O Bitcoin caiu abaixo de US$ 70.000 nesta quarta-feira após comentários do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, indicando que o governo não pode instruir bancos a resgatar o setor cripto. A reação foi imediata: o BTC chegou a tocar US$ 69.480, queda diária de 3,8%, antes de recuperar para a faixa de US$ 74.000 no fim da sessão europeia. O movimento ocorre em meio a um sell-off mais amplo em ativos de risco, com o Nasdaq caindo mais de 2% e pressionando o apetite por criptoativos.
O que a fala do Tesouro significa para investidores de Bitcoin?
Na prática, a declaração reforça que não haverá uma rede de proteção bancária explícita para empresas cripto em momentos de estresse. Para o mercado, isso remove uma expectativa que vinha sustentando o preço após a rejeição do BTC acima de US$ 100.000 em janeiro. Esse contexto se soma à pressão macroeconômica já existente, marcada por juros elevados e menor liquidez global.
Do ponto de vista técnico, o Bitcoin acumula queda de cerca de 40% desde o pico recente, marcando mínimas de 15 meses. No gráfico diário, o RSI está em 38 pontos, sinalizando região de fraqueza, enquanto o MACD segue negativo, com histograma abaixo da linha zero. O preço permanece abaixo das médias móveis de 50 e 200 dias, hoje em US$ 81.200 e US$ 88.500, respectivamente.
Fluxos institucionais e métricas on-chain reforçam cautela
Os ETFs spot de Bitcoin nos EUA continuam registrando saídas líquidas, embora em ritmo menor. Após US$ 3,48 bilhões em outflows em novembro de 2025, dezembro fechou com US$ 1,09 bilhão, e janeiro de 2026 soma US$ 278 milhões até agora. Menos capital institucional significa menor suporte de preço no curto prazo, especialmente em zonas técnicas frágeis.
On-chain, o supply de BTC em exchanges subiu 1,6% nas últimas três semanas, indicando maior disposição de venda. Dados de grandes carteiras mostram movimentações acima de 10.000 BTC para corretoras, comportamento típico de baleias em fases de distribuição. Para o investidor brasileiro, isso ajuda a explicar a queda do Bitcoin mesmo sem um evento específico no ecossistema.
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Suportes críticos e o que pode quebrar a tendência
O Bitcoin opera dentro de um canal descendente, com suporte imediato em US$ 68.000 e um nível-chave mais abaixo em US$ 62.000. Esse patamar é observado por traders como possível zona de entrada de varejo, caso o volume confirme. A resistência mais próxima está em US$ 78.500; acima disso, o preço precisaria romper US$ 82.000 para sinalizar reversão de curto prazo.
No Brasil, exchanges como o Mercado Bitcoin seguem apontando potencial de longo prazo, com projeções de o BTC dobrar sua participação em relação ao ouro, alcançando 14% do market cap até o fim de 2026. Ainda assim, o cenário atual exige gestão de risco, especialmente para quem opera alavancado ou no curto prazo.
Riscos, contrapontos e visão adiante
O principal contraponto é que a desaceleração dos outflows de ETFs pode indicar estabilização da demanda institucional. Além disso, o hash rate da rede permanece próximo das máximas históricas, sugerindo confiança dos mineradores apesar da compressão de margens. Se o macro melhorar e os fluxos virarem positivos, o BTC pode defender os suportes atuais.
Por enquanto, o viés segue defensivo. A combinação de discurso regulatório mais duro, fraqueza técnica e menor liquidez global mantém o Bitcoin vulnerável a novas quedas, com US$ 62.000 como o nível que pode definir o próximo grande movimento do mercado.

