O aumento dos custos globais de financiamento voltou a pesar sobre ativos de risco nesta terça-feira (20), com o rendimento do Treasury americano de 10 anos atingindo 4,27%, máxima em quatro meses. Em resposta, o Bitcoin caiu cerca de 1,5% nas últimas 24 horas, negociado a US$ 91.000, enquanto futuros do Nasdaq recuaram 1,6%. O movimento ocorre em um ambiente já marcado por tensões comerciais entre EUA e Europa e condições financeiras mais apertadas.
O que está por trás da alta dos juros?
O Treasury de 10 anos funciona como referência global de custo de capital, servindo de base para empréstimos, hipotecas e investimentos ao redor do mundo. Quando esse rendimento sobe, investidores passam a exigir retornos maiores, o que reduz a atratividade de ativos de maior risco como ações e criptomoedas. Segundo dados do TradingView, a taxa de 4,27% é a mais alta desde 3 de setembro.
Esse movimento ganhou força após declarações do presidente dos EUA sobre possíveis tarifas contra países europeus, elevando o temor de retaliações e vendas de títulos americanos. De acordo com CoinDesk, a simples expectativa de venda de Treasuries por investidores estrangeiros já é suficiente para empurrar os yields para cima.
Impacto direto no preço do Bitcoin
No curto prazo, o Bitcoin reagiu de forma defensiva, caindo da faixa de US$ 93.000 para US$ 91.000. No gráfico diário, o RSI recuou para 44 pontos, sinalizando perda de força compradora, enquanto o MACD segue negativo, indicando tendência de consolidação ou correção. A média móvel de 50 dias está em US$ 92.400 e agora atua como resistência imediata.
Os principais suportes estão em US$ 90.000 e US$ 88.500; uma perda consistente desses níveis pode abrir espaço para uma correção mais profunda. Em termos semanais, o BTC acumula queda de 2,3%, apesar de ainda registrar alta de cerca de 35% no acumulado de 12 meses.
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Como juros altos afetam o mercado cripto?
Juros elevados drenam liquidez do sistema financeiro, já que títulos soberanos passam a oferecer retornos atrativos com risco baixo. Isso reduz o fluxo para ETFs de Bitcoin à vista, que vêm mostrando entradas mais fracas desde o início de janeiro. Um cenário semelhante já foi observado em 2023, quando yields acima de 4% coincidiram com períodos de lateralização do BTC.
Além disso, custos de financiamento mais altos desestimulam operações alavancadas em exchanges, diminuindo volumes e volatilidade. Para investidores brasileiros, isso significa maior cautela, especialmente em estratégias de curto prazo ou com derivativos.
Risco de curto prazo, narrativa de longo prazo intacta
Apesar da pressão atual, parte do mercado vê o aperto financeiro como um fator temporário. Historicamente, ciclos de alta de juros tendem a desacelerar economias, abrindo espaço para políticas monetárias mais flexíveis no futuro. Artigos recentes do CriptoFacil mostram como a liquidez do Fed e mudanças no apetite global por risco podem redefinir a trajetória do Bitcoin.
No curto prazo, porém, o viés segue defensivo. Enquanto o Treasury de 10 anos permanecer acima de 4%, o Bitcoin tende a enfrentar dificuldade para retomar a região de US$ 95.000, mantendo o foco dos investidores em gestão de risco e preservação de capital.

