O Bitcoin caiu novamente nesta terça-feira (21), após tensões geopolíticas entre EUA e União Europeia reacenderem a aversão a risco nos mercados globais. A criptomoeda recuou para US$ 89.800, acumulando queda de 3,1% em 24h e de 5,4% na semana, segundo dados de mercado. O movimento ocorre em um ambiente macro pressionado por tarifas comerciais, saída de capital institucional e liquidações alavancadas.
O que está por trás da queda do Bitcoin?
Em termos simples, investidores reduziram exposição a ativos de risco após declarações do presidente dos EUA sobre novas tarifas contra países europeus. Esse tipo de choque macro costuma impactar o Bitcoin no curto prazo, já que o ativo ainda se comporta como risco, apesar da narrativa de “reserva de valor”. Para o investidor brasileiro, isso significa maior volatilidade e spreads mais amplos nas corretoras locais.
O BTC rompeu o suporte psicológico de US$ 90.000, nível que havia sustentado o preço desde o início de janeiro. Segundo Economic Times, a quebra desse patamar apagou cerca de US$ 150 bilhões do market cap total do mercado cripto. E daí? Rompimentos de suportes relevantes tendem a acelerar vendas técnicas e chamadas de margem.
Indicadores técnicos e dados on-chain reforçam cautela
No gráfico diário, o RSI do Bitcoin caiu para 38 pontos, indicando aproximação de região de sobrevenda, mas ainda sem sinal claro de reversão. O MACD segue negativo, com histograma em expansão, sugerindo continuidade da pressão vendedora. As médias móveis de 50 e 100 dias estão em US$ 92.400 e US$ 94.100, respectivamente, agora atuando como resistências.
Do lado on-chain, dados mostram aumento do supply de BTC em exchanges em 1,2% nos últimos sete dias, um sinal clássico de intenção de venda. Além disso, grandes carteiras (baleias) movimentaram mais de 18.000 BTC para corretoras desde o dia 18 de janeiro, segundo métricas de fluxo. Para quem acompanha Bitcoin abaixo de US$ 93 mil, o padrão reforça o viés defensivo.
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ETFs e liquidações ampliam o movimento
Os ETFs spot de Bitcoin listados nos EUA registraram saída líquida de US$ 394,7 milhões no dia 16 de janeiro, revertendo semanas de forte entrada institucional, de acordo com The Coin Republic. Esse dado importa porque os ETFs têm sido um dos principais vetores de demanda estrutural por BTC em 2025 e 2026.
Em paralelo, as liquidações em 24h alcançaram US$ 874,9 milhões, com US$ 787,9 milhões em posições long forçadas, segundo dados compilados pelo ADVFN. Para traders brasileiros alavancados, isso serve de alerta sobre risco de efeito cascata quando suportes técnicos são perdidos.
Quais são os próximos níveis a observar?
No curto prazo, o principal suporte está em US$ 88.500, seguido por US$ 85.200, região onde houve forte volume negociado em dezembro. Uma perda clara desses níveis pode abrir espaço para uma correção mais profunda. Por outro lado, para aliviar a pressão, o Bitcoin precisaria reconquistar US$ 92.000 e, depois, US$ 94.000.
Vale lembrar que fatores de liquidez global seguem no radar. Como já discutido em análises sobre liquidez e preço do Bitcoin, mudanças na política monetária podem rapidamente alterar o cenário. Até lá, o investidor brasileiro deve priorizar gestão de risco e evitar exposição excessiva em um mercado claramente sensível a choques externos.

