Bitcoin voltou a perder força nesta quinta-feira, caindo abaixo de US$ 90 mil em um movimento marcado por pouca liquidez e forte pressão técnica. O ativo não conseguiu sustentar o avanço visto no início da semana e permanece preso entre US$ 85 mil e US$ 94.500, um intervalo que já domina o comportamento do mercado há quase dois meses.
A queda ganhou intensidade após o preço tocar US$ 91.570, no início da madrugada, e recuar rapidamente para a mínima de cinco dias. O movimento reforça a dificuldade do mercado em romper US$ 94.500, nível rejeitado pela terceira vez desde dezembro.
Falhas repetidas no rompimento alimentam cautela
Bitcoin passou as últimas semanas tentando se recuperar das perdas registradas desde outubro, quando desabou de US$ 126.220 para US$ 80.600 em apenas 45 dias. Desde então, o ativo tenta consolidar uma zona de estabilidade, mas cada tentativa de avanço encontra resistência crescente.
A fraqueza desta quinta-feira coincidiu com um cenário ainda mais negativo entre as altcoins. Zcash (ZEC) despencou mais de 16% após a liquidação de uma posição comprada de US$ 12 milhões, agravando a falta de profundidade nos livros de oferta. PUMP e DASH também sofreram perdas de dois dígitos, evidenciando a vulnerabilidade dos mercados secundários em períodos de fluxo reduzido.
O ambiente macro reforçou a pressão. Futuros do Nasdaq 100 e do S&P 500 caíram durante a madrugada, enquanto o dólar índice (DXY) subiu mais de 1% desde 24 de dezembro. Esse movimento ampliou o apetite por proteção e retirou fôlego dos ativos de risco — incluindo criptomoedas.
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Derivativos mostram dominância de vendedores e liquidez frágil
Os mercados de derivativos registraram mais de US$ 400 milhões em liquidações nas últimas 24 horas. A maior parte veio de posições compradas, sinalizando alívio tardio de alavancagem otimista em meio à queda abrupta de preços.
O open interest agregado caiu para US$ 140 bilhões, após tocar o maior nível em quase dois meses. No entanto, o comportamento divergente entre os ativos chamou atenção:
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O OI de Bitcoin subiu 2%, com parte dos traders tentando comprar o recuo.
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O OI de ETH, SOL, XRP, ZEC e SUI caiu, indicando retirada de capital dos mercados alternativos.
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As taxas de financiamento permaneceram positivas na maioria dos tokens, mas ativos como LINK, XLM, AVAX e CC registraram taxas negativas, sinalizando aumento de posições vendidas.
No mercado de opções, puts de BTC e ETH continuam mais caros que calls, mantendo o viés de baixa — embora a pressão tenha diminuído nos vencimentos mais curtos.
Altcoins aprofundam perdas enquanto liquidez desaparece
O impacto mais severo ocorreu onde havia menos liquidez. Com a saída contínua de capital desde o colapso de US$ 19 bilhões em derivativos registrado em outubro, muitos mercados alternativos estão operando sem profundidade suficiente para absorver ordens grandes — como ocorreu com ZEC.
Para completar, a instabilidade no desenvolvimento do protocolo Zcash, após a saída de membros da equipe, elevou ainda mais as incertezas.
O indicador “altcoin season” do CoinMarketCap continua em região de forte baixa, marcado em 23/100, distante do pico de 78/100 atingido em setembro.

