O Bitcoin (BTC) é negociado em torno de US$ 66.000 (aproximadamente R$ 350.907) nesta quinta-feira (19), pressionado pelo temor de um conflito iminente no Oriente Médio. Enquanto investidores aguardam os próximos movimentos militares entre Estados Unidos e Irã, analistas alertam que novos ataques podem derrubar ainda mais o mercado de criptomoedas, desafiando temporariamente a narrativa do ativo como refúgio seguro.
O que explica a movimentação atual?
Em termos simples, os mercados avessos ao risco reagem mal à incerteza bélica. Quando tensões geopolíticas escalam, investidores institucionais tendem a liquidar ativos voláteis para buscar liquidez em dólar ou ouro. Carlos Guzman, da GSR Research, destacou ao site DL News que a incerteza no Oriente Médio já está pesando tanto sobre criptoativos quanto sobre ações, forçando investidores a reduzir sua exposição ao risco.
Embora muitos defendam a criptomoeda como uma reserva de valor independente, a história recente mostra uma reação diferente no curto prazo. Como analisamos anteriormente no CriptoFácil, a tese do Bitcoin como hedge em cenários de incerteza global é frequentemente testada durante choques geopolíticos. No ano passado, ataques envolvendo Israel e Irã provocaram quedas rápidas nos preços, e a ameaça atual de ofensivas “muito piores” sob ordens do presidente Donald Trump renova esse temor no mercado.
Quais níveis técnicos importam agora?
O cenário técnico exige cautela. O Bitcoin testa suportes críticos na faixa de US$ 65.000 (R$ 342.000), tendo recuado significativamente desde o pico de outubro de 2025. Analistas da Stifel alertam que, se o BTC continuar seguindo a fraqueza do dólar e a aversão ao risco, o preço pode recuar até o nível de US$ 38.000.
Dados on-chain reforçam o sinal de alerta. O analista conhecido como @IT Tech observou que a demanda de pequenos investidores (varejo) está nos níveis mais baixos desde o mercado de baixa de 2022. Essa “capitulação do varejo” geralmente precede longos períodos de lateralização antes de uma reversão real. Além disso, traders experientes observam atentamente como a movimentação de baleias impacta a volatilidade nestes momentos, já que grandes carteiras podem aproveitar o pânico para manipular preços em zonas de baixa liquidez.
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Como isso afeta o investidor brasileiro?
Para o investidor brasileiro, o cenário exige uma gestão de risco apurada. Tensões globais costumam fortalecer o dólar frente ao real, o que pode amortecer visualmente a queda do BTC quando cotado em BRL, mas não protege o patrimônio da desvalorização real do ativo. É fundamental entender a correlação do Bitcoin com mercados tradicionais, que tende a aumentar drasticamente em momentos de pânico global, fazendo com que criptos caiam junto com bolsas de valores.
Em um contexto onde grandes potências disputam hegemonia, com reflexos econômicos que lembram o cenário onde a China pede que bancos reduzam exposição à dívida dos EUA, o Bitcoin pode sofrer liquidações repentinas. A recomendação de especialistas é evitar alavancagem neste momento. Se os EUA efetivarem ataques ao Irã, a reação inicial do mercado pode ser uma queda brusca (crash) antes que o ativo retome sua função de reserva de valor a longo prazo.
Em síntese
Em resumo, a possibilidade, cada vez mais concreta, de um conflito direto entre EUA e Irã coloca o Bitcoin em uma zona de perigo imediato. Investidores devem monitorar a defesa do suporte de US$ 65.000 e ficar atentos aos dados de inflação (PCE) dos EUA que saem nesta semana, pois eles, somados às manchetes de guerra, ditarão o rumo do mercado.

