O Bitcoin caiu abaixo de US$ 67.000 nesta quinta-feira (06), apagando integralmente os ganhos acumulados após a eleição presidencial dos EUA em novembro de 2024. No intraday, o preço tocou US$ 66.600, queda de 2,4% em 24h, com volume spot global próximo de US$ 38 bilhões. O movimento ocorre em meio à deterioração do sentimento institucional e à rotação de capital para ativos de menor risco.
A perda desse patamar simbólico evidencia como a narrativa otimista de um ambiente regulatório mais favorável perdeu força ao longo de 2025. Para investidores brasileiros, o recuo pressiona o par BTC/BRL, que oscilou de R$ 415.500 para R$ 406.397 na última semana, reduzindo margens de curto prazo para traders alavancados.
O que significa perder os níveis pré e pós-eleição?
O nível de US$ 67.100 marca onde o Bitcoin era negociado antes da eleição americana; já US$ 67.700 representa o topo histórico de novembro de 2021. Cair abaixo de ambos indica que, apesar da volatilidade extrema, o ativo está praticamente estável em quatro anos, um dado duro para quem entrou no rali recente.
Esse retorno a preços antigos reforça a leitura de queda do Bitcoin ligada à mudança de humor macro. O RSI diário despencou para 18, zona de sobrevenda extrema, enquanto o Stochastic 9D marca 8,48%, sugerindo exaustão vendedora, mas ainda sem confirmação de reversão.
Saídas de ETFs e pressão institucional moldam o cenário
Desde o início de 2026, mais de US$ 2 bilhões saíram de ETFs spot de Bitcoin nos EUA, revertendo inflows de cerca de US$ 35 bilhões observados em cada um dos dois anos anteriores. Essa dinâmica explica parte da pressão vendedora no BTC, já que ETFs funcionam como ponte direta entre capital institucional e o mercado spot.
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Apesar disso, dados on-chain mostram que o supply em exchanges caiu 1,2% no mês, sinalizando menor disposição de venda de holders de longo prazo. O hash rate permanece acima de 610 EH/s, indicando que mineradores seguem operando sem capitulação significativa — um amortecedor para quedas mais profundas.
Quais níveis técnicos importam agora?
No curto prazo, o suporte-chave está em US$ 77.500, alinhado à média móvel de 200 semanas e ao fundo de liquidez observado em futuros da Coinbase. A resistência imediata fica em US$ 85.600; um rompimento com volume poderia abrir espaço para o alvo psicológico de US$ 90.000, potencial alta de 14% a partir do preço atual de US$ 83.724.
Para brasileiros, o equivalente em reais coloca suporte relevante na faixa de R$ 400 mil, nível já testado em fevereiro. Um fechamento diário abaixo disso aumenta o risco de nova perna de baixa, cenário discutido em análises de sentimento de ciclo.
Riscos, contrapontos e o que observar
O principal contraponto ao viés negativo é o histórico sazonal: fevereiro rende, em média, 14,3% para o Bitcoin. Além disso, a desaceleração das saídas de ETFs para US$ 278 milhões em janeiro, ante US$ 3,48 bilhões em novembro, sugere que a pressão institucional pode estar perdendo força.
Ainda assim, a volatilidade segue elevada e o MACD diário permanece negativo, reforçando cautela. Para traders e investidores brasileiros, o momento favorece entradas graduais e gestão de risco rígida, aguardando confirmação de reversão antes de aumentar exposição.
Em síntese, o Bitcoin devolveu todo o rali pós-eleição e voltou a preços de 2021, um choque de realidade para o mercado. Os próximos dias serão decisivos para definir se a queda representa apenas um período de consolidação profunda ou o início de uma fase mais prolongada de ajuste.

