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Bitcoin acende alerta: quase metade da oferta de BTC está no prejuízo

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Quase metade de toda a oferta circulante de Bitcoin (BTC) está no prejuízo. De acordo com relatório da CEX.io Research, aproximadamente 9,4 milhões de BTC – o equivalente a 47% do total em circulação – estão nas mãos de detentores com custo de aquisição acima do preço atual de mercado. O Bitcoin é negociado ao redor de US$ 66.567 (cerca de R$ 399.400), com queda de aproximadamente 6% na última semana, pressionado pela escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

O dado isolado já seria preocupante. O que torna o cenário mais grave é o perfil dos vendedores: mais de 30% do Bitcoin mantido por holders de longo prazo – os chamados long-term holders, investidores que acumularam posições há mais de 155 dias – está submerso, representando cerca de US$ 304 bilhões (aproximadamente R$ 1,82 trilhão) em perdas não realizadas. É o maior percentual de detentores de longo prazo no vermelho desde 2023. A pergunta que domina as mesas de operação é clara: isso é o sinal de capitulação que antecede uma recuperação, ou apenas o primeiro aviso de uma queda ainda mais profunda?

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O que explica essa movimentação?

Em termos simples, imagine um atacadista da Rua 25 de Março que comprou um contêiner de mercadoria a R$ 100 a unidade no auge da demanda. Hoje o mercado paga R$ 53. Ele não vendeu ainda, então o prejuízo é só no papel – mas cada dia que o preço não se recupera aumenta a pressão para liquidar o estoque e pagar as contas. Quando atacadistas grandes o suficiente começam a soltar mercadoria abaixo do custo, o preço de mercado despenca ainda mais, arrastando junto os lojistas menores que também seguraram a posição esperando a virada.

No mercado de criptoativos, a dinâmica é idêntica. Os long-term holders funcionaram historicamente como âncora de estabilidade: compraram barato, aguardaram ciclos inteiros e venderam apenas no topo. Quando esse grupo começa a realizarperdas – e o relatório da CEX.io confirma que estão vendendo nas perdas mais profundas em três anos – o mercado perde um de seus principais compradores marginais. Como analisamos anteriormente no CriptoFácil ao discutir o comportamento dos ETFs de Bitcoin, há uma divisão crescente entre a acumulação institucional e o pânico do varejo – e os dados on-chain de agora sugerem que essa divisão está se aprofundando.

O que os dados revelam?

  • 9,4 milhões de BTC no vermelho (aprox. R$ 1,82 trilhão) – ‘A Montanha Submersa’: Segundo o relatório da CEX.io Research, 47% de toda a oferta circulante de Bitcoin tem custo de aquisição acima do preço atual. É o maior volume de oferta underwater desde os mínimos de 2023, sinalizando que uma parcela expressiva do mercado está psicologicamente fragilizada e sujeita a pressão de venda adicional.
  • Mais de 30% dos long-term holders no prejuízo – US$ 304 bilhões (aprox. R$ 1,82 trilhão) – ‘A Virada dos Pacientes’: O percentual de detentores de longo prazo com posições abaixo do custo atingiu o nível mais alto em três anos, de acordo com a CEX.io. Historicamente, esse grupo vende apenas durante capitulações severas ou no topo do ciclo. Ver esse grupo vendendo a perdas profundas representa uma reversão comportamental significativa e é o dado mais alarmante do relatório.
  • Bitcoin Impact Index da CEX.io em ‘High Impact’ – ‘O Termômetro de Stress’: O índice proprietário da CEX.io, que mede o nível de estresse dos detentores de Bitcoin em relação à propensão a vender, atingiu a leitura de alto impacto. Isso indica pressão simultânea sobre holders de varejo e capital institucional – um sinal que historicamente precede movimentos de preço expressivos, para cima ou para baixo.
  • Zona de liquidação em US$ 67.833 (aprox. R$ 407.000) – ‘A Comporta’: Segundo dados da CoinGlass, caso o Bitcoin rompa abaixo de US$ 67.833, a intensidade acumulada de liquidações em posições compradas (long) nas principais exchanges centralizadas atinge US$ 1,727 bilhão. Liquidações em cascata já eliminaram mais de US$ 415 milhões em posições alavancadas em eventos recentes, demonstrando como esse gatilho pode amplificar rapidamente qualquer movimento de baixa.

Juntos, esses dados pintam um mercado estruturalmente enfraquecido: o preço sobe marginalmente nas últimas semanas, mas a base de detentores lucrativos encolhe – uma divergência que, segundo a CEX.io, “historicamente foi um sinal de alerta”.

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O que muda na estrutura do mercado?

O relatório da CEX.io cita dois precedentes históricos diretos: meados de 2018 e meados de 2022, quando divergências similares entre preço e convicção on-chain antecederam quedas superiores a 25%. No ciclo atual, uma queda de 25% a partir dos níveis atuais levaria o Bitcoin abaixo de US$ 50.000 (aproximadamente R$ 300.000) – território que não era visitado desde fevereiro de 2024 e que colocaria em xeque a narrativa de novo patamar estrutural do ativo.

O cenário, contudo, não é unidimensionalmente baixista. Analistas da Bernstein cortaram preços-alvo de Coinbase, Robinhood e Figure Technology Solutions na segunda-feira, citando ventos geopolíticos contrários e fraco sentimento no mercado cripto – mas mantiveram recomendações de “Outperform” para as três empresas, sinalizando que o horizonte estrutural de longo prazo permanece intacto na visão institucional. Além disso, dados históricos da Bitwise mostram que a probabilidade de perdas ao manter Bitcoin por três anos consecutivos é de apenas 0,7%, o que posiciona o atual momento como potencialmente temporário para investidores com horizonte mais longo.

Os três cenários que o mercado está precificando agora são:

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  • Bull case: O nível atual de supply-in-loss representa capitulação de curto prazo. Long-term holders que venderam saem do caminho, reduzindo pressão de oferta. Com resolução geopolítica parcial, Bitcoin retoma US$ 74.000–US$ 80.000 (aprox. R$ 444.000–R$ 480.000) até o fim do segundo trimestre.
  • Cenário base: O Bitcoin oscila entre US$ 62.000 e US$ 70.000 (aprox. R$ 372.000–R$ 420.000) nas próximas semanas enquanto o mercado digere a pressão de oferta. Sem catalisador positivo claro – resolução do conflito no Oriente Médio ou mudança de postura do Federal Reserve – a recuperação é lenta e não linear.
  • Bear case: A divergência entre preço e convicção on-chain se aprofunda. Long-term holders aceleram realizações de prejuízo, a zona de liquidação de US$ 67.833 é rompida, e o Bitcoin testa US$ 54.000–US$ 43.000 (aprox. R$ 324.000–R$ 258.000) – repetindo o padrão de 2018 e 2022 citado no relatório.

Um fator agravante adicional é o comportamento de players corporativos. A MARA Holdings, uma das maiores mineradoras listadas em bolsa, vendeu mais de 15.000 BTC recentemente para recomprar dívida – um sinal de que até os detentores institucionais com convicção declarada de longo prazo estão cedendo à pressão de balanço em um ambiente de crédito apertado.

Como isso afeta o investidor brasileiro?

Para o investidor brasileiro, o cenário on-chain se traduz com uma camada adicional de complexidade: a taxa de câmbio. Com o dólar oscilando próximo a R$ 6,00, cada queda percentual do Bitcoin em dólar é parcialmente amortecida para quem mede patrimônio em reais – mas o efeito protetor do câmbio não é garantia de preservação de capital em cenários de queda acentuada. Uma queda de 25% no BTC em dólar, mesmo com dólar estável, representa perda equivalente em reais para quem opera via Mercado Bitcoin, Foxbit ou Binance Brasil.

Quem tem exposição via ETFs na B3 – como HASH11 ou QBTC11 – deve monitorar não apenas o preço do BTC em dólar, mas também a variação cambial, já que esses produtos refletem o BTC em dólar convertido para reais. Em ambientes de alta incerteza geopolítica, a volatilidade tende a se amplificar nos dois vetores simultaneamente. Do ponto de vista tributário, a Lei 14.754/2023 exige que ganhos em ativos no exterior sejam declarados anualmente – mas perdas realizadas também podem ser registradas para compensação futura, o que torna o momento relevante para planejamento fiscal.

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A estratégia recomendada para o investidor de varejo neste cenário é o DCA (Dollar Cost Averaging) – aportes periódicos em valores fixos, independentemente do preço. Tentar cronometrar o fundo em um ambiente com 47% da oferta no prejuízo e tensão geopolítica crescente é especialmente arriscado. Alavancagem, neste contexto, deve ser evitada categoricamente: a zona de liquidações em US$ 67.833 (aprox. R$ 407.000) pode ser atingida rapidamente em caso de novo evento de risco, e posições alavancadas seriam eliminadas antes de qualquer recuperação.

Quais níveis técnicos importam agora?

  • US$ 65.000 (aprox. R$ 390.000) – ‘O Piso da Narrativa’: Suporte imediato e psicológico crítico. Abaixo desse nível, o Bitcoin opera em território que elimina os ganhos dos compradores que entraram na segunda metade de 2024. Uma perda consistente desse suporte abre espaço técnico para US$ 62.000 e aceleraria realizações entre long-term holders ainda marginalmente lucrativos.
  • US$ 74.000–US$ 75.000 (aprox. R$ 444.000–R$ 450.000) – ‘A Muralha da Recuperação’: Resistência imediata e nível de max pain das opções de Bitcoin com maior volume em aberto, segundo dados de mercado. Uma recuperação acima desse patamar reverteria o sinal do Bitcoin Impact Index e sinalizaria que a pressão de oferta foi absorvida. Seria também o primeiro nível técnico capaz de atrair de volta compradores que saíram nas últimas semanas.
  • US$ 54.000 (aprox. R$ 324.000) – ‘O Alçapão’: Nível de invalidação do cenário construtivo. Representa a zona de suporte histórico testada em meados de 2024 e o patamar apontado por analistas como próximo destino caso a divergência on-chain entre preço e convicção se aprofunde ao estilo de 2018 e 2022. Um teste desse nível forçaria liquidações adicionais e colocaria em xeque a tese de acumulação institucional via ETFs.

Riscos e o que observar

  • ‘O Gatilho Geopolítico’ – Escalada no Oriente Médio: A possível operação terrestre dos EUA e Israel no Irã, com impacto direto sobre o Estreito de Ormuz e 25% das exportações globais de petróleo, é o principal risco exógeno neste momento. Um choque de oferta no petróleo eleva a aversão ao risco globalmente e pressiona ativos como Bitcoin para baixo antes de qualquer narrativa de porto seguro se consolidar. Cada novo desenvolvimen to militar é um gatilho potencial de venda.
  • ‘A Guilhotina das Opções’ – Vencimento de Contratos Derivativos: Aproximadamente US$ 14 bilhões em opções de Bitcoin vencem periodicamente, com nível de max pain calculado ao redor de US$ 75.000. As semanas que antecedem o vencimento tendem a concentrar volatilidade e movimentos abruptos de preço que podem tanto acelerar a queda quanto forçar uma recuperação técnica de curto prazo – sem que nenhum dos dois reflita necessariamente a tendência estrutural.
  • ‘O Fed como Árbitro’ – Política Monetária dos EUA: O Federal Reserve permanece como variável-chave. Qualquer sinalização de corte de juros mais cedo do que o esperado poderia revigorar o apetite por risco e absorver a pressão de oferta on-chain. O sentido contrário – manutenção de juros altos por mais tempo em função de inflação pressionada pelo choque de petróleo – aprofundaria o cenário de estresse para holders já no vermelho.

O cenário é binário: se o Bitcoin sustentar US$ 65.000 e os indicadores geopolíticos sinalizarem desescalada, a pressão de oferta atual pode representar capitulação de curto prazo e o mercado retoma trajetória de recuperação em direção a US$ 74.000–US$ 75.000; caso contrário, a perda do suporte com aceleração das vendas de long-term holders abre caminho para testes em US$ 54.000, com risco real de repetir os padrões de 2018 e 2022 apontados pela CEX.io. Até lá, paciência é o único ativo que não desvaloriza.

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