A Bolívia anunciou um plano para integrar criptomoedas ao sistema financeiro formal, começando pela regulamentação de stablecoins e permitindo o uso de ativos digitais em serviços bancários. O ministro da Economia, Jose Gabriel Espinoza, apresentou a medida como parte do novo direcionamento econômico do governo Rodrigo Paz, que busca modernizar o ambiente financeiro após a reversão da antiga proibição ao setor.
De acordo com reportagem da Reuters, o governo pretende autorizar bancos a oferecer produtos vinculados a criptoativos, como contas de poupança, cartões e linhas de crédito. Com isso, as instituições financeiras poderão operar ativos digitais como instrumentos de pagamento legalmente reconhecidos.
Conforme destacou Espinoza, a adoção acelerada de criptomoedas no país justificou a criação de um marco regulatório, sobretudo após o forte aumento de transações observado desde o ano passado.
Crescimento do uso de criptomoedas na Bolívia
A demanda por criptoativos ganhou força na Bolívia depois da retirada sa restrição ao setor. Analistas apontam que a desvalorização do boliviano motivou parte da população a buscar alternativas digitais como forma de preservação de valor. O governo avalia que, em vez de tentar restringir o mercado, a melhor estratégia é incorporá-lo à estrutura financeira regulada.
Espinoza afirmou que o país precisa considerar o caráter global e descentralizado do setor. Para ele, reconhecer o uso crescente desses ativos e integrá-los à supervisão bancária pode ampliar a inclusão financeira e contribuir para a digitalização de serviços no país.
Confira nossas sugestões de Pre-Sales para investir agora
Medidas econômicas como pano de fundo
A regulamentação das criptomoedas ocorre paralelamente às negociações de um pacote de financiamento internacional que deve superar US$ 9 bilhões. Embora essa agenda esteja em andamento, o governo tem ressaltado que o foco imediato é atualizar o arcabouço financeiro e estimular o setor privado.
O anúncio também veio junto à decisão de eliminar impostos considerados obstáculos à atração de investimentos. Além disso, há um planejamento de orçamento mais austero para 2026, com redução de gastos públicos.
Apesar de ainda não haver um cronograma detalhado para a integração cripto-bancária, o governo indicou que a implantação será gradual e contará com regras prudenciais para instituições participantes. A medida marca a primeira iniciativa estruturada da Bolívia no sentido de incorporar ativos digitais ao sistema financeiro oficial.

