janeiro de 2026. O hashrate operacional médio caiu de 50 EH/s para cerca de 37 EH/s devido a tempestades de inverno. De acordo com o comunicado oficial, a produção mensal recuou para 496 BTC, impactada pelos desligamentos forçados de máquinas.
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No lado financeiro, a venda de 4.451 BTC gerou cerca de US$ 305 milhões em liquidez. Embora fortaleça o caixa para a expansão em IA, essa movimentação reduz as reservas da empresa e adiciona pressão de venda no mercado à vista. Analistas monitoram se essa liquidação indica um topo local ou apenas uma reestruturação de capital necessária.
Como isso afeta investidores brasileiros?
Para o investidor brasileiro, o movimento da Cango sinaliza que o setor de mineração está se transformando em um jogo de infraestrutura tecnológica robusta. Quem investe em ações de mineradoras deve observar não apenas a quantidade de Bitcoins minerados, mas a eficiência energética e a capacidade de diversificação para IA, que pode oferecer receitas mais estáveis em reais.
Além disso, a liquidação de grandes volumes de BTC por mineradores serve como alerta para a gestão de volatilidade no curto prazo. É fundamental que o investidor tenha uma estratégia preparada para eventuais quedas nos preços causadas por esses fluxos de oferta, mantendo o foco nos fundamentos de longo prazo.
Riscos e contrapontos no radar
Apesar da injeção de capital ser positiva para o crescimento, ela traz o risco de diluição para os acionistas atuais, dado que os novos fundos envolvem a emissão de milhões de ações ordinárias classes A e B. Se a execução da estratégia de IA demorar a dar retorno, o valor das ações pode sofrer.
Outro ponto de atenção é a dependência climática. Como visto em janeiro, eventos extremos podem paralisar operações e derrubar a receita rapidamente. A aposta agressiva em expansão física carrega riscos operacionais que não devem ser ignorados pelo mercado.

