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Bernstein projeta mercado de previsão em US$ 1 trilhão até 2030

Mercado Preditivo
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A Bernstein publicou uma nota projetando que o volume total negociado em mercados preditivos atingirá US$ 1 trilhão (aproximadamente R$ 5,8 trilhões na cotação atual) até o final de 2030, partindo de US$ 51 bilhões (cerca de R$ 295 bilhões) negociados em 2025 – uma expansão de quase 20 vezes em cinco anos. O banco aponta que a alavanca principal não será o apostador esportivo comum, mas o investidor institucional em busca de exposição direta a eventos macroeconômicos, políticos e corporativos: as plataformas Polymarket e Kalshi, que hoje movimentam respectivamente US$ 1,6 bilhão (R$ 9,3 bilhões) e bilhões adicionais em apostas esportivas, já atraíram a ICE – controladora da Bolsa de Nova York – com um aporte de US$ 1,6 bilhão (R$ 9,3 bilhões) na Polymarket, a Tradeweb com seus US$ 2,8 trilhões (R$ 16,2 trilhões) em volume diário médio e firmas como Jump Trading e Susquehanna International Group aplicando técnicas de arbitragem e detecção de precificação incorreta. A receita do setor deve saltar de US$ 500 milhões (R$ 2,9 bilhões) em 2025 para US$ 10,8 bilhões (R$ 62,6 bilhões) em 2030, alta superior a 2.000% em meia década.

A pergunta que domina as mesas de operação é clara: os mercados preditivos estão prestes a se tornar a próxima grande infraestrutura financeira global – e quem controla os protocolos que sustentam esse trilhão de dólares captura o maior prêmio de crescimento da década?

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O que está por trás dessa movimentação

Os mercados preditivos não são uma invenção do cripto. Os Iowa Electronic Markets, lançados em 1988 pela Universidade de Iowa, já permitiam apostas em resultados eleitorais sob isenções acadêmicas – décadas antes do blockchain existir como conceito. O que mudou estruturalmente foi a combinação de três forças simultâneas: a infraestrutura descentralizada que elimina intermediários e reduz custos de liquidação, a eleição presidencial americana de 2024 que catapultou o Polymarket à consciência mainstream com volumes recordes em contratos políticos, e a mudança regulatória nos Estados Unidos que passou a permitir que plataformas registradas na CFTC – a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities – operem contratos de eventos em escala nacional. Esses três vetores convergiram para criar um ambiente em que o Wall Street tradicional enxergou uma oportunidade que não conseguia mais ignorar.

A lógica institucional é simples: gestores de risco corporativos já utilizam derivativos de taxa de juros e credit default swaps para se proteger de eventos adversos. O problema é que esses instrumentos oferecem apenas exposição indireta – uma empresa que teme uma mudança tarifária específica precisa montar posições em múltiplos instrumentos que apenas aproximam o risco real. Um contrato de evento, por outro lado, resolve exatamente o evento em questão, com payoff binário e sem ambiguidade de correlação. É essa precisão cirúrgica que os analistas da Bernstein descrevem quando afirmam que as empresas buscam “exposição mais direta e discreta a eventos” – e que corporações e seguradoras estão preparadas para adotar mercados preditivos como ferramenta de hedge de risco político e regulatório.

Como analisamos anteriormente no CriptoFácil sobre a adoção institucional de infraestrutura cripto por gigantes como Citadel e Fidelity, o padrão de entrada de Wall Street em novos mercados seguiu historicamente uma sequência previsível: primeiro os hedge funds de nicho, depois as firmas de trading de alta frequência, e por fim os grandes custodiantes e bolsas. Com a Tradeweb e a ICE já posicionadas, o mercado preditivo parece estar entrando na terceira fase dessa sequência com velocidade incomum. A FIFA assinou parceria multianual com a ADI Predictstreet como primeira parceira oficial de mercado preditivo para a Copa do Mundo de 2026 – um torneio expandido para 48 equipes, com 104 partidas entre Canadá, México e Estados Unidos – consolidando a dimensão esportiva ao mesmo tempo em que o segmento institucional começa a ganhar tração.

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O ambiente regulatório americano adicionou combustível ao movimento: o governo Trump entrou com ações judiciais contra Illinois, Arizona e Connecticut – estados que tentaram classificar mercados preditivos como jogos de azar sujeitos à regulação estadual – argumentando que a CFTC detém jurisdição federal exclusiva sobre contratos de eventos. Essa batalha jurisdicional, longe de assustar instituições, sinaliza ao mercado que o governo federal ativamente defende a expansão do setor, o que reduz o risco regulatório percebido por investidores profissionais.

Em termos simples, imagine

Pense na B3 e nos contratos futuros de dólar negociados por importadores e exportadores brasileiros. Uma empresa que importa insumos da China e precisa pagar em dólar daqui a 90 dias não sabe exatamente qual será a taxa de câmbio – então compra um contrato futuro de dólar que trava o preço. O importador não está “apostando” no dólar; está eliminando um risco operacional específico do seu negócio. O mercado de futuros existe exatamente para isso: transformar incerteza em custo previsível. Os mercados preditivos funcionam de maneira análoga, mas para eventos que até hoje não tinham instrumento financeiro equivalente.

Imagine que uma multinacional brasileira com operações nos EUA quer se proteger do risco de uma nova rodada de tarifas sobre produtos específicos. Hoje, ela pode comprar dólar futuro, montar posições em Treasuries ou usar swaps de taxa – mas nenhum desses instrumentos paga exatamente se “as tarifas subirem acima de 25% sobre o setor X até julho”. Um contrato de evento na Kalshi ou no Polymarket faria exatamente isso: a empresa pagaria um prêmio e receberia um payoff caso o evento específico ocorra, sem a contaminação de outros fatores de mercado. É o Tesouro Direto da gestão de risco político – simples na lógica, preciso na execução.

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A analogia tem, claro, seus limites. No Tesouro Direto, o governo brasileiro é a contraparte e o risco de crédito é soberano. Nos mercados preditivos descentralizados como o Polymarket – que opera sobre blockchain – a liquidação é garantida por smart contracts, não por instituições. Isso elimina risco de contraparte tradicional, mas introduz risco de protocolo: bugs em contratos inteligentes, manipulação de oráculos e liquidez fragmentada entre plataformas são riscos reais que nenhum gestor de FII ou de previdência complementar ignoraria antes de alocar capital em escala.

Quais são os dados e fundamentos destacados?

  • PROJEÇÃO CENTRAL – BERNSTEIN – ‘O Trilhão Anunciado’: Volume total negociado em mercados preditivos deve atingir US$ 1 trilhão (aproximadamente R$ 5,8 trilhões) até o final de 2030, partindo de US$ 51 bilhões (R$ 295 bilhões) em 2025 – crescimento de quase 20 vezes em cinco anos.
  • RECEITA DO SETOR – PLATAFORMAS – ‘O Motor de Monetização’: Receita projetada de US$ 10,8 bilhões (cerca de R$ 62,6 bilhões) em 2030, ante US$ 500 milhões (R$ 2,9 bilhões) em 2025 – alta de mais de 2.000% em cinco anos. O Polymarket começou a cobrar taxas sobre determinados mercados apenas em abril de 2025.
  • COMPOSIÇÃO ESPORTIVA – POLYMARKET/KALSHI – ‘A Queda do Futebol no Portfólio’: Apostas esportivas representam hoje 62% do volume total das plataformas. A Bernstein projeta queda para 31% até 2030 conforme o segmento institucional cresce. No Polymarket, esportes respondem por 42%; na Kalshi, por 78%.
  • RECORDE KALSHI – MASTERS DE GOLFE – ‘O Bilhão da Semana’: A Kalshi facilitou US$ 2,7 bilhões (R$ 15,7 bilhões) em apostas esportivas em uma única semana durante o Masters Tournament, um dos quatro majors do golfe profissional – novo recorde histórico para a plataforma.
  • APORTE ICE – POLYMARKET – ‘A Bolsa Que Apostou na Aposta’: A ICE, controladora da Bolsa de Nova York, investiu US$ 1,6 bilhão (aproximadamente R$ 9,3 bilhões) na Polymarket com foco em distribuição – um dos maiores aportes em infraestrutura de mercados alternativos dos últimos anos.
  • PARCERIA TRADEWEB-KALSHI – FINANÇAS TRADICIONAIS – ‘O Duto Institucional’: A Tradeweb, que administra US$ 2,8 trilhões (R$ 16,2 trilhões) em volume diário médio, anunciou parceria estratégica com a Kalshi – conectando o maior sistema de negociação institucional de renda fixa do planeta ao maior mercado preditivo regulado dos EUA.
  • COPA DO MUNDO 2026 – FIFA/ADI PREDICTSTREET – ‘O Contrato dos 104 Jogos’: A FIFA assinou acordo multianual com a ADI Predictstreet como primeira parceira oficial de mercado preditivo, cobrindo o torneio expandido de 48 equipes e 104 partidas em 2026 – integrando mercados preditivos à estratégia global de engajamento de torcedores.
  • VOLUME 2026 – PROJEÇÃO INTERMEDIÁRIA – ‘O Salto de Curto Prazo’: O analista Gautam Chhugani da Bernstein projeta volumes de US$ 240 bilhões (R$ 1,39 trilhão) em 2026, alta de 370% sobre 2025 – com Kalshi e Polymarket já acumulando US$ 60 bilhões (R$ 348 bilhões) no acumulado do ano até o momento, já superando o total de 2025 inteiro.

Em conjunto, os dados confirmam uma tese de compressão de tempo raro: o mercado preditivo não está crescendo linearmente, mas em curva exponencial com múltiplas fontes de aceleração simultâneas – capital institucional, parceiros de distribuição de escala trilionária e legitimidade esportiva via FIFA, tudo convergindo antes que a infraestrutura regulatória esteja completamente definida.

O que muda na estrutura do mercado?

O efeito de primeira ordem é imediato: a entrada da ICE e da Tradeweb transforma o perfil de risco percebido do setor inteiro. Quando a controladora da Bolsa de Nova York aloca US$ 1,6 bilhão (R$ 9,3 bilhões) em distribuição para uma plataforma de mercado preditivo, ela não está fazendo uma aposta especulativa – está construindo canais para que seus clientes institucionais acessem o produto. Isso significa que fundos de pensão, gestoras de ativos e tesourarias corporativas que hoje nem consideram mercados preditivos como classe de ativo poderão receber esses produtos pela mesma interface que já usam para negociar Treasuries e derivativos de crédito. A barreira de distribuição – historicamente o maior obstáculo para qualquer novo instrumento financeiro – está sendo demolida por cima.

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O efeito de segunda ordem é competitivo e atinge diretamente as plataformas existentes: a chegada de Susquehanna International Group e Jump Trading com técnicas de arbitragem entre plataformas e detecção de precificação incorreta vai comprimir os spreads e tornar os mercados mais eficientes – o que é bom para os usuários, mas pressiona as margens das plataformas que dependem de liquidez cara. A Robinhood, que comemora um ano de seu hub de mercados preditivos com US$ 350 milhões (R$ 2 bilhões) em receita recorrente anual e 30% do volume total da Kalshi, representa um segundo vetor de compressão: plataformas de varejo com base de usuários massiva entrarão no segmento com estrutura de custo mais baixa, forçando as plataformas nativas a se diferenciarem por profundidade de mercado e variedade de contratos institucionais.

O efeito de terceira ordem é estrutural e de longo alcance: se a projeção da Bernstein se confirmar, os mercados preditivos deixam de ser um nicho de criptoentusiastas e se tornam infraestrutura de formação de preços para eventos que hoje não têm mercado eficiente. Taxas de juros, resultados eleitorais, aprovações regulatórias, acordos comerciais – tudo isso passará a ter um “preço de mercado” em tempo real derivado de capital em risco real. Isso tem implicações profundas para a eficiência informacional dos mercados financeiros tradicionais, pois cria sinais de probabilidade que analistas e algoritmos poderão incorporar em modelos de precificação de ativos convencionais. Como analisamos anteriormente no CriptoFácil sobre apostas em mercados preditivos com dados on-chain em situações de alto impacto geopolítico, essa camada de sinalização já demonstrou capacidade de antecipar eventos com precisão superior à mídia tradicional – e em escala trilionária, esse sinal se torna ainda mais robusto.

A opinião editorial do CriptoFácil sobre este movimento é direta: o mercado preditivo está repetindo o playbook dos ETFs de Bitcoin – primeiro ridicularizado, depois tolerado, agora abraçado por quem mais resistiu. O investidor que entendeu a tese antes da aprovação dos ETFs capturou os maiores retornos. O mesmo padrão está se desenhando aqui, com uma janela de entrada que se fecha à medida que o capital institucional precifica o crescimento projetado.

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Como isso afeta o investidor brasileiro?

Efeito BRL: O câmbio atual na faixa de R$ 5,80 por dólar significa que cada marco de crescimento do mercado preditivo americano tem impacto ampliado em reais. O salto projetado de US$ 51 bilhões para US$ 1 trilhão em volumes representa, em reais, a diferença entre um mercado de R$ 295 bilhões e um de R$ 5,8 trilhões – número comparável ao PIB anual do Brasil. Para o investidor brasileiro exposto a ativos dolarizados via cripto, a apreciação de tokens relacionados à infraestrutura de mercados preditivos ocorre em dólar e é potencializada em reais caso o câmbio permaneça ou se deprecie acima de R$ 5,80. Qualquer apreciação do real contra o dólar atenua os ganhos na ponta brasileira – esse é o risco cambial que você precisa monitorar junto com a tese setorial.

Acesso prático: Você não acessa Polymarket ou Kalshi diretamente pelo sistema financeiro brasileiro – ambas operam fora do alcance das corretoras reguladas no país. O acesso mais direto é via tokens de protocolos relacionados a mercados preditivos, disponíveis em corretoras como Binance Brasil e Mercado Bitcoin, ou via ETFs de criptomoedas na B3 como o HASH11, que oferece exposição diversificada ao ecossistema cripto sem exposição direta a protocolos individuais. Carteiras como MetaMask permitem acesso ao Polymarket diretamente via USDC, mas implicam responsabilidade integral de custódia e nenhuma proteção regulatória brasileira. Para quem prefere exposição indireta à tese de crescimento institucional do mercado preditivo, ações de empresas como ICE – listada na NYSE sob o ticker ICE – oferecem exposição ao aporte de US$ 1,6 bilhão via mercado acionário americano, acessível por BDRs ou contas em corretoras internacionais.

Obrigações fiscais: Qualquer ganho realizado com tokens de protocolos de mercados preditivos ou com operações diretas nessas plataformas está sujeito às regras da Lei 14.754/2023 e à Instrução Normativa 1.888 da Receita Federal. Operações que resultem em ganho de capital acima de R$ 35.000 em um único mês devem ser declaradas e o imposto pago via DARF até o último dia útil do mês seguinte. O programa GCAP da Receita deve ser utilizado para o cálculo correto do ganho de capital com a alíquota aplicável. A natureza internacional dessas plataformas adiciona uma camada de complexidade na classificação do ativo e do evento tributável – recomenda-se fortemente a consulta a um contador especializado em cripto antes de realizar qualquer operação relevante nesse segmento.

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Quais limiares financeiros importam agora?

  • US$ 240 bilhões (R$ 1,39 trilhão) em 2026 – Volume Anual Consolidado – ‘O Primeiro Teste da Tese’: A projeção intermediária de Gautam Chhugani para 2026 é o primeiro checkpoint verificável da trajetória até o trilhão. Com Polymarket e Kalshi já em US$ 60 bilhões no acumulado de 2026, atingir US$ 240 bilhões exige manutenção de ritmo atual por todo o ano. Falha nesse marco sugeriria que o crescimento de 2025 foi evento único ligado à eleição americana, não tendência estrutural.
  • US$ 3 bilhões (R$ 17,4 bilhões) semanais – Volume Kalshi – ‘O Piso da Institucionalização’: O volume semanal da Kalshi saiu de US$ 100 milhões há um ano para mais de US$ 3 bilhões hoje – crescimento de 30 vezes em 12 meses. Manutenção desse patamar ou aceleração confirma que a entrada da Tradeweb e da Jump Trading gerou liquidez estrutural, não sazonal. Queda abaixo de US$ 1,5 bilhão semanal sinalizaria reversão à média pré-institucional.
  • 31% de participação esportiva até 2030 – Mix de Contratos – ‘A Virada Institucional’: A Bernstein projeta que esportes caiam de 62% para 31% do volume total. Qualquer leitura trimestral que mostre participação esportiva abaixo de 50% antes de 2027 confirmaria aceleração da adoção institucional de contratos econômicos e políticos – e validaria o múltiplo de receita projetado para 2030.
  • US$ 10,8 bilhões (R$ 62,6 bilhões) em receita até 2030 – Monetização das Plataformas – ‘O Marco de Maturidade’: A receita projetada implica take rate médio de aproximadamente 1% sobre US$ 1 trilhão em volume. O Polymarket acabou de começar a cobrar taxas em abril de 2025 – se o modelo de monetização não conseguir sustentar take rates acima de 0,5% diante da entrada de firmas de HFT que comprimem spreads, a projeção de receita cai pela metade sem que o volume precise desaparecer.
  • US$ 1,6 bilhão (R$ 9,3 bilhões) – Aporte ICE no Polymarket – ‘O Piso de Valuation Implícito’: O aporte da ICE, focado em distribuição e não em controle, implica valuation mínimo para o Polymarket consistente com múltiplos de plataformas de derivativos reguladas. Se a ICE exercer opção de distribuição ativa e integrar o Polymarket ao seu ecossistema de bolsas, o valuation pode se deslocar para território de dezenas de bilhões de dólares – criando efeito de riqueza que atrai capital adicional para todo o setor.

Riscos e o que observar

Risco de Fragmentação Regulatória: Embora o governo Trump tenha entrado com ações judiciais contra Illinois, Arizona e Connecticut em defesa dos mercados preditivos, a batalha jurisdicional está longe de encerrada. Uma decisão de tribunal federal que limite a jurisdição da CFTC ou que reconheça autoridade estadual sobre apostas esportivas poderia isolar as maiores plataformas de mercados inteiros, fragmentando a liquidez e tornando o modelo de negócio geograficamente instável. Com 14 ações judiciais em andamento em diferentes estados e quatro projetos de lei no Congresso americano abordando preocupações com insider trading, o risco regulatório não é hipotético – é operacional.

Gatilho a monitorar: Qualquer liminar federal que suspenda operações da Kalshi ou Polymarket em mais de três estados simultaneamente, ou aprovação de projeto de lei no Congresso que classifique contratos esportivos como jogos de azar sujeitos ao Wire Act.

Risco de Concentração de Liquidez: A Kalshi controla aproximadamente 90% do mercado doméstico americano regulado, e a Robinhood responde por 30% do volume total da plataforma. Essa dupla concentração – uma plataforma dominante com um distribuidor dominante – cria fragilidade sistêmica: saída da Robinhood, mudança regulatória que afete a Kalshi especificamente ou falha técnica em qualquer dos dois nós poderia evaporar liquidez de forma não-linear, assustando justamente os investidores institucionais que o setor precisa reter para cumprir a projeção da Bernstein.

Gatilho a monitorar: Queda do volume semanal da Kalshi abaixo de US$ 1 bilhão por três semanas consecutivas, ou anúncio de suspensão ou revisão da parceria entre Robinhood e Kalshi.

Risco de Manipulação de Oráculos em Protocolos Descentralizados: O Polymarket opera sobre blockchain e usa oráculos externos para determinar o resultado dos contratos. Como analisamos anteriormente no CriptoFácil sobre apostas suspeitas no Polymarket com padrões on-chain que anteciparam eventos geopolíticos, a plataforma já enfrentou questionamentos sobre insider trading e manipulação de informação. Em escala trilionária, com capital institucional real em risco, um episódio de manipulação de oráculo confirmada poderia desencadear retirada coordenada de liquidez e ação regulatória simultânea – um choque do qual plataformas descentralizadas dificilmente se recuperariam no curto prazo.

Gatilho a monitorar: Qualquer investigação formal da CFTC ou SEC sobre resolução de contrato específico no Polymarket, especialmente em contratos de alto volume ligados a eventos políticos ou corporativos.

Risco de Compressão de Margens por HFT: A entrada de Jump Trading e Susquehanna com técnicas de arbitragem e detecção de precificação incorreta é um sinal de maturidade do mercado – e simultaneamente uma ameaça às margens das plataformas. Em mercados de futuros tradicionais, a presença massiva de HFT comprimiu spreads a frações de centavo, tornando a operação lucrativa apenas para quem opera em escala de trilhões. Se o mesmo padrão se repetir nos mercados preditivos antes que a base de contratos institucionais de maior valor agregado esteja estabelecida, a projeção de receita de US$ 10,8 bilhões em 2030 se torna matematicamente inconsistente com o take rate implícito.

Gatilho a monitorar: Redução do take rate médio das plataformas abaixo de 0,3% em contratos de alto volume por dois trimestres consecutivos, especialmente se acompanhada de crescimento de volume sem crescimento proporcional de receita.

O cenário a partir de 2025

O cenário é binário: se o volume anual consolidado atingir os US$ 240 bilhões (R$ 1,39 trilhão) projetados para 2026 com participação crescente de contratos institucionais econômicos e políticos – reduzindo a dependência esportiva abaixo de 50% antes de 2027 – e se a batalha jurisdicional americana for resolvida em favor da regulação federal da CFTC, permitindo que a parceria Tradeweb-Kalshi e o canal de distribuição da ICE-Polymarket operem em escala nacional sem restrições estaduais, os mercados preditivos terão demonstrado que não são um fenômeno eleitoral de 2024, mas uma nova classe de infraestrutura financeira com demanda estrutural de longo prazo – e os protocolos que sustentam essa infraestrutura, junto com as plataformas que capturam o take rate sobre o trilhão projetado, figurarão entre os maiores cases de criação de valor do ciclo cripto atual, com tokens e equities do setor potencialmente multiplicando cinco a dez vezes sobre os valuations implícitos de hoje; ou, caso a fragmentação regulatória estadual se aprofunde com liminares que suspendam operações em estados-chave, a manipulação de oráculos em um contrato de alto perfil deflagre investigação federal simultânea ao crescimento, e as firmas de HFT comprimam margens antes que a base de contratos institucionais esteja madura o suficiente para sustentar as projeções de receita da Bernstein, o setor recuará para um nicho bem capitalizado mas incapaz de cumprir a trajetória trilionária – frustrando tanto investidores institucionais que precificaram o crescimento quanto os protocolos que apostaram na disrupção da gestão de risco corporativa global.

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