O Bitcoin (BTC) opera em queda nesta terça-feira, sendo negociado em torno de US$ 68.000 (aproximadamente R$ 394.000 na cotação atual), pressionado por uma nova onda de aversão ao risco nos mercados globais. O movimento acompanha de perto a retração das ações de tecnologia na Nasdaq e uma correção significativa no preço do ouro, sinalizando que a correlação entre criptoativos e o mercado acionário tradicional voltou a se intensificar em 2026.
O que explica a movimentação atual?
Em termos simples, o mercado financeiro global entrou em um momento de cautela. Investidores estão reagindo a temores crescentes sobre a regulação e o impacto econômico da inteligência artificial, o que provocou vendas massivas em ações de tecnologia. Como o Bitcoin tem se comportado cada vez mais como um ativo institucional, ele acabou sendo arrastado junto por essa onda de pessimismo.
Dados recentes mostram uma mudança drástica na dinâmica do mercado: a correlação do Bitcoin com a Nasdaq, que estava negativa no início de fevereiro, saltou para +0,72 nas últimas duas semanas. Isso significa que, neste momento, o BTC está caminhando praticamente de mãos dadas com as ações de tecnologia. Essa pressão vendedora no mercado cripto reflete um cenário onde grandes fundos estão liquidando posições de ativos de risco para proteger capital diante da incerteza macroeconômica.
Quais níveis técnicos importam agora?
Do ponto de vista técnico e de preço, os US$ 68.000 (R$ 394.000) funcionam como um suporte imediato crucial. Se esse piso for rompido com volume, analistas apontam para uma possível revisita a níveis inferiores, testando a convicção dos compradores. Vale notar que o ouro, tradicionalmente um refúgio, também falhou em manter o suporte psicológico de US$ 5.000, sendo negociado agora a US$ 4.928 após atingir máximas históricas no fim de janeiro.
Segundo análise da CME Group, a dificuldade do Bitcoin em se desvincular do mercado acionário cria um “efeito ressaca” que pune ainda mais as altcoins — memecoins populares como PEPE e DOGE registraram perdas superiores a 4% nas últimas 24 horas. Por outro lado, a VanEck destaca que os fluxos institucionais continuam sendo o fiel da balança; enquanto houver entrada de capital via ETFs, quedas bruscas podem encontrar compradores dispostos a acumular, evitando um cenário de capitulação completa.
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Como isso afeta o investidor brasileiro?
Para o investidor no Brasil, o cenário exige atenção redobrada, especialmente considerando a volatilidade do câmbio que afeta o preço final em reais. Apesar da queda de curto prazo, a tese institucional segue viva: a MicroStrategy, por exemplo, adquiriu mais US$ 168 milhões em BTC na semana passada, reforçando a visão do Bitcoin como hedge de longo prazo contra a desvalorização monetária.
Contudo, para o trader de varejo local, a recomendação é evitar a alavancagem excessiva neste momento de incerteza. É fundamental observar se o preço em reais consegue se sustentar acima da zona dos R$ 390.000. Dados macroeconômicos, como a inflação nos EUA e as decisões do Federal Reserve, continuarão ditando o ritmo, e qualquer surpresa negativa nesses indicadores pode amplificar a volatilidade tanto na Nasdaq quanto no Bitcoin.
Em síntese
O retorno súbito da correlação positiva com a Nasdaq coloca o preço do Bitcoin à mercê do humor de Wall Street no curto prazo. Manter o suporte de US$ 68.000 é vital para a saúde da tendência de alta. Investidores devem monitorar o fechamento do mercado americano e os fluxos diários dos ETFs para identificar se a correção atual é apenas um ajuste passageiro ou o início de uma tendência de baixa mais prolongada.

