Início » Últimas Notícias » Barclays estuda blockchain para liquidação enquanto bancos avançam em stablecoins

Barclays estuda blockchain para liquidação enquanto bancos avançam em stablecoins

Barclays estuda blockchain para liquidação enquanto bancos avançam em stablecoins
Siga o CriptoFacil no Google News CriptoFacil

O Barclays, gigante bancário britânico, iniciou avaliações formais para implementar sistemas de liquidação baseados em blockchain, uma resposta estratégica ao mercado de stablecoins que se aproxima de US$ 300 bilhões (aproximadamente R$ 1,74 trilhão na cotação atual). Conforme reportado pela Bloomberg, a instituição financeira emitiu pedidos de informações a fornecedores de tecnologia para explorar infraestruturas capazes de suportar pagamentos e depósitos tokenizados. A movimentação sinaliza que os grandes bancos globais estão passando da fase de ceticismo para a de integração urgente, temendo que a inovação das criptomoedas drene liquidez dos trilhos bancários tradicionais.

Esta iniciativa não é isolada, mas parte de uma corrida institucional para modernizar sistemas legados. O Barclays já havia sinalizado interesse no setor ao investir na startup de liquidação Ubyx em janeiro, buscando desenvolver o chamado “dinheiro tokenizado” dentro do perímetro regulatório. O movimento valida a tese de que a infraestrutura blockchain está se tornando o padrão global para liquidação financeira, um cenário onde stablecoins superam US$ 1 trilhão em volume mensal e começam a rivalizar com redes de pagamento convencionais.

Publicidade

O que está por trás dessa movimentação?

Em termos simples, os bancos tradicionais estão percebendo que, se não construírem suas próprias “estradas digitais”, perderão o tráfego financeiro para empresas nativas de criptomoedas como a Tether e a Circle. O sistema bancário atual opera em trilhos antigos (como o SWIFT), que são lentos e caros comparados às blockchains, que funcionam 24/7. O Barclays está, essencialmente, tentando atualizar seu sistema operacional para não se tornar obsoleto.

A lógica é defensiva e ofensiva ao mesmo tempo. Defensiva porque analistas estimam que bilhões de dólares em depósitos podem migrar para stablecoins se os bancos não oferecerem alternativas eficientes. Ofensiva porque a tecnologia permite novos modelos de receita. É comparável ao momento em que as empresas de telefonia precisaram adotar a tecnologia VoIP (voz sobre IP) para não serem engolidas por aplicativos de comunicação via internet. Enquanto isso, emissores nativos continuam avançando, como visto quando a Tether investe em plataformas de marketplace para acelerar o uso prático de seus tokens.

Quais são os dados e fundamentos destacados?

A urgência do Barclays é fundamentada por projeções macroeconômicas que indicam uma mudança tectônica no fluxo de capitais globais. Segundo dados compilados pelo mercado e fontes do setor, os principais pontos são:

🚀 Buscando a próxima moeda 100x?
Confira nossas sugestões de Pre-Sales para investir agora
  • Crescimento Exponencial: O mercado de stablecoins pode saltar dos atuais US$ 300 bilhões (R$ 1,74 trilhão) para quase US$ 2 trilhões (aproximadamente R$ 11,6 trilhões) até 2028, segundo estimativas do Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.
  • Risco de Fuga de Depósitos: O Standard Chartered alerta que até US$ 500 bilhões (aproximadamente R$ 2,9 trilhões) podem migrar de depósitos bancários tradicionais para stablecoins se a regulação e a usabilidade avançarem.
  • Volume de Pagamentos: Analistas da Bloomberg Intelligence projetam que stablecoins podem ser responsáveis por até US$ 50 trilhões (aproximadamente R$ 290 trilhões) em volume anual de pagamentos até o final da década.
  • Rentabilidade dos Emissores: A infraestrutura cripto já gera receitas massivas, como demonstrado quando a Circle registra receitas recordes, provando aos bancos que há um modelo de negócio sustentável além da especulação.
  • Concorrência Bancária: O Barclays tenta alcançar rivais como o JPMorgan, que já opera o JPM Coin, e o HSBC, que planeja lançar depósitos tokenizados para clientes corporativos até 2026.

Como isso afeta o investidor?

Para o investidor, a entrada de gigantes como o Barclays na infraestrutura de blockchain valida a segurança institucional da tecnologia, mas traz implicações práticas importantes. Quando bancos globais adotam esses trilhos, a tendência é que a liquidez aumente e os custos de remessas internacionais (o famoso spread cambial) diminuam, facilitando o acesso a ativos dolarizados.

No entanto, essa institucionalização atrai o olhar atento dos reguladores. Para quem investe, isso significa que a “zona cinzenta” regulatória vai desaparecer. A facilidade tecnológica trazida pelo Barclays e outros bancos não elimina a burocracia local.

Riscos e o que observar

Apesar do otimismo institucional, a fragmentação tecnológica é um risco real. Se cada banco global criar sua própria blockchain privada (um “jardim murado”), a promessa de interoperabilidade universal das criptomoedas pode ser quebrada, resultando em ilhas de liquidez que não conversam entre si. Além disso, a regulação bancária pode impor travas de conformidade (KYC/AML) que limitam a velocidade e a liberdade associadas às stablecoins nativas.

Publicidade

O investidor deve monitorar os anúncios de parcerias tecnológicas do Barclays nos próximos trimestres, especificamente se a escolha recairá sobre redes públicas (como Ethereum ou Solana) ou soluções privadas permissionadas. A escolha da infraestrutura ditará se o sistema será aberto ao mercado cripto amplo ou restrito a clientes institucionais.

Siga o CriptoFacil no Google News CriptoFacil